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Violetas na Janela

VERA LÚCIA MARINZECK DE CARVALHO, Petit, 1993.
Pelo Espírito Patrícia.

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Violetas nas Janela é um romance que conta a sobre a vida do espírito Patrícia na Colônia espiritual. Apesar de não ser aceito por parte dos espíritas, é um livro muito conhecido no Brasil sendo que já foram vendidas mais de 2 milhões de cópias e está na 47ª edição.

Acredito que tanto sucesso se dê  porque esta é uma história próxima dos brasileiros, além de falar sobre a vida espiritual de forma simples e direta, sanando a curiosidade do que acontece do outro lado.

Patrícia foi uma jovem de São Sebastião do Paraíso, Minas Gerais, que desencarnou dormindo aos 19 anos. Sendo de família espírita e conhecendo bem a doutrina, ela se comunica com a tia que é médium, Vera Lúcia, e conta como foi acordar na colônia, onde ela vive com quem, como, e o que faz lá.

Patrícia narra todos os momentos da sua adaptação à nova vida, e enquanto fala sobre nutrição, seus amigos de outras vidas, seus afazeres, vai explicando sobre a vida no mundo espiritual além de contar algumas histórias que servem como exemplo de como funciona a vida enquanto espírito.

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Impressões

À primeira vista, Violetas na janela é um livro para espiritas iniciantes. Explica tudo de forma simples e dentro de uma narrativa. É um livro curto e gostosinho de ler.

Algumas coisas parecem um pouco absurdas quando pensamos em como é a vida nas colônias espirituais mas como já li –  não me lembro se exatamente neste livro – não é o outro lado que se parece com este, é este que foi inspirado no outro lado. Portanto, e se for verdade?

Talvez eu tenha lido o livro somente para descobrir de onde vem o título e para outro curiosos como eu, finalmente vou spoillar.
A mãe da menina plantava violetas na janela da cozinha. Ao ir morar com a avó no plano espiritual, esta fez o mesmo para Patrícia se sentir em casa.

Se o livro fosse meu, se chamaria “Orquídeas na Janela”.

E a lição mais importante que aprendi:

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“Não ser pedinte de graças, não querer que outras pessoas façam o que posso fazer e também, aprender a ser útil e a servir”. 

 

O Outro Lado da Vida

SYLVIA BROWNE, Sextante, 2008.

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Nesta minha onda de ler livros espiritualistas, este é mais um que chegou até a minha de bom grado. Os escritores americanos que falam sobre assuntos espirituais, em geral, falam muito deles mesmos, do que vêem, se seus “clientes”, suas experiências, mas ao contrário dos outros os quais eu já relatei*, este me despertou mais desconfianças do que o aceitável.

Mediunidade

Em vários momentos, a autora  é tão precisa quanto às suas visões que parece impossível  as coisas se mostrarem tão claramente. O que me leva a duas hipóteses: ou ela é uma médium muito muito foda mesmo, ou uma charlatã, porque por exemplo, ao comparar esta obra com os livros de Allan Kardec, estes, apesar ter respostas precisas para todas as perguntas, sempre deixam em aberto a análise das situações, ao contrário da obra em questão.

Sylvia conta que seu espírito guia, é o espírito de uma mulher que viveu no império Inca. Espírito que aparentemente, não tem nada a ver suas ligações emocionais ou familiares. Alguém muito distante. Este espírito fez muitas revelações à Sylvia, contando por exemplo, que ela está em sua 54ª encarnação e a última. Sabe também, que sua neta é a reencarnação de sua avó e que também é médium.

Segundo a doutrina espírita, nós nos esquecemos de quem fomos em vidas passadas porque não é relevante para o momento atual, uma vez que, os aprendizados já passamos, ficam gravados no espírito, além de sermos muito frágeis para carregar toda a culpa dos erros que já cometemos.

Mas para a autora, o contato com o outro lado, é um dom que todos podemos trabalhar para saber quem fomos em outra vida. Assim, ela incentiva o desenvolvimento da mediunidade para descobrir coisas irrelevantes, uma vez que se o fossem,  não demandaria tanto esforço para descobrir.

Plano de Encarnação

Sylvia ensina que nosso plano de encarnação é bem específico, contendo um tema primário e um secundário escolhidos dentro de 44 temas existentes, para que tais qualidades sejam desenvolvidas durante a vida estando relacionadas com nosso ambiente familiar, social, profissional. Entre eles alguns exemplos são: liderança, passividade, mediunidade, emotividade, temperança, paciência, busca estética.

É uma questão interessante, porque ao ler este capítulo consegui me identificar com alguns temas e lembrar de pessoas que se identificam com outros de forma tão profunda que é possível, que já tenhamos todos, decidido isto antes de chegar nesta vida.

Existe gente sem conserto

O livro fala de três tipos de entidade: negras, cinzentas e brancas. Estas últimas, claro, são seres celestiais – anjos, querubins, etc. As cinzentas são em geral pessoas comuns, com um pouco de maldade e bondade, e as negras, são aquelas sem conserto, com as quais não devemos gastar tempo e energia para tentar ajudar. A autora exemplifica ainda que sua mãe era uma entidade negra.

Realmente, acredito que existem pessoas que devemos nos afastar porque suas presenças nos fazem mal. Mas devemos aceitar que esta reação é relativa. Uma pessoa pode parecer uma “entidade negra” para mim, mas ter uma relação amigável com outra pessoa. E o mais importante, muitas vezes estas pessoas de energia pesada, não estão focadas em praticar o mal para alguém, seu problema é que não conseguem desenvolver o  bem dentro de si, então, se for aberto precedente para que ninguém a ajude a ser melhor, como ficamos? Estagnados? Não parece óbvio que desenvolver nosso lado egoísta, orgulhoso, invejoso é mais fácil do que desenvolver o lado compreensivo, paciente, generoso?

Para comprovar que este precedente, já ouvi de outras pessoas legais que leram o livro que no momento em que leram este trecho já identificaram as “entidades negras” em sua vida. Então, se eu aceito que existem pessoas sem conserto, aceito que vamos evoluir e sermos pessoas melhores, mas que alguns podem ficar para trás. Fodam-se eles.

Por fim, mas não menos chocante, a autora também não acredita em perdão e não o incentiva porque acha algo muito grande para nós pobres mortais. “Não vou perdoar ninguém porque não sou obrigado!” – é como soa sua colocação.

IMPRESSÕES

Muito incentivo ao que ela chama de “autodesenvolvimento” e pouco preocupação com o todo. Nada de ajudar as “entidades negras” a se tornarem “entidades cinzentas”, nada de perdoar faltas graves, porque isso é coisa pra Deus. Para mim, não é útil  falar em espiritualidade ou religiosidade se a abordagem não for coletiva.

A autora quer ajudar a desenvolver a mediunidade com meditações no estilo “Agora… imagine… você uma sala grande… com paredes verdes……….imagine você numa bolha de luz….” É bom para relaxamento, mas para ver “o outro lado”? Será?

Tenho a impressão de que a Sylvia Browne fala um monte de coisas que agradam pessoas que não estão a fim de fazer um esforcinho para se tornarem melhores mas que gostam de massagear o próprio ego e assim, ela ganha um monte de seguidores, porque gente acomodada no mundo, não falta.

por Patrícia Bedin

*Tão Longe de Casa – A vida após a morte e Conversando com os Espíritos 

TÃO LONGE DE CASA – A Vida Após a Morte

DANNION E KATHRYN BRINKLEY, Larousse do Brasil, 2008.

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Dannion narra este livro em primeira pessoa (apesar de ter sido escrito por duas pessoas, o que me deixou um pouco confusa) contando sobre suas três experiências de quase morte – EQM.

Na primeira EQM, Dannion foi atingido por um raio através da linha telefônica. Seu corpo foi queimado internamente e mesmo após ter sido socorrido, ficou 28 minutos morto. Neste tempo, visitou algum lugar no mundo espiritual que ele chama de “Cidade de Cristal”. Anos depois o fato se repetiu mais duas vezes. Em todas as situações, o autor foi recebido por espíritos que o guiaram e lhe mostraram como são as coisas do lado de lá. Também deram a ele uma missão para que desenvolvesse na Terra.

Uma das principais lições deste livro, é que nossa verdadeira casa é lá, no mundo espiritual, e por isso, faz-se a referência deste aprendizado desde o titulo, dizendo que estamos longe de casa.

Segundo o autor, somos seres espirituais que viemos como guerreiros para  a vida terrena afim de desenvolver uma missão pessoal e/ou social, e que por isso, por nos colocarmos humildemente numa posição inferior a qual estávamos habituados lá em cima, somos muito admirados pelos que de lá nos observam.

A última parte do livro intitulada “Sete Lições do Céu”, me prendeu muito. Nada além de “lições para viver melhor” mas que costumamos esquecer no dia a dia. Na lição cinco – a que mais me chamou a anteção –  Dannion fala sobre como é importante viver o presente. Amar hoje. Fazer a diferença na vida de alguém hoje. Relaxar hoje, orar hoje e acreditar que tudo seguirá seu rumo. E o mais importante, qie para alcançar este objetivo é preciso renunciar aos sentimentos e pensamentos ruins. “Renunciar”, isso mesmo. Abrir mão, jogar fora nossa parte ruim. Renunciar ao medo de viver e a tudo que nos atrapalhada de sermos pessoas melhores porque isto  também é uma escolha. Escolhemos mesmo que inconscientemente, ter nossa porção má, acreditando que para o bom existir é preciso existir o mau, o que é um grande equívoco.

Impressões

A história do autor é muito bonita – cara machão-brutão que passa por um momento difícil e tem sua vida transformada. Não uma, mas três vezes!

Dannion fala dele mesmo com muito drama “ó como sofri, como doia, como eu quase morri três vezes, foi tão difícil! Mas eu consegui superar e agora sou um cara foda”. Isso me incomodou no começo mas acredito que seja por conta da cultura brasileira que descredita os que se utilizam da própria história como exemplo. No Brasil geralmente, quando o cara é muito bom em alguma coisa, precisa ser também, muito humilde. Não pode “se vangloriar”. Percebi que é o terceiro autor americano que leio neste ano e que se comporta de maneira parecida. Precisamos aprender com eles.

Sem críticas maldosas a fazer, só posso dizer que acredito em 90% do que ele conta que existe do outro lado, além disso, as lições que ele trouxe de lá e que transcreve para compartilhar são extremamente importantes para uma vida amorosa e feliz. O livro é muito bonito e cheio de pequenas reflexões daquelas que dão vontade da gente escrever num post-it e pregar na parede do quarto, para se lembrar todos os dias ao acordar e antes de dormir.

Conversando Com Os Espíritos

JAMES VAN PRAAGH, Editora Sextante, 2005.

Conversando com os espíritos

Um amigo me emprestou este livro com ótimas recomendações de que eu iria adorá-lo e precisava ler. Não estava muito segura se queria fazê-lo por que não quero sair por aí conversando com os espíritos. Mas como ultimamente eu ando um pouco Jim Carrey em ‘Sim Senhor‘, aceitei.

Hoje acordei cedo para dar uma olhada na pilha de livros que estava ao lado da minha cabeceira e este era o primeiro. Como resultado, terminei a leitura em umas 5 horas.

Nesta pequena obra de 110 páginas dividida em 3 partes, o autor consegue transmitir muita informação sobre a mediunidade com clareza. Na primeira ele conta como descobriu seu dom, na segunda descreve algumas sessões que teve com pessoas que buscaram comunicação com seus entes desencarnados, na terceira enfim, fala sobre como falar com os espíritos, o que não é muito a minha praia por enquanto, mas para os que se interessarem ensina algumas formas de fazer contato.

A segunda parte, das sessões, foi a que achei mais interessante e confortadora. Contando casos de mortes trágicas como acidentes de carr, assassinato, suicídio, Praagh ensina como lidar com esses momentos além de mostrar os laços de afeto que unem as famílias, como os desencarnados estão cuidando dos que ficaram e como estão vivendo no plano espiritual. Entre uma história e outra, ele fala sobre como amar e viver o amor incondicional, como viver bem, como usar e controlar nossas emoções.

Apesar de eu sentir uma leve desconfiança por causa do jeito como o médium pratica seu dom, é possível aprender muitas coisas bonitas independentes disto.

Impressões

 A linguagem é muito clara a leitura bem agradável.

Enquanto lia, senti minhas emoções transbordarem.

O autor é também produtor da série Ghost Whisperer, provavelmente é um fator que tira um pouco sua credibilidade diante da mídia, segundo o Google. A revista Veja o chama de médium showman.

James Van Praagh nasceu no mesmo dia que eu, no mesmo ano que meu pai – ninguém poderia dormir sem saber.

Algo que me marcou bastante e me motiva a mudar:

“O medo é uma ilusão e também o principal empecilho ao crescimento do indivíduo. O medo prende as pessoas aos seus conflitos interiores, tolhendo a liberdade. Viver com medo opõe-se a viver com amor (…)”