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As Intermitências da Morte

JOSÉ SARAMAGO, Companhia das Letras, 2005.

"Não há nada no mundo mais nú que um esqueleto"

Desde que conheci José Saramago, venho estocando seus livros porque afinal, não são fáceis de encontrá-los em promoção. Quando comecei a trabalhar na Universidade e encontrei “As intermitências da Morte” decidi que ele deveria passar à frente dos outros afinal, meu contrário era temporário e a biblioteca, grátis. Foi assim que o levei comigo durante minhas primeiras férias. Um livro pequeno, porém denso, como os outros. Já havia escutado muitas boas recomendações então, era sucesso certeiro.

“No dia seguinte ninguém morreu”. É o pontapé inicial para o leitor simplesmente querer entender os porquês e definitivamente, leva algum tempo para aceitar que é possível, que os porquês não sejam importantes.

O livro é dividido em duas partes, na primeira o autor narra as implicações de que, em um país inteiro, ninguém mais pode fazer a passagem. A situação toma forma de caos e há os desdobramentos políticos de um fato como este. Há também o meu entrelaçamento de preguiça e procrastinação que me fez levar dois meses e duas viagens para chegar ao fim desta parte porque talvez, eu não estivesse realmente interessada em pensar profundamente sobre as relações políticas.

Então chegou a segunda parte, onde conheci a Morte, aquela com M maiúsculo, da foice e do manto preto, que resolve voltar ao trabalho da forma mais irônica e inimaginável. Foi por esta Morte que, a leitura de um livro arrastada por sessenta dias acabou em prantos em poucas horas.

Impressões


“não há nada no mundo mais nú que um esqueleto”

Cada final de livro emocionante é um ou mais dias de reflexão e muitas vezes, tristeza. Outras vezes, satisfação. Este me rendeu um fim de semana tentando materializar com tinta e papel minha própria ideia desta que muito se fala, e pouco se sabe. Como elogio ganhei uma promessa de que, sem metáforas, minha Morte seria tatuada.

Obrigada Saramago, obrigada Elen, Obrigada Morte.

*por Patrícia Bedin.

Vencendo o Passado

ZIBIA GASPARETTO, 2008, Vida e Consciência.

Vencendo o passado

Carolina é uma menina bem difícil de esquecer. Tanto que seu amor de outra vida, Sérgio, vem ao seu encontro em sonhos.

A menina que nasceu e cresceu em Bebedouro, cidade do interior de São Paulo, após a morte do  avô, se muda para a capital temporariamente a pedido do avó e da tia, que precisam de alguém para alegrar a casa.

No primeiro dia de aula em seu colégio novo, faz amizade com Mônica, que lhe apresenta seu irmão Sérgio, no qual Carolina reconhece semelhanças com o rapaz de seus sonhos.

O pai de Carolina é um homem sério e muito conservador que costuma impor suas vontades para os filhos e a esposa, mas,  enquanto Adalberto, seu filho mais velho faz parecer que está sempre agradando o pai e a esposa mantém um comportamento altamente submisso, Carolina resolve lutar por seu sonho de se mudar para São Paulo e se casar com Sérgio. Mas para que o casal consiga ficar junto, A garota precisa corrigir e superar os erros que cometeu em sua vida anterior.

Impressões

Apesar do livro tratar-se de um romance, é uma forma descontraída de conhecer os preceitos do Espiritismo, já que este rege a história falando sobre encontros em outras vidas e em sonhos, provas e expiações, obsessão.

Apesar do cunho espiritual e do estilo literário simples, a história é muito gostosa de ler e daquele tipo de dá vontade de acabar logo para saber o que vai acontecer na vida do casal.

A informação não é explícita mas possivelmente a história se passa por volta da década de 50 ou 60, quando mulher estudava para ser dona de casa e educar os filhos e era inaceitável por muitos pais que a filha estudasse “advocacia”, uma profissão para homens.

50 Tons de Cinza

E. L. JAMES, Instrínseca, 2012.

Desde seu lançamento em março deste ano, nos Estados Unidos, vendeu mais de 10 milhões de exemplares. Quase 300 mil cópias vendidas em dois meses no Brasil. Traduzido para 37 línguas. O conto de fadas de gente grande, Cinquenta Tons de Cinza, está bombando. É a primeira vez que leio um livro recém lançado para companhar o bafafá e estou achando muito interessante.

A História

Anastasia Steele (21), formanda em Literatura, magra, pálida, olhos azuis, cabelos castanhos e virgem  conhece o empresário Christian Grey (28), lindo, forte, gostoso, rico e de olhos cinzentos. A Srta. Steele usa umas roupas bicho-grilo, não sabe se maquiar nem tem o hábito de arrumar os cabelos.  É um universitária pouco comum que apesar de formanda está mais para caloura. Tomou seu primeiro porre na última semana de aula.

Quase descumpriu totalmente a profecia de que ninguém sai da faculdade, sóbrio, careta e virgem. Quase, porque graças ao Sr. Grey, esse rapaz de 28 anos com alma de velho, bipolar ou muito mimado – não decidi ainda – mas muito, muito bonito, ela conseguiu encher a cara e fez muito sexo, antes da formatura.

Apesar de Chistian ser esquisitão, sua beleza excessiva e seus presentes megalomaníacos ajudam a fazer dele uma pessoa mais agradável. Por outro lado, ele guarda um segredo, um passado do qual não gosta de falar, que certamente é o motivo por ele ser uma pessoa tão instável, ter cinquenta tons.

Anastasia percebe que há algo mais profundo a ser entendido e mesmo tendo medo das reações dele, acaba entrando neste labirinto, afinal, está contagiantemente apaixonada. Grey deve ser geminiano.

Outros personagens da trama:

Consciente da Anastasia: muito sensato, é o anjinho de Ana, fica no seu ombro direito, sempre soprando aqueles conselhos de mãe e aquelas conclusões esquisitas de uma pessoa com a autoestima baixa. Também é a personificação dela falando com ela mesma.

Deusa interior da Anastasia: é o diabinho em forma de mulher, claro. Praticamente uma recém-nascida, é a personificação brega das volúpias femininas despertadas na garota. Ela dança, grita, se joga, faz beicinho, uma safada. Há ainda em segundo plano, Kate, a amiga gostosona que passou a faculdade toda tentando deixar Ana mais mulherzinha – sem sucesso. A beleza de Kate intimida Anastasia que sente que nunca será como ela. Ou seja, Kate mais atrapalha do que ajuda.  Ela conhece Elliot, o irmão de Christian, com quem passa a se relacionar.

Porque este livro faz tanto sucesso?

Sexo está no topo da lista de assuntos contemporâneos como “assunto muito falado porém, pouco praticado”, perdendo o primeiro posto apenas para o mandamento cristão.  É comum ouvirmos pessoas tirando onda de pegadoras-resolvidas sexualmente, e depois, ficarmos sabendo por vias tortas, que na prática, a situação é outra.

Homens querem uma coisa, mulheres querem coisas diferentes, e muitas vezes essa entre outras diferenças resultam em desistência ou conformismo de alguns casais, enquanto os outros, ou estão em busca de solucionar este problema (os quais me parecem que são uma pequena fatia) ou, seguem felizes e satisfeitos, provavelmente escolhendo não fazer propaganda porque, como já disse Nelson Rodrigues sabiamente, às vezes até a crítica pode atiçar a curiosidade das amigas – imagine o que pode fazer um elogio.

Entretanto, há uma coisa comum entre os sexos: todos querem ser encantados. Cabe a cada um tentar descobrir o que encanta seu parceiro. No caso das mulheres, um Christian Grey, encanta fácil. Pela beleza, pela atenção, pelo dinheiro ou simplesmente pelo prazer de sonhar com o cara perfeito, afinal, ele foi criado por outra mulher.

Particularmente fiquei apaixonada por ele nos primeiros capítulos, e pergunto me sempre, como alguém não ficou? Anastasia o vendeu muito bem. Depois a sensação sobre o personagem mudou conforme fui conhecendo junto com a garota, os diferente tons do rapaz.

Agora, qual mulher não gostaria de ter um homem que dedica 100% de sua atenção, é um deus do sexo,  que se preocupa com sua saude e bem estar, que dá presentinhos pelo simples prazer de agradar sem pedir nada em troca (pelo menos é o que ele faz questão de deixar sempre claro) e que, o mais importante: sabe dar o verdadeiro valor à textura rendada de uma calcinha bem pequenininha?

Ok, algumas podem realmente não querer nada disso, e apesar de eu achar que entre estas uma pequena parcela é ultra-bem-comida mas a maioria esmagadora é composta por mal-comidas, compreendo que existe opinião pra tudo.

De qualquer forma a grande resposta é que falar de sacanagem é legal pra caralho,  e o livro é uma grande putaria.

E você homem, que está lendo isso e achando tudo uma grande bobagem, pense que se talvez, você fosse um pouco “Grey” para sua mulher, se sua vida não seria mais movimentada. Pense antes que outro cara pense. O livro está cheio de dicas, basta ler e aplicá-las, que fique claro, não somente quanto ao sexo, mas principalmente se tratando das atitudes.

Cinquenta Tons de Cinza é um Crepúsculo para Adultos?

Sim. Não conheço coisa alguma sobre Crepúsculo, mas segundo críticas que li, o Cinquenta Tons de Cinza tem muitas referências parecidas – para não dizer idênticas – ao Crepúsculo. Nada de surpreendente visto que as primeiras experiência da autora com a escrita, foi escrevendo contos alternativos sobre o casal de vampiros mais pop dos últimos tempos. A grande diferença é que tem muito sexo.

Impressões

Concluí a  leitura a algumas semanas, o que torna minha impressão sobre este livro, a mais sincera que já fiz: não somente as impressões imediatas bem como e principalmente, as marcas (emocionais, não físicas, que fique claro) que ele realmente deixou em mim: a de “quero mais”. Meu Cinquenta Tons Mais Escuros já chegou, e devo começar a ler muito em breve.

Sobre as afirmações de que o livro é um pornô para mamães, existe uma coisa que todos precisam saber: mamães também fazem sexo, e não só elas como a maioria das mulheres, preferem uma leitura como esta do que um video no xvideos.

Foi muito gostoso acompanhar  jovenzinha de 21 anos perdendo a virgindade e se apaixonando, simplesmente pelo fato de sentir novamente as sensações que estas experiências proporcionam. A primeira vez que você viu o amor da sua vida, a falta de jeito que se perde no mesmo instante, aquele porre que você “bebeu pra esquecer”, as borboletas no estômago, enfim, tudo que é comum nessa idade, e que vai sendo esquecido ao longo dos anos. A novinhas se identificam, as mais velhas relembram e provavelmente, se motivam a buscar pelas partes boas, novamente.

Detalhes desnecessários como “Pisco”… “Olho”…”Gemo”… em certos momentos são completamente irritantes, mas eu costumo corrigir mentalmente para não estragar o prazer da leitura.

A história, apesar da pobreza na fala, me fez em todos momentos que eu não estava lendo, pensar no que iria acontecer em seguida.

A submissão e o sadomasoquismo me parecem apenas um cenário clichê, me sinto obrigada a comentá-los para não passar batido então, comento minha impressão: a transa é poucas vezes agressiva e se alguém deseja ler sobre tais assuntos, não é nos Cinquenta tons de Cinza que vai encontrar.

Não pense demais, divirta-se com o sexo.

Adaptação para o cinema

Claro que os direitos já foram vendidos e a grande discussão dos fãs é a escolha do casal protagonista.

Como cara de bom moço comigo não cola, meu Chistian Grey preferido e o gatíssimo Channing Tatum. Sem desmerecer seu trabalho, ele é cara de mau como um “novo Heath Ledger“, só que ainda mais bonito. Com o direito da tietagem, não tem para ninguém.

De todas as possibilidades organizar por esta lista, não admito de forma alguma Robert Pattinson; cara de bonzinho posso engolir, mas macarrão sem molho, é impossível.

A Srta. Steele na minha opinião, cairia muito bem em Zooey Deschanel, que infelizmente não foi citada, e provavelmente nem será. Da lista que indiquei anteriormente, ficaria com Alexis Bledel.

Senhores, façam suas apostas.

Alexis Bledel e Zooey Deschanel

 

Por Patrícia Bedin