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Lições de Amor em 10 Clichês – 10ª Lição: Águas Passadas Não Movem Moinhos

*Este texto é parte da série “Lições de Amor em 10 Clichês” Clique aqui para conhecer

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Das poucas certezas que tive na infâncias, todas diziam respeito ao futuro. Eu acreditava que quando adulta, todas minhas dúvidas estariam sanadas pois para mim, os adultos não tinham aflições, sabiam todas as coisas.

A pouco tempo desisti de esperar por este dia e aceitei que  nunca serei aquela adulta que imaginei quando criança.  Aos 18, nada aconteceu. aos 20, também não. Aos 28 em vez de constatar que estou cada vez mais rica, feliz e sábia,  me sinto frequentemente como aquela menina de 8 anos, feliz porque ganhou um lápis de cor novo, e triste porque não sabe a melhor maneira de usá-lo.

Somos criados para vencer mas esquecemos de nos preparar para as derrotas. Quando percebemos, somos pegos na queda da montanha russa fechando os olhos para não ver a merda. Estamos diante de impasses com maior freqüência do que gostaríamos.

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E ao final destes impasses, nos encontramos em momentos que ficamos de mão atadas, só nos resta sentar e chorar. E não é proibido, faça-o. Esgote até a ultima lágrima para que nenhuma dor seja introjetada. Deixe a dor sair.

É aqui que começa a  última lição. Podemos chorar e gritar mas para sobrevivermos a esta montanha russa, precisamos saber recomeçar. Quando somos preparados só para vencer, não desenvolvemos resiliência, capacidade de superar problemas.

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Um fim de relacionamento é como voltar de um sonho bom – ou ruim – ou como apagar um personagem de uma história que durou anos, ou ainda, como voltar de um universo paralelo onde uma parte de você não existe mais, diariamente. Os amigos, a família, o convívio, os lugares, está tudo pela metade. Tudo foi mutilado.  Mas quando temos resiliência, podemos ver a vida a partir deste momento, como uma casa nova recém-mobiliada. É tudo diferente, mas é novo e bonito. É a oportunidade mais oportuna possível: a de fazer melhor.

A primeira oportunidade está em mudar alguns valores sociais que acumulamos e que nos torna escravos do olhar alheio, o primeiro deles, acreditar que somente com um relacionamento a vida tem sucesso, como se a vida a só fosse um castigo, uma incompetência. Quando trabalhamos nossa autoestima, nossas qualidades, quando nossa vida é repleta de coisas que amamos, não precisamos de alguém para nos completar. Mas se “alguém” chegar, será convidado a somar e compartilhar.

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A segunda oportunidade é a de rever racionalmente nossos comportamentos destrutivos. Se você quer um novo relacionamento, é preciso se educar para não cometer os mesmos erros, os quais costumam estar pautados basicamente em orgulho e egoísmo. Pense em tudo que você e o outro fizeram de prejudicial para a convivência e o amor, qualquer que for a resposta, se emcaixará em um destes defeitos.

Assim, quando uma próxima pessoa chegar você já sabe o que fazer. Ela pode querer estar ao seu lado ou não. Você o mesmo. Você pode acreditar que estar sozinho pode ser melhor. Nem que seja por um tempo. Mas a certeza de que, se permanecer a dois haverá espaço infinito para voar e ninguém terá suas asas tolhidas, você sempre pode oferecer.

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Fundamental é voltar à vida pulsaste, com os valores e comportamentos renovados por que quem sabe, este novo relacionamento pode ser até com a pessoa antiga?!  Quando nos esforçamos para deixar as falhas no passado, nos redescobrimos como pessoas melhores e nos abrimos para enxergar o melhor em nós, no mundo e no outro. Ou, resumindo em Guimarães Rosa, viver é um rasgar-se e remedar-se.

 

Por Patrícia Bedin. 

 

 

Lições de Amor em 10 Clichês – 9ª Lição: Quando o Amor se Ausenta, a Dor se Instala

*Este texto é parte da série “Lições de Amor em 10 Clichês” Clique aqui para conhecer

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Acabou, não deu. Você tentou de tudo que ainda estava ao seu alcance mas chegou ao fundo do poço. Está fumando um Derby sentado na beira da calçada.

Sob uma marquise enquanto se protege do temporal, você pensa: como vim parar aqui? E em sua cabeça passam milhares de respostas e nenhuma. Tudo é tão nebuloso quanto a chuva que está à sua frente.

Neste momento, pular da janela do nono andar parece a única solução, mas tenha calma. Respire e conte até mil se precisar.

Seu desejo mais forte depois de querer voltar no tempo (seja para “antes de eu ter conhecido aquele infeliz” ou antes de tudo ter desandado), é acabar com a dor. É normal.

A dor possui várias fases e querer morrer é apenas uma. Você vai parar de comer. Com sorte vai voltar a comer. Depois vai comer demais, porque o que não mata, engorda. Vai pensar nas crianças-mudas-telepáticas para se sentir melhor. Vai ter a brilhante ideia de escrever uma série de textos sobre amor, para ver se aprende alguma coisa. Tem aqueles que se isolam e aqueles que bebem pra esquecer. Nesse mundo tem coração partido de todo jeito.

Por que dói tanto?

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Como já vimos na aula anterior, relacionamentos de qualquer natureza são sempre lições de amor permeadas de oportunidades de aprendizado mas, infelizmente, temos dificuldade em aprendê-las em tempo real, e acabamos chegando ao limite, quando o amor já não se sustenta mais. É por isso que dói. Porque você não reconheceu os sinais mais simples, porque reconheceu e não fez nada. Dói por não ter mais aquela pessoa ao seu lado – o clássico “só dá valor quando perde” – ou ainda, só porque é triste o fim, todo amor se acabou. Enfim, dói porque você foi um babaca.

A dor vem para que você, pobre mortal, olhe para si e para suas atitudes e veja o quanto precisa aprender sobre relações humanas: companheirismo, humildade, generosidade… e todas essas coisas que já foram citadas nas outras 8 lições anteriores. Fatores básicos, e, se no decorrer você não se tocou, vem a dor para te mostrar o quanto você é insignificante diante da grandeza e da complexidade da vida e então, poder se tornar uma pessoa melhor, transformar esse sofrimento em algo bom.

Uns aprendem mais, outros menos. Há os que não aprendem nada. Mas estou certa de que um dia, até mesmo estes se lembrarão do dia em que deixaram de dizer “boa noite” por orgulho, ou que não compraram um presente de aniversário porque “meu namorado não merece isso” ou que não quiseram ter aquela conversa importante porque é “chato e eu estou cansado”. E então a ficha irá cair. Pode levar anos. Não conheço uma alma que saiu ilesa de um término de namoro ou casamento. Se você conhece, afaste-se, esta pessoa não tem alma.

O que é mesmo que eu deveria ter aprendido?

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Se você pensa que o tempo que durou o relacionamento foi pouco tempo para aprender tudo, saiba que amor verdadeiro é uma escola onde você está matriculado desde o dia que reconheceu aquela mulher que trocava sua fralda, como “a mamãe”.

Paixão, na sua raiz, é sexo e acaba. Mas o amor que você deve sentir por aquela pessoa que escolheu para dividir suas aflições, alegrias, a casa e os filhos, é bem parecido com o que você sente (ou deveria sentir) pela família com quem conviveu pelo menos 20 e poucos anos, seus amigos mais próximos e seu cachorro.

Esses dias, com a ajuda de uma amiga, conclui que é preciso amar as pessoas como se elas fossem o seu bichinho de estimação, porque se você para pra pensar, na verdade elas são. A diferença é que somos menos tolerantes porque esperamos que elas errem menos, já que os bichinhos comem sapatos, fazem xixi fora do lugar, derrubam coisas e fazem manha, porque são irracionais.

Mas aceite que todos nós agimos irracionalmente o tempo todo – estou certa de que alguma universidade americana já provou isso. Ciúmes, vaidade, inveja, jogos de poder, pedidos de atenção. No fundo, atitudes deste tipo não fazem muito sentido mas acabam permeando nosso dia a dia. Por que será que o assunto inteligência emocional é tão interessante e recorrente na atualidade? Talvez porque seja algo que, nós humanos, temos pouquíssimo domínio, literalmente.*

Logo, para aprender amar é preciso entender que as pessoas não são perfeitas, erram, e você precisa ter paciência com elas, assim como elas tem com você, com os gatos, cachorros, o irmão pequeno, porque afinal – aceite isto: você também não é perfeito.

miss you

O que eu faço agora?

Não culpe ninguém pela sua infelicidade, nem mesmo o ex só porque ele já tem foto com outra no Instagram, falou mal de você para os amigos, manda indiretas no Facebook, te bloqueou em todas as redes sociais dele. Ele está agindo emocionalmente.

Como você já está na merda, não há muito que possa fazer pela relação. Aproveite o tempo livre e faça algo por si mesmo. “Cuide do seu jardim” diria Shakespeare.

Reflita sobre seus erros e acertos, busque as respostas em você. Transforme a frustração em aprendizado visando melhorias para uma próxima tentativa, porque repetir os mesmos erros, além de burrice, é ser muito amador da vida.

Every thing is gonna be all right

Este é um bom momento para repensar a vida, curtir sua própria companhia. Fazer coisas novas, tipo aquela aula de dança que você está adiando a anos? Aquele filme Cult que ele nunca quis ver com você? Aquele livro que você nunca tem tempo de ler? Pois bem, agora você tem mais tempo livre para aproveitar a liberdade de estar solteiro para fazer o que quiser e quando quiser – quem disse que tem que ser 100% ruim? Se você aprender a se curtir, a dor passa mais rápido e você nem percebe – ou pelo menos se distrai fazendo coisas boas.

E por fim, um conselho dos mais importantes: vê se não sai por aí fazendo besteira para se arrepender depois, menina! (Agora releia imaginando a voz da sua mãe, para ver o quanto este último é importante).

Quando a poeira baixar, seu jardim estará mais bonito que antes e você se sentirá muito mais preparado, forte e feliz para começar tudo de novo. Quantas vezes for necessário.

Patrícia Bedin

* Deixo claro, estas são conclusões por observação da Dra. Patrícia, em seu período de reclusão para aprendizado na dor. Qualquer entendido que queria protestar ou corrigir as informações aqui afirmadas, estou aberta para discussões.  

Lições de Amor em 10 Clichês – 8ª Lição: A Carne é Fraca

*Este texto é parte da série “Lições de Amor em 10 Clichês”. Clique aqui para conhecer.

Quantas vezes erramos e nos arrependemos no momento seguinte? Quantas vezes erramos e levamos tempo para nos arrependermos? Quantas vezes conseguimos pedir desculpas? Quantas vezes conseguimos pedir ajuda em nome das nossas fraquezas?

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O homem é um ser atormentado constantemente por seus próprios atos, mas nem sempre firme o suficiente para controlá-los, porque a carne é fraca.

Pensamos que sabemos o que queremos, quem somos, para onde vamos, mas no fundo o que mais desejamos é sentir o coração em paz. Teoricamente, algo simples: pratico o bem, penso o bem, atraio o bem, deixo o mal passar e tudo estará resolvido. Entretanto, com quantas tentações criadas por nossa própria mente, sofremos? Raiva, egoísmo, orgulho, mentira, traição, soberba, medo, uma leva de maus sentimentos com o quais precisamos lutar dia a dia.

Entre tantas escolhas na vida, escolher nossos pensamentos seja talvez, a mais importante. Escolher talhar um pensamento ruim e cultivar um pensamento bom é uma escolha que guia nossos atos e nos transforma na pessoa que queremos ser.

Quando escolhemos o caminho ruim, o companheiro se torna a segunda pior vítima dessa bola de neve que é um pensamento destrutivo. Certamente a primeira maior vítima é o pensador, aquele quem cria ideias e fantasias destrutivas sobre si, sobre o seu relacionamento, sobre o mundo.

Estejamos atentos, caros leitores que desejam uma vida de amor: atenção para nossas próprias atitudes e ideias e para o comportamento do outro. Vou delinear um manual bem prático.

Imagine meu jovem, que numa bela noite sua namorada sai de casa para ir à padaria, e no trajeto ela é assaltada. Passado um tempo, ela não sente mais prazer em sair de casa, sobretudo após o por do sol. Está desanimada, triste, mas não fala sobre o que está sentindo.

Logo, você tem dois caminhos a escolher, o bom e o mau. Não se aflija, é fácil distingui-los: em um você vai se sentir melhor quando estiver caminhando, no outro, vai se sentir um monstro quando chegar ao fim. Mas para fazer tal distinção é preciso estar alerta.

No primeiro caminho, você começa imaginar coisas que talvez ela tenha feito, ou que você tenha feito e ela desaprovou, você imagina que ela não o ama mais, que é indiferente a você. No segundo trajeto, você a chama com carinho para conversar, tenta lembrar do que pode ter a levado àquele estado emocional – o que provavelmente foi o ocorrido traumático que ela foi submetida – e então, buscam uma ajuda juntos.

Estando atento, você vai perceber que andando pelo primeiro caminho, você não estaria dando atenção ao verdadeiro foco do problema, sua namorada. Uma atitude de puro egoísmo, com um pouco de carência, insegurança entre outros maus ingredientes.

Na maioria das vezes, uma pessoa com problema é como alguém que engoliu um osso de galinha. Ela está engasgada e não consegue falar, o outro ao invés de ajudar a puxar o osso, grita, pressiona, apavora até que ela sufoque sem conseguir dizer que apenas precisava de um tapinha nas costas.

 Portanto meu amigo, o manual prático para relacionamentos recomenda não ser egoísta. Olhe para o outro, o observe. Talvez ele mesmo não esteja se enxergando e você precise ser estes olhos. Lembre-se de pensar que o mundo não gira em torno do seu umbigo, mas que você pode ser alguém importante quando enfiar a mão na garganta do seu companheiro e tirar o que está travado ali dentro. E quem sabe o salvando, você não se torne o centro da vida dessa pessoa? Quem nunca desejou ter um clichê desse de amor?

O importante é escolher juntos, como será a caminhada. Mesm o que pareça meio ridículo.

O importante é escolher juntos, como será a caminhada. Mesmo que pareça meio ridículo.

Quando as situações osso-de-galinha aparecerem, não se apavore, não fuja, não tenha medo: escolha o caminho do bem. Nenhum caminho que lhe proporcione sentimentos ruins pode gerar coisas boas no final. Então faça por merecer, resista às tentações se deseja colher bons frutos no decorrer de sua caminhada.