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Poesia Para a Vida

Já comentei em outra ocasião como foi confuso meu estudo de poesia na escola. Passei anos aprendendo e no final sobraram alguns versos perdidos. Mas claro que alguma coisa sempre se destaca, e Mário Quintana foi um grande destaque para mim. De tudo que li, escrito por ele, este é meu poema preferido.

Indivisíveis

O meu primeiro amor

e eu sentávamos numa pedra

que havia num terreno baldio entre as nossas casas.

Falávamos de coisas bobas, isto é,

que a gente grande achava bobas.

Como qualquer troca de confidências

entre crianças de cinco anos. Crianças…

Parecia que entre um e outro

nem havia ainda separação de sexos,

a não ser o azul imenso dos olhos dela,

olhos que eu não encontrava em ninguém mais,

nem no cachorro e no gato da casa,

que apenas tinham a mesma fidelidade sem compromisso

e a mesma animal – ou celestial – inocência.

Porque o azul dos olhos dela tornava mais azul o céu.

Não importava as coisas bobas que disséssemos.

Éramos um desejo de estar perto, tão perto,

que não havia ali apenas duas encantadoras criaturas,

mas um único amor sentado sobre uma tosca pedra,

enquanto a gente grande passava, caçoava, ria-se,

não sabia que eles levariam procurando

uma coisa assim por toda a sua vida…

Mario Quintana

Aprendendo poesia na escola

Dos livros que tive antes da leitura me pegar de jeito, o livro de português do Ensino Médio é o que eu tenho mais saudade. Eram bem uns 3 quilos me acompanhando durante aqueles anos de luta para por fim, entrar na faculdade.

Passava horas relendo seus poemas ao invés de “estudar”.

Minha professora nesta época era uma mulher incrível – Aparecida Bonatto o nome dela – fez com que eu e outros tantos meninos perdidos apreciassem poesia e prosa. Nesta ordem.

Este livro que eu só conheço pela capa, marcou definitivamente meu conhecimento sobre a poesia na literatura portuguesa.  Para cada acontecimento que vivencio até hoje, um fio da meada desse livro é puxado e lá estão os principais versos da história da nossa língua.

No auge da adolescência, pior que estudar História Antiga e História Moderna ao mesmo tempo, era entender as fases da literatura com tantos nomes e datas. Por consequência, tenho em minha mente um único poema que marca até hoje meus 16 anos e resume como eu e muitos jovens estudantes entendem as escolas literárias:

meu poema preferido

 

Por Patrícia Bedin