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O Outro Lado da Vida

SYLVIA BROWNE, Sextante, 2008.

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Nesta minha onda de ler livros espiritualistas, este é mais um que chegou até a minha de bom grado. Os escritores americanos que falam sobre assuntos espirituais, em geral, falam muito deles mesmos, do que vêem, se seus “clientes”, suas experiências, mas ao contrário dos outros os quais eu já relatei*, este me despertou mais desconfianças do que o aceitável.

Mediunidade

Em vários momentos, a autora  é tão precisa quanto às suas visões que parece impossível  as coisas se mostrarem tão claramente. O que me leva a duas hipóteses: ou ela é uma médium muito muito foda mesmo, ou uma charlatã, porque por exemplo, ao comparar esta obra com os livros de Allan Kardec, estes, apesar ter respostas precisas para todas as perguntas, sempre deixam em aberto a análise das situações, ao contrário da obra em questão.

Sylvia conta que seu espírito guia, é o espírito de uma mulher que viveu no império Inca. Espírito que aparentemente, não tem nada a ver suas ligações emocionais ou familiares. Alguém muito distante. Este espírito fez muitas revelações à Sylvia, contando por exemplo, que ela está em sua 54ª encarnação e a última. Sabe também, que sua neta é a reencarnação de sua avó e que também é médium.

Segundo a doutrina espírita, nós nos esquecemos de quem fomos em vidas passadas porque não é relevante para o momento atual, uma vez que, os aprendizados já passamos, ficam gravados no espírito, além de sermos muito frágeis para carregar toda a culpa dos erros que já cometemos.

Mas para a autora, o contato com o outro lado, é um dom que todos podemos trabalhar para saber quem fomos em outra vida. Assim, ela incentiva o desenvolvimento da mediunidade para descobrir coisas irrelevantes, uma vez que se o fossem,  não demandaria tanto esforço para descobrir.

Plano de Encarnação

Sylvia ensina que nosso plano de encarnação é bem específico, contendo um tema primário e um secundário escolhidos dentro de 44 temas existentes, para que tais qualidades sejam desenvolvidas durante a vida estando relacionadas com nosso ambiente familiar, social, profissional. Entre eles alguns exemplos são: liderança, passividade, mediunidade, emotividade, temperança, paciência, busca estética.

É uma questão interessante, porque ao ler este capítulo consegui me identificar com alguns temas e lembrar de pessoas que se identificam com outros de forma tão profunda que é possível, que já tenhamos todos, decidido isto antes de chegar nesta vida.

Existe gente sem conserto

O livro fala de três tipos de entidade: negras, cinzentas e brancas. Estas últimas, claro, são seres celestiais – anjos, querubins, etc. As cinzentas são em geral pessoas comuns, com um pouco de maldade e bondade, e as negras, são aquelas sem conserto, com as quais não devemos gastar tempo e energia para tentar ajudar. A autora exemplifica ainda que sua mãe era uma entidade negra.

Realmente, acredito que existem pessoas que devemos nos afastar porque suas presenças nos fazem mal. Mas devemos aceitar que esta reação é relativa. Uma pessoa pode parecer uma “entidade negra” para mim, mas ter uma relação amigável com outra pessoa. E o mais importante, muitas vezes estas pessoas de energia pesada, não estão focadas em praticar o mal para alguém, seu problema é que não conseguem desenvolver o  bem dentro de si, então, se for aberto precedente para que ninguém a ajude a ser melhor, como ficamos? Estagnados? Não parece óbvio que desenvolver nosso lado egoísta, orgulhoso, invejoso é mais fácil do que desenvolver o lado compreensivo, paciente, generoso?

Para comprovar que este precedente, já ouvi de outras pessoas legais que leram o livro que no momento em que leram este trecho já identificaram as “entidades negras” em sua vida. Então, se eu aceito que existem pessoas sem conserto, aceito que vamos evoluir e sermos pessoas melhores, mas que alguns podem ficar para trás. Fodam-se eles.

Por fim, mas não menos chocante, a autora também não acredita em perdão e não o incentiva porque acha algo muito grande para nós pobres mortais. “Não vou perdoar ninguém porque não sou obrigado!” – é como soa sua colocação.

IMPRESSÕES

Muito incentivo ao que ela chama de “autodesenvolvimento” e pouco preocupação com o todo. Nada de ajudar as “entidades negras” a se tornarem “entidades cinzentas”, nada de perdoar faltas graves, porque isso é coisa pra Deus. Para mim, não é útil  falar em espiritualidade ou religiosidade se a abordagem não for coletiva.

A autora quer ajudar a desenvolver a mediunidade com meditações no estilo “Agora… imagine… você uma sala grande… com paredes verdes……….imagine você numa bolha de luz….” É bom para relaxamento, mas para ver “o outro lado”? Será?

Tenho a impressão de que a Sylvia Browne fala um monte de coisas que agradam pessoas que não estão a fim de fazer um esforcinho para se tornarem melhores mas que gostam de massagear o próprio ego e assim, ela ganha um monte de seguidores, porque gente acomodada no mundo, não falta.

por Patrícia Bedin

*Tão Longe de Casa – A vida após a morte e Conversando com os Espíritos 

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TÃO LONGE DE CASA – A Vida Após a Morte

DANNION E KATHRYN BRINKLEY, Larousse do Brasil, 2008.

tao longe de casa

Dannion narra este livro em primeira pessoa (apesar de ter sido escrito por duas pessoas, o que me deixou um pouco confusa) contando sobre suas três experiências de quase morte – EQM.

Na primeira EQM, Dannion foi atingido por um raio através da linha telefônica. Seu corpo foi queimado internamente e mesmo após ter sido socorrido, ficou 28 minutos morto. Neste tempo, visitou algum lugar no mundo espiritual que ele chama de “Cidade de Cristal”. Anos depois o fato se repetiu mais duas vezes. Em todas as situações, o autor foi recebido por espíritos que o guiaram e lhe mostraram como são as coisas do lado de lá. Também deram a ele uma missão para que desenvolvesse na Terra.

Uma das principais lições deste livro, é que nossa verdadeira casa é lá, no mundo espiritual, e por isso, faz-se a referência deste aprendizado desde o titulo, dizendo que estamos longe de casa.

Segundo o autor, somos seres espirituais que viemos como guerreiros para  a vida terrena afim de desenvolver uma missão pessoal e/ou social, e que por isso, por nos colocarmos humildemente numa posição inferior a qual estávamos habituados lá em cima, somos muito admirados pelos que de lá nos observam.

A última parte do livro intitulada “Sete Lições do Céu”, me prendeu muito. Nada além de “lições para viver melhor” mas que costumamos esquecer no dia a dia. Na lição cinco – a que mais me chamou a anteção –  Dannion fala sobre como é importante viver o presente. Amar hoje. Fazer a diferença na vida de alguém hoje. Relaxar hoje, orar hoje e acreditar que tudo seguirá seu rumo. E o mais importante, qie para alcançar este objetivo é preciso renunciar aos sentimentos e pensamentos ruins. “Renunciar”, isso mesmo. Abrir mão, jogar fora nossa parte ruim. Renunciar ao medo de viver e a tudo que nos atrapalhada de sermos pessoas melhores porque isto  também é uma escolha. Escolhemos mesmo que inconscientemente, ter nossa porção má, acreditando que para o bom existir é preciso existir o mau, o que é um grande equívoco.

Impressões

A história do autor é muito bonita – cara machão-brutão que passa por um momento difícil e tem sua vida transformada. Não uma, mas três vezes!

Dannion fala dele mesmo com muito drama “ó como sofri, como doia, como eu quase morri três vezes, foi tão difícil! Mas eu consegui superar e agora sou um cara foda”. Isso me incomodou no começo mas acredito que seja por conta da cultura brasileira que descredita os que se utilizam da própria história como exemplo. No Brasil geralmente, quando o cara é muito bom em alguma coisa, precisa ser também, muito humilde. Não pode “se vangloriar”. Percebi que é o terceiro autor americano que leio neste ano e que se comporta de maneira parecida. Precisamos aprender com eles.

Sem críticas maldosas a fazer, só posso dizer que acredito em 90% do que ele conta que existe do outro lado, além disso, as lições que ele trouxe de lá e que transcreve para compartilhar são extremamente importantes para uma vida amorosa e feliz. O livro é muito bonito e cheio de pequenas reflexões daquelas que dão vontade da gente escrever num post-it e pregar na parede do quarto, para se lembrar todos os dias ao acordar e antes de dormir.