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Mais um Feliz Ano do Livro

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Se este blog fosse uma criança, ele já estaria saindo das fraldas. Ao pensar que a dois anos atrás ele era apenas uma ideia vaga e agora ele já está se tornando um rapazinho, me sinto uma mãe orgulhosa observando este progresso, porque como dizem, um filho muda a vida da pessoa.

Quando iniciei o projeto de ler um livro por mês, percebi com rapidez quantas coisas novas eu poderia conhecer profundamente,  quantas assuntos conseguia refletir, por quantos novos pontos de vista eu poderia observar fazendo apenas isto: lendo – entrando na mente de personagens loucos ou “ouvindo” autores com ideias novas.  Percebi que havia tanta coisa legal a ser compartilhada que eu não poderia simplesmente ler, eu precisava anotar, retomar e compartilhar todas as ideias que me surgiam enquanto eu lia.

Eu me apeguei a ideia de me apegar às ideias. E assim fiz: criei aqui um memorial para cada livro, cada insight, cada impressão que sentia.

Acredito que obtive sucesso na minha intenção inicial e portanto, 12 Meses de Leitura é sim, um filho que mudou minha vida.

Desde o ano passado, não li muitos livros. Foram nove no total. Não bati minha meta e confesso que por várias vezes pensei em ler uns livros de poesia ou de história da moda, desses que contém bastante imagem para tentar ludibriar meus milhares de leitores, mas desisti porque no fim das contas eu saberia que estaria enganando apenas a mim.

As Pessoas estão cheias de opinião

Durante o último ano, me rendi a frequentar intensamente o Facebook, principalmente para ler artigos das páginas de noticia que sigo. Sobretudo por influência das manifestações de junho de 2013, venho me tornando cada vez mais uma pessoa indignada com as injustiças do mundo, e a cada nova indignação nascem outras novos questionamentos e é assim que meus pensamentos crescem em progressões geométricas que me levam a ter dores de cabeça intensas com muita frequência.

Mas enquanto eu leio assuntos do meu interesse, percebo que outros leem assuntos dos seus ou ainda o que é mais comum, compartilham frases feitas de pessoas que não sabem quem são ou o que significam ou ainda, se são verdadeiras. Porque aparentemente, o mais importante hoje em dia, é ter uma opinião formada sobre tudo.

Esta é uma situação boa e ruim: somos obrigados a conhecer a opinião de muita gente e admitir que a massa é indissolúvel. Um grão diferente na massa é um corpo estranho.

Enquanto eu contava e recontava os livros que li neste último ano para ver se passava de nove para 12ou 15 – sem sucesso – cheguei a conclusão: é preciso ler mais livros para continuar sendo uma boa metamorfose ambulante.

Preservem a Indignação

Tenho muitas boas desculpas para ter lido 9 livros em 12 meses uma delas é que li muitos trechos de muitos livros enquanto estudava e me preparava para lecionare por isso, Li muitos livros técnicos desses que não se lê tudo de uma vez. Mas sou virginiana demais para acreditar nessa bobagem.

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Apesar de viver feliz só de estar numa casa cada vez mais cheia de livros, onde sinto que a qualquer hora eles dirão “meus senhores, for favor, se retirem que este quarto é nosso, não há mais espaço para vocês aqui” minha única resolução para este novo ano de leitura que se inicia, é que preciso ler mais livros inteiros, escrever mais sobre eles e preservar a indignação com as coisas que a leitura me trás, e prometer para mim mesma que no ano que vem, posso voltar até aqui e escrever para o terceiro aniversário, um texto muito melhor que este.

Patrícia Bedin

O Que Aprendi Com 12 Meses de Leitura

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Hoje é Dia do Livro e dia do primeiro aniversário do 12 Meses de Leitura. Um ano se passou e que ano! Quantas coisas aconteceram, tantas mudanças dentro e fora de mim.  Estou aqui para comemorar afinal, os livros foram grande parte das mudanças boas. Apesar de não ter lido tantos quando gostaria, cada um teve sua importância e principalmente, falar sobre eles aqui no Blog me fez despertar também para a escrita, coisa que hoje me realiza como nunca antes na história desta vida.

Comecei o primeiro livro, o Visagismo Integrado, no dia 19 de fevereiro de 2012. Era domingo de carnaval e fui ao shopping almoçar. Havia proposto a mim mesma, ler pelo menos um livro por mês, daqueles que eu tenho a muito tempo, mas acabei comprando outros já que eu estava por ali. Foi assim que comecei. Logo, esta parte do acordo eu não cumpri. Dos livros que eu já tinha, somente um eu li por completo, o Empreendedorismo na Veia. Valeu tanto a pena que acabei dando para uma pessoa que certamente vai aproveitar mais do que eu, alguém mais empreendedor. Mas continuo carregando os outros comigo, uma hora eles devem se encaixar com o momento da minha vida.

No total foram 15, pouco mais do que a média proposta. Apesar de ser menos do que eu almejava, já estou bem feliz com o resultado. Dentre eles o que mais me marcou foi o Ensaio sobre a Cegueira. Se quiser entender porque é só ler o texto.

O que devo ler?

Esta foi uma das coisas que aprendi. É muito importante escolher um livro compatível com o momento pessoal, às vezes uma simples distração, uma lição de moral ou um pouco de fantasia é o que precisamos. Em outros momentos podemos precisar de orientação, de instrução, de conhecimento palpável.

Se fizermos uma boa escolha, podemos encontrar muitas respostas, no caso contrário, nos perdermos um pouco mais. Hoje só acredito que seja realmente seguro ler “qualquer coisa” se estiver com o coração muito tranquilo. Esta pode ser uma visão muito pessoal, mas uma das coisas que aprendi neste ano, é que sou uma pessoa altamente influenciável por energias ruins, então, sempre vou procurar fugir delas.

Pessoas que leem podem ser mais inteligentes

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Algumas pessoas me procuram para se aconselhar, para que exponha minha opinião sobre qualquer assunto, para emprestar livros. Elas me acham inteligente porque sabem que tenho o hábito de ler. Claro que esta mudança me felicita, mas entendi que quanto mais eu leio, mais percebo que sei muito pouco.

Acredito que só a iniciativa de ler um livro, seja qual for o fim – aprender a técnica, para o autoaperfeiçoamento, ou mesmo para a melhora de sua ortografia – é a vida se mostrando em movimento, mostrando que sempre é possível melhorar. Desta forma, a leitura exercitando o cérebro, releva ao leitor sua capacidade de usar a inteligência.

Mas por outro lado, neste ano, me deparei com muitas pessoas se apoiando na máxima de que “pessoas que leem são mais inteligentes” para justificar sua imposição de ideias, sua verdade absoluta, sua arrogância com pessoas menos instruídas, e conclui que ler pode tornar alguém detentor de maior quantidade de informações, mas não dá sabedoria instantânea.

Li recentemente no blog Sobre a Vida, um texto da Juliana Baron Pinheiro onde ela fala sobre pessoas que se gabam de ler tanto que leem até rótulo de xampu. Ela conclui dizendo: “Adquirir o hábito da leitura é uma dádiva, mas não filtrar e escolher aquilo que você lê é perda de propósito”. Concordo plenamente. Acho qu ler sem conseguir extrair algo de bom daquilo é muito triste.

Sei que nem todos querem ser sábios, mas para mim não há sentido em ser inteligente, em deter conhecimento, se não consigo usá-lo para me sentir melhor, viver melhor, compartilhar e ajudar outras pessoas.

Certa vez estava eu na livraria, quando vejo a filha de uns 12 anos dizer ao pai que queria comprar “O Hobbit” e ele responde: “que horror, que livro é esse? Tem que ler esse aqui ó, esse que é bom, eu já li” enquanto apontava para “A Cabana”. Nada contra a Cabana – inclusive está na lista daqueles que vou ler um dia – mas deixar a filha escolher seus próprios livros seria uma atitude mais sábia do que impor sua opinião.

Entretanto na via oposta, só descobri que algumas pessoas cultivam a leitura por elas terem me procurado. Sabendo do meu projeto ou vendo livros espalhados pelo quarto, vieram me contar das coisas que leram, o que aprenderam, o que sentiram, o que gostam de ler e finalmente, encontraram um ouvido que as ouvisse, alguém para compartilhar. Pessoas que descobriram ou estão descobrindo o quanto a leitura pode ser uma boa companheira, sem julgamentos, sem pré-disposições… Poucas coisas são mais gratificantes que presenciar isto.

Livros de autoajuda podem ajudar pessoas

Em alguns grupinhos de pessoas que leem, há também muita discriminação como nos grupos de estilos musicais. Os roqueiros que odeiam os pagodeiros, que odeiam os sertanejos que odeiam os funkeiros… Nos livros isto também acontece, apesar de eu acreditar que não deveria. Mas existe um deles que é o mais prejudicado. O livro de autoajuda que é tido como “livro para gente fraca que não sabe o que fazer com a própria vida”. Então eu pergunto: quem sabe?

Perante a sociedade é feio assumir as dificuldade pelas quais passamos, é melhor fingir ser bom do que revelar as fraquezas. Pessoas que buscam um livro desta categoria, estão apenas tentando achar um rumo, viverem mais feliz. Há algo de errado nisto?

Temos coisas a aprender com pessoas que não leem

As coisas belas da vida não estão só nos livros. Existem outros veículos. Muitas vezes, a nossa observação é capaz de captar e processar coisas incríveis vinda de onde pouco esperávamos.

E tem gente que vive assim. Sem ler ou assistir jornais, tevê, sem seguir o G1 no twitter, sem ver um filme Cult, sem ir ao cinema, sem ler livros. Mas independente desta falta de interesse delas por informação ou instrução, muitas conseguem nos dar exemplo, através das atitudes, de como aproveitar as coisas simples e boas que a vida oferece. Só com o amor que exalam, conseguem influenciar nossas ações e mostrar que existem visões diferentes para tudo. Encontrei e tive a sorte de conviver neste último ano, com muitas pessoas que levam a vida assim. O que sinto e aprendo observando essas pessoas é algo como:

“Se quer fazer faça, se quer amar ame, se quer mudar mude, você é livre e pode tudo, contanto que não prejudique ninguém.”

 Porque feliz aquele que não precisa de livros para descobrir tais ensinamentos.

Deixar a vida fluir

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Mesmo que a vida seja feita de mudanças constantes, acredito que coisas boas podem ficar, isto é uma escolha. Escolhi que os livros devem ficar e se por acaso eu estiver lendo menos do que gostaria, que eu esteja usando este tempo para escrever.

Quando estou triste eles me distraem, quando estou ansiosa me dão respostas, quando sinto dor me dão consolo, quando estou feliz, felicitam-se comigo. Estes pequenos amontoados de papéis são ótima companhia e sou feliz por tê-los.

Por fim, aos leitores do que escrevo, só tenho a agradecer. Aos que passaram por aqui, muitas ou poucas vezes, palpitaram, divulgaram.  Apesar de poucos, cada reconhecimento é um estimulo a seguir em frente portanto, continuarei lendo e escrevendo pois tenho muito a aprender para compartilhar.

Obrigada!

Patrícia Bedin