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As Intermitências da Morte

JOSÉ SARAMAGO, Companhia das Letras, 2005.

"Não há nada no mundo mais nú que um esqueleto"

Desde que conheci José Saramago, venho estocando seus livros porque afinal, não são fáceis de encontrá-los em promoção. Quando comecei a trabalhar na Universidade e encontrei “As intermitências da Morte” decidi que ele deveria passar à frente dos outros afinal, meu contrário era temporário e a biblioteca, grátis. Foi assim que o levei comigo durante minhas primeiras férias. Um livro pequeno, porém denso, como os outros. Já havia escutado muitas boas recomendações então, era sucesso certeiro.

“No dia seguinte ninguém morreu”. É o pontapé inicial para o leitor simplesmente querer entender os porquês e definitivamente, leva algum tempo para aceitar que é possível, que os porquês não sejam importantes.

O livro é dividido em duas partes, na primeira o autor narra as implicações de que, em um país inteiro, ninguém mais pode fazer a passagem. A situação toma forma de caos e há os desdobramentos políticos de um fato como este. Há também o meu entrelaçamento de preguiça e procrastinação que me fez levar dois meses e duas viagens para chegar ao fim desta parte porque talvez, eu não estivesse realmente interessada em pensar profundamente sobre as relações políticas.

Então chegou a segunda parte, onde conheci a Morte, aquela com M maiúsculo, da foice e do manto preto, que resolve voltar ao trabalho da forma mais irônica e inimaginável. Foi por esta Morte que, a leitura de um livro arrastada por sessenta dias acabou em prantos em poucas horas.

Impressões


“não há nada no mundo mais nú que um esqueleto”

Cada final de livro emocionante é um ou mais dias de reflexão e muitas vezes, tristeza. Outras vezes, satisfação. Este me rendeu um fim de semana tentando materializar com tinta e papel minha própria ideia desta que muito se fala, e pouco se sabe. Como elogio ganhei uma promessa de que, sem metáforas, minha Morte seria tatuada.

Obrigada Saramago, obrigada Elen, Obrigada Morte.

*por Patrícia Bedin.

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