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Visagismo integrado: identidade, estilo e beleza

PHILIP HALLAWELL, Senac SP, 2009

Quando encontrei este livro, imaginei que ele fosse um manual tabelado sobre “o que combina com quem”. Mas como era um daqueles livros que vem embalado tive que pagar pra ver. O autor, Philip Hallawell é artista plástico e estudioso da área de linguagem visual a aproximadamente 30 anos, o que deu a ele bagagem para montar um material com tanta qualidade de informações me levando a reflexões sobre a beleza, moda e comportamento.

Na prática, vai me ajudar muito nos trabalhos de ilustração e consultoria de moda por ter me aberto a visão aos diversos traços possíveis da figura humana. Mas se eu tivesse que resumir em poucas palavras eu diria apenas que é livro para ser estudado.

O que é Visagismo?

Visagismo é uma técnica utilizada por profissionais relacionados a estética, beleza e estilo, para ajudar seus clientes a transmitir através da imagem pessoal, seus traços psicológicos. Auxilia de cabeleireiros a cirurgiões plásticos (altamente multidisciplinar).

Sabe quando você acaba de conhecer aquela pessoa com uma aparência muito séria e que você só entende o quanto ela é extrovertida, depois da décima piada? O visagista corrige essa incoerência aplicando em seu cliente o melhor estilo de cabelo, formato de rosto ou maquiagem que demonstra quem ele é de verdade. Um verdadeiro trabalho de programação visual. O autor chama este processo de arte, mas eu prefiro classificar o visagista como um designer de imagem.

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Passo a passo

Para entender melhor, imagine um salão de beleza que trabalha com o conceito do visagismo. O cabeleireiro (acredito que a maioria dos profissionais adeptos sejam desta área) recebe o cliente e sua primeira pergunta é “que imagem você quer passar?”. Visto que muitas vezes estas mudanças na aparência são reflexo de outras áreas da vida, o cliente vai contar como está se sentindo, onde está trabalhando, quais suas inseguranças com relação ao visual e, a partir destas informações ambos criarão um objetivo. Passar uma imagem mais séria, mais descontraída, mais segura, mas jovem, mais velha (sim, isso pode ser um objetivo) mais alegre, mais moderninha.

A partir desta situação o cabeleireiro vai definir um corte apropriado e uma cor apropriada. Parece simples, mas o conhecimento necessário para executar as combinações é bem complexo.

Análise das características

Hallawell faz afirmações sobre a relação entre os traços físicos e o temperamento de uma pessoa, que certamente geraria uma guerra de divergências em qualquer grupo de psicólogos. Ele analisa temperamentos, formato de rosto, corpo e tons de pele e explica como essas características estão relacionadas. A quantidade de variações foi o que me surpreendeu: somente tons de pele são 10.

É difícil, mas devemos admitir: todo mundo julga a partir das aparências.

É da natureza humana uma vez que toda imagem nos causa um efeito emocional, mesmo que essa emoção seja a indiferença. E a partir destes signos sociais que usamos consciente ou inconscientemente para imaginar o que o outro é, o visagista vai usar para montar a imagem. Se buscarmos exemplos destes signos alguns são bem óbvios e estereotipados como a executiva que corta o cabelo reto e usa saia lápis, o lutador que raspa a cabeça e anda com cara de mau, o caminhoneiro barrigudo que usa regata e havaianas, as garotas novinhas que usam óculos e ficam com cara de “professorinha”. O autor José Saramago em O Evangelho Segundo Jesus Cristo, descreve bem o que é ser loura quando fala de Maria Madalena, a prostituta:

“Não pretendemos afirmar que Maria Madalena tivesse sido, de facto, loura, apenas nos estamos conformando com a corrente de opinião maioritária que insiste em ver nas louras, tanto as de natureza como as de tinta, os mais eficazes instrumentos de pecado e perdição”.

 Vejamos um exemplo prático:

Morena normal X Loura devassa

Em resumo: o Hallaewell dá as informações para que o profissional as trabalhe e criem em seus clientes imagens personalizadas.

Em alguns momentos da leitura, principalmente na Análise de Temperamento, é fácil identificar padrões como daquela sua tia avó quem é meio corcunda e fala enrolado, aquele seu amigo narigudo que é feio, mas pega todas na balada.

Os padrões são criados pelo autor são bem pontuais, mas quando cruzamos as informações, podemos ver que o resultado dependerá muito do desejo do cliente e da habilidade do profissional.

A equação é simples: 9 formatos de rosto X 10 tons de pele vezes X 4 temperamentos X estilos de vida X profissão = Uma infinitas possibilidades. 

*Quem se interessar por mais exemplos “antes e depois” encontrei o site deste salão onde o visagismo é trabalhado.

Impressões

O ponto forte do livro são as informações técnicas muito bem formuladas e conteúdo 100% aplicável para profissionais de beleza e moda, principalmente cabeleireiros, maquiadores e consultores de estilo (nesta ordem de importância).

Por outro lado o ponto fraco é o texto: Redundante e pouco fluido. Em muitos momentos tive vontade de desistir e fui passando os olhos porque começava a repetir demais os conceitos. E aí demora a chegar à parte mais interessante (análises e aplicabilidade).

Por Patrícia Bedin

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