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Visagismo e os tipos de beleza

Enquanto lia o “Visagismo Integrado – identidade, estilo e beleza” tive muitos momentos “como não pensei nisso antes?”. Já estudei muito a história da moda mas esqueci de aplicar algumas constantes no meu próprio tempo.

Principalmente falando em século XX, é muito fácil visualizar as mudanças de padrão de beleza de uma década para a outra, sempre lembrando que, a beleza de cada nova década era oposta às principais características da década anterior.

Este padrão de mudanças era principalmente para as mulheres, uma verdadeira loteria: se ela nasceu bochechuda na década de 30, aos 20 anos será linda para os padrões da década de 50. Agora se ela nasceu 10 anos mais tarde, seria fofinha demais para os anos 60.

Segundo o autor do livro, o padrão atual é um formato de rosto hexagonal, porque pessoas com esse traço tendem a ser mais extrovertidas e comunicativas, portanto mais fácil de alcançarem o sucesso na mídia. Então seguindo o padrão do século XX, quem não nasceu assim, vai ter que nascer de novo se quiser fazer sucesso, certo?

Mais ou menos. Não precisa ser tão radical assim. Existe um recurso chamado cirurgia plástica, que me faz ficar na dúvida: Quem veio primeiro ao mundo, ela ou o rosto hexagonal? Então se a atriz é boa, a cantora é talentosa, mas são bochechudas? Cirurgia nelas.

Quando esta ficha caiu, Corri para o Google e busquei por “bioplastia fácil”, “celebridades antes e depois” entre outros termos que os sites de fofoca adoram, e tudo me pareceu óbvio. Quer ser uma super estrela? Vamos dar uma contornada no seu rosto e afinar seu nariz. E de repente está tudo mundo igual.

tudo igual

Aqueles traços peculiares, aqueles defeitinhos charmosos vão sendo apagados até criarem um padrão de beleza que é ótimo para deixar as mulheres deprimidas já que nunca vão ser tão lindas quanto a Angelina Jolie. Claro que isso é também um problema das pessoas que se deixam levar por este padrão, mas aí já é uma outra conversa.

Uma das imagens que me chocou foi Pamela Anderson tão bonita e delicada naturalmente, transformada em ultra sexy e marcante. Agora parece mais a avó da Barbie. Precisava mesmo?

ANTES X DEPOIS

Por estes motivos que a Drew Berrymore com seu rosto arredondado é tão gracinha! Mas não é considerada um símbolo sexual. 

[“_sua beleza é ótima querida. Para os anos 40”.

E apesar dessa verdade, tem gente que ainda critica a Juliana Paes porque foi comemorar o aniversário sem maquiagem. Será que é ela mesma quem está errada? Ou seria hora de revermos nossos conceitos de beleza? 

Por Patrícia Bedin

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Visagismo integrado: identidade, estilo e beleza

PHILIP HALLAWELL, Senac SP, 2009

Quando encontrei este livro, imaginei que ele fosse um manual tabelado sobre “o que combina com quem”. Mas como era um daqueles livros que vem embalado tive que pagar pra ver. O autor, Philip Hallawell é artista plástico e estudioso da área de linguagem visual a aproximadamente 30 anos, o que deu a ele bagagem para montar um material com tanta qualidade de informações me levando a reflexões sobre a beleza, moda e comportamento.

Na prática, vai me ajudar muito nos trabalhos de ilustração e consultoria de moda por ter me aberto a visão aos diversos traços possíveis da figura humana. Mas se eu tivesse que resumir em poucas palavras eu diria apenas que é livro para ser estudado.

O que é Visagismo?

Visagismo é uma técnica utilizada por profissionais relacionados a estética, beleza e estilo, para ajudar seus clientes a transmitir através da imagem pessoal, seus traços psicológicos. Auxilia de cabeleireiros a cirurgiões plásticos (altamente multidisciplinar).

Sabe quando você acaba de conhecer aquela pessoa com uma aparência muito séria e que você só entende o quanto ela é extrovertida, depois da décima piada? O visagista corrige essa incoerência aplicando em seu cliente o melhor estilo de cabelo, formato de rosto ou maquiagem que demonstra quem ele é de verdade. Um verdadeiro trabalho de programação visual. O autor chama este processo de arte, mas eu prefiro classificar o visagista como um designer de imagem.

Elvira, a rainha das trevas. Ela realmente é má?

Passo a passo

Para entender melhor, imagine um salão de beleza que trabalha com o conceito do visagismo. O cabeleireiro (acredito que a maioria dos profissionais adeptos sejam desta área) recebe o cliente e sua primeira pergunta é “que imagem você quer passar?”. Visto que muitas vezes estas mudanças na aparência são reflexo de outras áreas da vida, o cliente vai contar como está se sentindo, onde está trabalhando, quais suas inseguranças com relação ao visual e, a partir destas informações ambos criarão um objetivo. Passar uma imagem mais séria, mais descontraída, mais segura, mas jovem, mais velha (sim, isso pode ser um objetivo) mais alegre, mais moderninha.

A partir desta situação o cabeleireiro vai definir um corte apropriado e uma cor apropriada. Parece simples, mas o conhecimento necessário para executar as combinações é bem complexo.

Análise das características

Hallawell faz afirmações sobre a relação entre os traços físicos e o temperamento de uma pessoa, que certamente geraria uma guerra de divergências em qualquer grupo de psicólogos. Ele analisa temperamentos, formato de rosto, corpo e tons de pele e explica como essas características estão relacionadas. A quantidade de variações foi o que me surpreendeu: somente tons de pele são 10.

É difícil, mas devemos admitir: todo mundo julga a partir das aparências.

É da natureza humana uma vez que toda imagem nos causa um efeito emocional, mesmo que essa emoção seja a indiferença. E a partir destes signos sociais que usamos consciente ou inconscientemente para imaginar o que o outro é, o visagista vai usar para montar a imagem. Se buscarmos exemplos destes signos alguns são bem óbvios e estereotipados como a executiva que corta o cabelo reto e usa saia lápis, o lutador que raspa a cabeça e anda com cara de mau, o caminhoneiro barrigudo que usa regata e havaianas, as garotas novinhas que usam óculos e ficam com cara de “professorinha”. O autor José Saramago em O Evangelho Segundo Jesus Cristo, descreve bem o que é ser loura quando fala de Maria Madalena, a prostituta:

“Não pretendemos afirmar que Maria Madalena tivesse sido, de facto, loura, apenas nos estamos conformando com a corrente de opinião maioritária que insiste em ver nas louras, tanto as de natureza como as de tinta, os mais eficazes instrumentos de pecado e perdição”.

 Vejamos um exemplo prático:

Morena normal X Loura devassa

Em resumo: o Hallaewell dá as informações para que o profissional as trabalhe e criem em seus clientes imagens personalizadas.

Em alguns momentos da leitura, principalmente na Análise de Temperamento, é fácil identificar padrões como daquela sua tia avó quem é meio corcunda e fala enrolado, aquele seu amigo narigudo que é feio, mas pega todas na balada.

Os padrões são criados pelo autor são bem pontuais, mas quando cruzamos as informações, podemos ver que o resultado dependerá muito do desejo do cliente e da habilidade do profissional.

A equação é simples: 9 formatos de rosto X 10 tons de pele vezes X 4 temperamentos X estilos de vida X profissão = Uma infinitas possibilidades. 

*Quem se interessar por mais exemplos “antes e depois” encontrei o site deste salão onde o visagismo é trabalhado.

Impressões

O ponto forte do livro são as informações técnicas muito bem formuladas e conteúdo 100% aplicável para profissionais de beleza e moda, principalmente cabeleireiros, maquiadores e consultores de estilo (nesta ordem de importância).

Por outro lado o ponto fraco é o texto: Redundante e pouco fluido. Em muitos momentos tive vontade de desistir e fui passando os olhos porque começava a repetir demais os conceitos. E aí demora a chegar à parte mais interessante (análises e aplicabilidade).

Por Patrícia Bedin