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Lições de Amor em 10 Clichês – 10ª Lição: Águas Passadas Não Movem Moinhos

*Este texto é parte da série “Lições de Amor em 10 Clichês” Clique aqui para conhecer

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Das poucas certezas que tive na infâncias, todas diziam respeito ao futuro. Eu acreditava que quando adulta, todas minhas dúvidas estariam sanadas pois para mim, os adultos não tinham aflições, sabiam todas as coisas.

A pouco tempo desisti de esperar por este dia e aceitei que  nunca serei aquela adulta que imaginei quando criança.  Aos 18, nada aconteceu. aos 20, também não. Aos 28 em vez de constatar que estou cada vez mais rica, feliz e sábia,  me sinto frequentemente como aquela menina de 8 anos, feliz porque ganhou um lápis de cor novo, e triste porque não sabe a melhor maneira de usá-lo.

Somos criados para vencer mas esquecemos de nos preparar para as derrotas. Quando percebemos, somos pegos na queda da montanha russa fechando os olhos para não ver a merda. Estamos diante de impasses com maior freqüência do que gostaríamos.

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E ao final destes impasses, nos encontramos em momentos que ficamos de mão atadas, só nos resta sentar e chorar. E não é proibido, faça-o. Esgote até a ultima lágrima para que nenhuma dor seja introjetada. Deixe a dor sair.

É aqui que começa a  última lição. Podemos chorar e gritar mas para sobrevivermos a esta montanha russa, precisamos saber recomeçar. Quando somos preparados só para vencer, não desenvolvemos resiliência, capacidade de superar problemas.

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Um fim de relacionamento é como voltar de um sonho bom – ou ruim – ou como apagar um personagem de uma história que durou anos, ou ainda, como voltar de um universo paralelo onde uma parte de você não existe mais, diariamente. Os amigos, a família, o convívio, os lugares, está tudo pela metade. Tudo foi mutilado.  Mas quando temos resiliência, podemos ver a vida a partir deste momento, como uma casa nova recém-mobiliada. É tudo diferente, mas é novo e bonito. É a oportunidade mais oportuna possível: a de fazer melhor.

A primeira oportunidade está em mudar alguns valores sociais que acumulamos e que nos torna escravos do olhar alheio, o primeiro deles, acreditar que somente com um relacionamento a vida tem sucesso, como se a vida a só fosse um castigo, uma incompetência. Quando trabalhamos nossa autoestima, nossas qualidades, quando nossa vida é repleta de coisas que amamos, não precisamos de alguém para nos completar. Mas se “alguém” chegar, será convidado a somar e compartilhar.

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A segunda oportunidade é a de rever racionalmente nossos comportamentos destrutivos. Se você quer um novo relacionamento, é preciso se educar para não cometer os mesmos erros, os quais costumam estar pautados basicamente em orgulho e egoísmo. Pense em tudo que você e o outro fizeram de prejudicial para a convivência e o amor, qualquer que for a resposta, se emcaixará em um destes defeitos.

Assim, quando uma próxima pessoa chegar você já sabe o que fazer. Ela pode querer estar ao seu lado ou não. Você o mesmo. Você pode acreditar que estar sozinho pode ser melhor. Nem que seja por um tempo. Mas a certeza de que, se permanecer a dois haverá espaço infinito para voar e ninguém terá suas asas tolhidas, você sempre pode oferecer.

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Fundamental é voltar à vida pulsaste, com os valores e comportamentos renovados por que quem sabe, este novo relacionamento pode ser até com a pessoa antiga?!  Quando nos esforçamos para deixar as falhas no passado, nos redescobrimos como pessoas melhores e nos abrimos para enxergar o melhor em nós, no mundo e no outro. Ou, resumindo em Guimarães Rosa, viver é um rasgar-se e remedar-se.

 

Por Patrícia Bedin. 

 

 

Lições de Amor em 10 Clichês – 8ª Lição: A Carne é Fraca

*Este texto é parte da série “Lições de Amor em 10 Clichês”. Clique aqui para conhecer.

Quantas vezes erramos e nos arrependemos no momento seguinte? Quantas vezes erramos e levamos tempo para nos arrependermos? Quantas vezes conseguimos pedir desculpas? Quantas vezes conseguimos pedir ajuda em nome das nossas fraquezas?

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O homem é um ser atormentado constantemente por seus próprios atos, mas nem sempre firme o suficiente para controlá-los, porque a carne é fraca.

Pensamos que sabemos o que queremos, quem somos, para onde vamos, mas no fundo o que mais desejamos é sentir o coração em paz. Teoricamente, algo simples: pratico o bem, penso o bem, atraio o bem, deixo o mal passar e tudo estará resolvido. Entretanto, com quantas tentações criadas por nossa própria mente, sofremos? Raiva, egoísmo, orgulho, mentira, traição, soberba, medo, uma leva de maus sentimentos com o quais precisamos lutar dia a dia.

Entre tantas escolhas na vida, escolher nossos pensamentos seja talvez, a mais importante. Escolher talhar um pensamento ruim e cultivar um pensamento bom é uma escolha que guia nossos atos e nos transforma na pessoa que queremos ser.

Quando escolhemos o caminho ruim, o companheiro se torna a segunda pior vítima dessa bola de neve que é um pensamento destrutivo. Certamente a primeira maior vítima é o pensador, aquele quem cria ideias e fantasias destrutivas sobre si, sobre o seu relacionamento, sobre o mundo.

Estejamos atentos, caros leitores que desejam uma vida de amor: atenção para nossas próprias atitudes e ideias e para o comportamento do outro. Vou delinear um manual bem prático.

Imagine meu jovem, que numa bela noite sua namorada sai de casa para ir à padaria, e no trajeto ela é assaltada. Passado um tempo, ela não sente mais prazer em sair de casa, sobretudo após o por do sol. Está desanimada, triste, mas não fala sobre o que está sentindo.

Logo, você tem dois caminhos a escolher, o bom e o mau. Não se aflija, é fácil distingui-los: em um você vai se sentir melhor quando estiver caminhando, no outro, vai se sentir um monstro quando chegar ao fim. Mas para fazer tal distinção é preciso estar alerta.

No primeiro caminho, você começa imaginar coisas que talvez ela tenha feito, ou que você tenha feito e ela desaprovou, você imagina que ela não o ama mais, que é indiferente a você. No segundo trajeto, você a chama com carinho para conversar, tenta lembrar do que pode ter a levado àquele estado emocional – o que provavelmente foi o ocorrido traumático que ela foi submetida – e então, buscam uma ajuda juntos.

Estando atento, você vai perceber que andando pelo primeiro caminho, você não estaria dando atenção ao verdadeiro foco do problema, sua namorada. Uma atitude de puro egoísmo, com um pouco de carência, insegurança entre outros maus ingredientes.

Na maioria das vezes, uma pessoa com problema é como alguém que engoliu um osso de galinha. Ela está engasgada e não consegue falar, o outro ao invés de ajudar a puxar o osso, grita, pressiona, apavora até que ela sufoque sem conseguir dizer que apenas precisava de um tapinha nas costas.

 Portanto meu amigo, o manual prático para relacionamentos recomenda não ser egoísta. Olhe para o outro, o observe. Talvez ele mesmo não esteja se enxergando e você precise ser estes olhos. Lembre-se de pensar que o mundo não gira em torno do seu umbigo, mas que você pode ser alguém importante quando enfiar a mão na garganta do seu companheiro e tirar o que está travado ali dentro. E quem sabe o salvando, você não se torne o centro da vida dessa pessoa? Quem nunca desejou ter um clichê desse de amor?

O importante é escolher juntos, como será a caminhada. Mesm o que pareça meio ridículo.

O importante é escolher juntos, como será a caminhada. Mesmo que pareça meio ridículo.

Quando as situações osso-de-galinha aparecerem, não se apavore, não fuja, não tenha medo: escolha o caminho do bem. Nenhum caminho que lhe proporcione sentimentos ruins pode gerar coisas boas no final. Então faça por merecer, resista às tentações se deseja colher bons frutos no decorrer de sua caminhada.  

Lições de Amor em 10 Clichês – 7ª Lição: Aprenda Com Quem Sabe

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Educação doméstica, educação escolar, círculo de amigos, círculo familiar, formação religiosa, herança genética, meio profissional, classe social, cultura regional, cultura global, meios de comunicação. São inúmeros os fatores que colaboram para a formação da personalidade e que só vão aumentando conforme se acredita em reencarnação, astrologia, horóscopo chinês, orixás, santo protetor, anjo da guarda, etc, etc. No final, o sujeito se torna uma mistura em diferentes proporções, de tudo isso.

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Como disse Raul, “cada um de nós é um universo” e como tal, estamos em expansão – esta é a parte boa.

Muitos desses fatores que nos influenciam não está sob nosso controle, mas chega um momento da vida em que começamos a pensar sobre tudo que sabemos, aprendemos e acreditamos e temos a liberdade de refletir e escolher o que queremos carregar conosco ou deixar para trás. Se você caro leitor ainda não fez isto com mais de vinte anos, sinto dizer, mas você está atrasado!

Depois de grande você pode escolher para onde seu universo vai se expandir e como.

Ao escolher onde buscar influências, estamos escolhendo quem queremos ser, com quem queremos nos parecer. Mesmo que esta ideia pareça boba à primeira impressão, é buscando exemplos que podemos desenvolver o autoconhecimento. É o famoso “quero ser como você quando eu crescer”.

Mas, o que tudo isso tem a ver com as relações pessoais?

Tem a ver, que a vida é curta para cometer todos os erros tentando acertar, é preciso seguir exemplos para aprender.

Dentro de um namoro ou um casamento, sempre que há decisões a serem tomadas, buscamos avaliá-los com a bagagem que carregamos – aquela do primeiro parágrafo. Entretanto nossa bagagem pode ser pequena ou limitada quando se trata do assunto amor. Pode acontecer que a resposta ainda não esteja na nossa mochila. É o momento de pedir ajuda.

A ajuda é a influência que escolhemos ter. É comum em momentos difíceis procurarmos auxílio de amigos ou familiares mais próximos, sem critérios. Nada de errado nisso, geralmente o momento é de desabafo. Contudo, precisamos escolher que conselhos acatar.

Sejamos práticos: é melhor ouvir o conselho do seu amigo tão experiente quanto você ou de alguém mais velho? É melhor ouvir o conselho do amigo que está bem casado ou daquele que troca de namorada todo mês? Ouvir aquele que é feliz ou aquele que é infeliz?

Nem sempre nos atemos a estes “detalhes”. Muitas vezes o amigo inexperiente vai te defender, encher sua bola, jogar no seu time. Mas ele não provavelmente não viveu uma situação parecida para poder te aconselhar com segurança. Melhor buscar ajuda de quem sabe mais.

Se não há bons exemplos próximos a quem você possa pedir socorro, peça ao sempre disponível Google. Ele pode encontrar livros, pesquisas, entrevistas, documentários, artigos.Tudo sobre tudo que se possa imaginar, inclusive sobre o amor. Esqueça o rótulo de autoajuda e se jogue, busque uma orientação pé-no-chão, sem influências externas de pessoas que se doam por você ou pelo outro. Seja objetivo.

Converse com pessoas experientes, daquelas cheias de vida, não daquelas amarguradas. Preste atenção para não ser influenciado por sentimentos pesados que pertençam ao outro e que vem em forma de conselho.

Insisto: escolha as pessoas que dão bons exemplos em suas vidas e vá se aconselhar com elas. As ouça, leia sobre, avalie as melhores maneiras de tomar suas decisões e forme sua opinião. Escolher é a maior dádiva da vida, então escolha bem de onde vem suas influências, se forem mal escolhidas, você pode estar lascado. Lembre-se que papagaio que acompanha João-de-barro, vira ajudante de pedreiro.

Não sei dizer de onde vem este comportamento, mas percebo que a maioria das pessoas se comporta agressivamente diante de conflitos na relação.

Sempre na defensiva ou atacando, quando em situações com outras pessoas da família ou amigos, a reação costuma ser mais pacífica. Medo de se machucar? De perder o “jogo”? Não sei dizer.

Só percebo que se queremos encontrar paz e companheirismo, alguém para aquecer seu pezinho nos dias de frio, para cortar nossa carne quando a dentadura não funcionar mais, é preciso procurar ‘gente que sabe’ para nos ensinar a preencher essa infinita bagagem da vida, que é o amor.

Lições de Amor em 10 Clichês – Lição 4: “Estou Casado com a Minha Mãe”

*Este texto é parte da série “Lições de Amor em 10 Clichês”. Clique aqui para conhecer.

Toda sexta-feira a noite, me sento com um amigo em um bar, e entre caipirinhas e cervejas, filosofamos sobre a vida. Em uma destas discussões tomamos uma teoria para nossas vidas: a diferença entre o amor e a paixão. Talvez nossa conclusão pareça rasa, mas também muito prática: amor é amor, paixão é tesão.

 Bem sei que amor nasce de uma paixão amadurecida, onde foram se encontrando planos, desejos, visões em comum para o futuro. No entanto, o que rege esse período é uma atração muito forte. Aquela vontade de estar o tempo todo juntos e de preferência, na cama. O fato de serem grandes amantes, une o casal acima de tudo. Mas o tesão pode durar meses ou horas e ainda ir embora com uma rapidez tão grande que você é capaz de se perguntar se aquilo mesmo aconteceu. É só com o passar do tempo, para descobrir se o fogo vai apagar de vez, ou se fica aquela brasa, chamada amor.

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O Amor nos permite com maior frequência demonstrações de fragilidade, de necessidade do outro. No começo queremos mostrar somente o nosso melhor, mas depois, queremos mostrar nosso eu verdadeiro, sem forçar a barra, sem máscaras, sem fingimentos, com defeitos. Talvez pareça um pouco assustador no começo, mas é uma experiência extremamente bonita  penetrar a intimidade da pessoa que amamos. Em contrapartida, o mínimo que podemos retribuir por receber este presente, é estar ao lado para ajudar nas dificuldades ali descobertas.

Nessa hora, você perceberá, meu amigo, que nem só de amante vive o homem. A cada momento, a cada vivência, para apoiar o outro precisamos nos transformar. Você não será somente o amante ou o esposo. Passará a ser também o companheiro, o amigo. Às vezes precisará ser até a amiga, daquela que vai junto ao shopping comprar sapatos. Em outros momentos precisará ser irmão ou pai ou mãe – aquele que pega pela mão ou dá colo.

Isso nem sempre é agradável, claro, mas lembre-se que muitas coisas que você considerava como ruins, e seus pais lhe obrigaram a fazer, foram extremamente importantes para seu desenvolvimento. Talvez você e seu amor, devam fazer o mesmo um pelo outro, desempenhar todos os papéis necessários em cada dia dessa caminhada.

Portanto, caso você se ofenda sobre algo que seu parceiro lhe cobra porque pareça com algo que seus pais faziam, lembre-se que como seus pais, ele só quer o seu bem. Ele é sua família agora. E se um ou outro passar a agir somente como você ou ele deseja, sem nenhum esforço em direção ao crescimento de ambos, saiba que vocês deixarão de ser um, e passaram a ser dois, separadamente, pois é como se houvesse indiferença perante a outra vida que lhe acompanha, mesmo essa atitude possa ser vista como uma forma de agradar.

"Vou ensinar você como viver" Barney Stinson

“Vou te ensinar a viver” Barney Stinson

Me lembro de um episódio da série How I Met Your Mother, em que o irmão de Barney, se incomoda com a nova namorada deste, por parecer muito com a mãe de ambos. Depois de todos se incomodarem com as semelhanças que seus parceiros possuem com os pais, Barney Stinson lança simplesmente: “Minha mãe  é uma das melhores pessoas que conheço, então se minha namorada for um pouquinho parecida com ela, já está ótimo”.

Que bom se aprendermos a pensar assim!

Patrícia Bedin

Lições de Amor em 10 Clichês – 3ª Lição: Cada Escolha Uma Renúncia

Este texto é o terceiro da série “Lições de Amor em 10 Clichês. Clique Aqui para conhecer.

Você está namorando?! Parabéns! Venceu dois passos muito importantes, encontrar e segurar um candidato. Se está solteiro, não fique triste, não tá fácil para ninguém. Com a putaria “super in” tá difícil até para as putas, que sofrem uma concorrência desleal. Então continue tentando sem esquecer os bons critérios.

Para quem está em um namoro progressivo, daqueles que é possível visualizar um futuro para o casal, pode ser a hora de pensar no próximo passo. Então tome nota de algumas questões importantes e comece a se preparar.

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Recentemente o escritor Fabrício Carpinejar escreveu em seu blog que quando o amor acaba a esperança vira amor. Eu prefiro interpretar esse primeiro amor o qual ele se refere como paixão, porque a paixão é um furacão, intenso e passageiro e quando ela acaba, é possível ver se há amor verdadeiro do tipo que é pura esperança de um futuro promissor para os dois.

O furacão passou e a poeira está baixando. O que sobrou nesse caos que se pode  aproveitar? Respeito? Admiração? Esperança? Nenhuma das alternativas?

O que precisa ficar depois do furacão, é o alicerce para o futuro. É hora de botar a mão na massa e começar a construir o amor. Pois é, o amor é mais pra vinho envelhecido em barril de carvalho, do que para macarrão instantâneo.

Este é o momento de sair no meio da bagunça pegando o que sobrou de bom, para recomeçar de outro jeito, construindo. Ou não. Você tem a opção de largar tudo como ficou e ir construir outra casa em outro lugar, mas que – lembre-se sempre – estará novamente sujeita a furacão.

Se você escolher ficar, será uma nova fase para um sentimento mais brando, mais pé no chão. Você estará escolhendo o amor, e como se diz, a vida é feita de escolhas e cada escolha uma renúncia. Desmembrando os clichês, isso significa que você estará abrindo mão da sua vida de solteiro, das festas, da vagabundagem em geral, da casa da sua mãe, da falta de compromisso, provavelmente de ter alguém para lavar suas roupas e fazer sua comida. “E o que tem de bom nisso?” é uma pergunta que muitos se fazem.

Em contra ponto das suas renúncias, estará provando o prazer de virar gente grande. Eu sei que no passo anterior – paixão, namoro, mundo encantado, cavalo branco, você já tinha aberto mão de muitas coisas, mas agora vai ser bem diferente, seu próximo passo será o casamento, neste caso ele não exige algumas mudanças, exige todas as mudanças.

Casar é unir forças, olhar junto para o futuro, amar todos os dias um pouquinho mais, caminhar junto, ou seja, é preciso ser forte, ter esperança, amar e compartilhar.

Ame.

Acredito que nenhum aprendizado de amor é mais produtivo do que o casamento.   Porque é preciso exercitar a paciência, a perseverança, cultivar as boas atitudes, os pequenos gestos, ajudar o outro a crescer, motivar, dividir os fardos – um pouquinho todos os dias.

A vida pode parecer mais dura à primeira vista, você terá um trabalho constante em busca de crescimento, sintonia, comunhão. Porém será mais satisfatória se você deixar fluir. Com o tempo você verá que para cada adversidade houveram outras tantas compensações como as próprias piadas, segredos, detalhes de expressão do outro, cada sorriso ou olhar do outro que diz muito e só você sabe identificar.

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Como insisto em dizer, as adversidades existem, ambos estão sujeitos a uma mancada. Mas aprendi com dois amigos, os dois lados da moeda: se errou, admita e compense o erro. Acrescendo que, se você tem a chance de compensar, não a desperdice. Se o outro errar com você, procure perdoar e principalmente, entender que se ele desviou do melhor caminho é porque algo não estava alinhado suficiente, e que portanto, necessita ser revisto. Um casamento bem sucedido é a união de dois grandes perdoadores.  

Será preciso perdoar, engolir sapo o tempo todo, mas com amor, isso se tornará razoavelmente simples.

Mas então, que tanto se fala aí desse amor verdadeiro?

Ainda não sei descrevê-lo muito bem, mas posso dizer que é quase um estado de espírito. Você se ama, ama seus pais, seus irmão, amigos, seu cachorro, ama sua mulher, seu marido. Amará seus filhos. E isso verdadeiramente, significa que consegue deixar a vida fluir e curtir destas pessoas o melhor que ela tem a oferecer, extrair delas mais e mais coisas boas (menos do cachorro, que não é pessoa). Com seu marido não será diferente afinal, ele não é só o cara com quem você transa. Seu sentimento por ele se torna mais complexo, profundo e importante com o tempo (pelo menos, esta é a ideia).

Quando olhado bem de perto, o casamento parece difícil, e é mesmo, mas valerá muito a pena se você se esforçar. Não acredite que coisas acontecerão sem esforço, mas tenha coragem! É preciso arriscar, enfiar a cara. Amar é certamente um ato de bravura.

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Não digo todas essas coisas porque sou uma moça puritana-religiosa-pra-casar.
Digo porque vejo pessoas cometendo erros grosseiros o tempo todo. Não estou dizendo para perdoar ou aceitar coisas absurdas, apenas para não desistir com facilidade. Não deixe os valores deturpados de uma sociedade toda errada que aprecia mais a liquidez do que a solidez das relações, orientar suas decisões ou atitudes. Seja humilde para admitir que sabe pouco e está disposto a aprender o “como fazer” de um bom casamento. Pare de se importar com o lado de fora – o que os outros pensam das suas atitudes ou decisões – e passe a olhar para dentro de si e do outro, com seus próprios olhos, sem julgamentos externos. Cuide do lado de dentro da sua casa, só vocês dois sabem o que se passa por lá.

Quantos casais se perdem não por falta de amor, mas por falta de cuidado e de saber como cuidar? Não seja mais um, procure fazer melhor.

Se deseja ser feliz, primeiro aprenda sobre o amor, depois encontre alguém como você, disposto a construí-lo.

Patrícia Bedin

Leia outros textos da Série Lições de Amor em 10 Clichês:

1ª Lição: Os Homens São Todos Iguais

2ªLição: O Combinado Não Sai Caro

Lições de Amor em 10 Clichês – 2ª Lição: O Combinado Não Sai Caro

*Este texto é parte da série “Lições de Amor em 10 Clichês”. Conheça clicando aqui.

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Finalmente hein garoto! Achou “A” pessoa, está apaixonado, feliz, acredita que ela é o amor da sua vida, é a azeitona da sua empada, a tampa da sua panela, o chinelo velho para o seu pé cansado, a metade da laranja, carne e unha, alma gêmea, bate coração.

Até aqui você já tem 2 aprendizados.

Se você riu e concordou com o primeiro parágrafo, parabéns, está aprovado no primeiro aprendizado. Se não, pare de revirar os olhos para minhas colocações clichês porque se existem duas coisas no mundo tão intrinsecamente ligadas são elas o amor e a breguice.

1º – O amor é brega, aceite e curta a oportunidade de expor sua felicidade tocando o foda-se para os preconceitos com foto de casal no Facebook, declarações de amor em público, pagode no rádio, cartinha em baixo do travesseiro, porta retrato escrito “LOVE” com a foto da gatinha na sua cabeceira. Se for muito tímido, tudo bem, esqueça as manifestações públicas, mas não deixe de ter um porta retrato.

Estes pequenos sinais são uma forma de lembrar e mostrar a você mesmo e aos outros, e a todo momento, que seu mundo esta mudando, sua vida será completamente diferente em pouco tempo por conta de alguém especial que agora faz parte da sua vida, e isso é bom e importante. Isso não significa que você precisa se afastar da família ou dos amigos, uma nova pessoa chegou para agregar na sua vida, não para te subtrair do mundo.

2º – A segunda lição, diz respeito a essa crença muito bonitinha porém muito frágil de que o outro é seu encaixe perfeito. Sentir isso é natural, mas acreditar nesta perfeição é uma armadilha. Não existe alguém no mundo que lhe completa. Existe alguém disposto a caminhar ao seu lado, alguém que acredita que você vale a pena, que você será feliz nessa caminhada.

Se esta pessoa por quem você está apaixonado fosse realmente sua alma gêmea, seria só deixar a vida passar e tudo seria um conto de fadas. A verdade é que para haver uma caminha plena e tranquila, é preciso aceitar as diferenças e conciliá-las e você não deve perder tempo, esperando a mágica acontecer, deve iniciar com o namoro, os seus pequenos esforços em nome desse amor.

Como eu já havia dito na semana passada, e volto a repetir, você não é perfeito. Seu parceiro também não.

No começo de uma relação, somos tentados a mostrar somente o melhor de nós e muitas vezes nos excedemos, mostramos o melhor e algo além que podemos ser.

Esse início é como barganhar um produto – eu mostro o melhor do meu, você mostra o melhor do seu e é claro, com tantas qualidade é difícil não fechar o negócio.

Meu amigo, você não faz isso propositalmente ou conscientemente, não se sinta culpado, apenas fique alerta: não caia na armadilha de vender um produto fazendo propaganda enganosa. Por mais que  você realmente deseje com todas as suas forças ser um anjo na vida do seu amor, aquele que vai tornar tudo mais fácil e feliz, não se venda assim, como o passaporte para uma vida cor-de-rosa, isso se tornaria mais um fardo a carregar, sendo que cada um deve carregar o seu próprio.

Repito: sua obrigação num relacionamento sério é de buscar uma caminhada lado a lado de ajuda mútua. Lembre-se de mostrar ao outro que seu produto está com algumas marcas de uso ou pequenos defeitos, mas é plenamente usável. Mostre que você é meio chato para algumas coisas, que tem algumas manias, algumas dificuldades mas que está disposto a negociar estas qualidades para o bem do casal. Viver não é fácil para ninguém, portanto é plenamente normal que existam características tortuosas em cada um. O diferencial está em saber o que é aceitável ou não, o que é mutável ou não.

O namoro é um ensaio para o casamento. É como um contrato não palpável de pequenas regras negociadas e que vai tomando forma aos poucos e se moldando sempre que necessário, para dar corpo e vida a essa união. É a atmosfera que une os dois e que faz os dois respirarem juntos. É a bolha – no bom sentido.

Se você não sabe o que quer da vida e chegou até aqui lendo este texto, você perdeu seu tempo. Agora se você se acha o “tipo para casar”, entenda e aceite bem que estar em um relacionamento sério significa que você imagina um futuro com esta pessoa, que quer o bem dela tanto quanto o seu.

Esqueça todas as bobagens individualistas que você aprendeu até hoje pois é preciso compartilhar. O que funciona na prática é tornar esta pessoa que está ao seu lado a sua maior preciosidade, fazer pela felicidade dela tudo que puder, e aí você será feliz descobrindo mais esta grande lição: você se alegra mais com a felicidade do outro do que com a própria.

Esse é o amor mais verdadeiro, o amor no sentido mais completo da palavra, um sentido que você se tiver sorte, passará a vida descobrindo e aprendendo sobre ele. Então, aprecie cada sutileza que o amor lhe dá.

 Patrícia Bedin