Arquivo da categoria: infantil

Futuro promissor

Nos tempos em que aprender qualquer coisa mesmo sem interesse algum era muito simples para mim, eu era tratada como se tratam crinças prodífio: alguns incentivos, adesivos no caderno, elogios e claro, objeto de comparação dos professores para deixar os coleguinhas emputecidos.

Apesar de aprender ser bem legal, de repente a leitura virou uma coisa chata, dava sono, preguiça e desenhar era bem mais divertido; aos nove anos eu comecei a rabiscar bonequinhas com roupas porque havia decidido ser estilista quando crescesse… crianças e suas ideias de jerico.

Juro que na minha esperteza infantil eu não pensei que para ser estilista não precisava ser inteligente, os livros apenas perderam a graça.

Mas os professores não sabiam disso afinal continuei sendo uma aluna aplicada com várias estrelinhas douradas e medalhas na semana da poesia, então, como poderia?

Como mérito de boa aluna ganhei alguns livros “grandes” aos 8 anos, muitas páginas, poucas figuras, um tanto assustador. Só me lembro de ter lido um, os outros dois fiquei deixado pra amanhã e alguns (dezessete) anos se passaram.

Não sinto orgulho desta história, na verdade, me importo muito com ela e quase sinto culpa de não ter lido A caneta falante  e A cor da ternura – o primeiro que ganhei da tia Mara na segunda série e o segundo que ganhei na terceira série, junto com uma medalha num provão do SESC sobre história do Brasil (que aos nove anos achava chatíssima inclusive, mas a opção não aprender era inexistente). Claro que a medalha eu pendurei na parede do meu quarto, mas o livro deixei bem escondidinho. Mamãe vem me visitar em breve e deve trazer ambos para enfim, eu honrar esta dívida com o passado. Vai ser bem divertido.

Por Patrícia Bedin