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Mais um Feliz Ano do Livro

livro

Se este blog fosse uma criança, ele já estaria saindo das fraldas. Ao pensar que a dois anos atrás ele era apenas uma ideia vaga e agora ele já está se tornando um rapazinho, me sinto uma mãe orgulhosa observando este progresso, porque como dizem, um filho muda a vida da pessoa.

Quando iniciei o projeto de ler um livro por mês, percebi com rapidez quantas coisas novas eu poderia conhecer profundamente,  quantas assuntos conseguia refletir, por quantos novos pontos de vista eu poderia observar fazendo apenas isto: lendo – entrando na mente de personagens loucos ou “ouvindo” autores com ideias novas.  Percebi que havia tanta coisa legal a ser compartilhada que eu não poderia simplesmente ler, eu precisava anotar, retomar e compartilhar todas as ideias que me surgiam enquanto eu lia.

Eu me apeguei a ideia de me apegar às ideias. E assim fiz: criei aqui um memorial para cada livro, cada insight, cada impressão que sentia.

Acredito que obtive sucesso na minha intenção inicial e portanto, 12 Meses de Leitura é sim, um filho que mudou minha vida.

Desde o ano passado, não li muitos livros. Foram nove no total. Não bati minha meta e confesso que por várias vezes pensei em ler uns livros de poesia ou de história da moda, desses que contém bastante imagem para tentar ludibriar meus milhares de leitores, mas desisti porque no fim das contas eu saberia que estaria enganando apenas a mim.

As Pessoas estão cheias de opinião

Durante o último ano, me rendi a frequentar intensamente o Facebook, principalmente para ler artigos das páginas de noticia que sigo. Sobretudo por influência das manifestações de junho de 2013, venho me tornando cada vez mais uma pessoa indignada com as injustiças do mundo, e a cada nova indignação nascem outras novos questionamentos e é assim que meus pensamentos crescem em progressões geométricas que me levam a ter dores de cabeça intensas com muita frequência.

Mas enquanto eu leio assuntos do meu interesse, percebo que outros leem assuntos dos seus ou ainda o que é mais comum, compartilham frases feitas de pessoas que não sabem quem são ou o que significam ou ainda, se são verdadeiras. Porque aparentemente, o mais importante hoje em dia, é ter uma opinião formada sobre tudo.

Esta é uma situação boa e ruim: somos obrigados a conhecer a opinião de muita gente e admitir que a massa é indissolúvel. Um grão diferente na massa é um corpo estranho.

Enquanto eu contava e recontava os livros que li neste último ano para ver se passava de nove para 12ou 15 – sem sucesso – cheguei a conclusão: é preciso ler mais livros para continuar sendo uma boa metamorfose ambulante.

Preservem a Indignação

Tenho muitas boas desculpas para ter lido 9 livros em 12 meses uma delas é que li muitos trechos de muitos livros enquanto estudava e me preparava para lecionare por isso, Li muitos livros técnicos desses que não se lê tudo de uma vez. Mas sou virginiana demais para acreditar nessa bobagem.

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Apesar de viver feliz só de estar numa casa cada vez mais cheia de livros, onde sinto que a qualquer hora eles dirão “meus senhores, for favor, se retirem que este quarto é nosso, não há mais espaço para vocês aqui” minha única resolução para este novo ano de leitura que se inicia, é que preciso ler mais livros inteiros, escrever mais sobre eles e preservar a indignação com as coisas que a leitura me trás, e prometer para mim mesma que no ano que vem, posso voltar até aqui e escrever para o terceiro aniversário, um texto muito melhor que este.

Patrícia Bedin

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Lições de Amor em 10 Clichês – 9ª Lição: Quando o Amor se Ausenta, a Dor se Instala

*Este texto é parte da série “Lições de Amor em 10 Clichês” Clique aqui para conhecer

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Acabou, não deu. Você tentou de tudo que ainda estava ao seu alcance mas chegou ao fundo do poço. Está fumando um Derby sentado na beira da calçada.

Sob uma marquise enquanto se protege do temporal, você pensa: como vim parar aqui? E em sua cabeça passam milhares de respostas e nenhuma. Tudo é tão nebuloso quanto a chuva que está à sua frente.

Neste momento, pular da janela do nono andar parece a única solução, mas tenha calma. Respire e conte até mil se precisar.

Seu desejo mais forte depois de querer voltar no tempo (seja para “antes de eu ter conhecido aquele infeliz” ou antes de tudo ter desandado), é acabar com a dor. É normal.

A dor possui várias fases e querer morrer é apenas uma. Você vai parar de comer. Com sorte vai voltar a comer. Depois vai comer demais, porque o que não mata, engorda. Vai pensar nas crianças-mudas-telepáticas para se sentir melhor. Vai ter a brilhante ideia de escrever uma série de textos sobre amor, para ver se aprende alguma coisa. Tem aqueles que se isolam e aqueles que bebem pra esquecer. Nesse mundo tem coração partido de todo jeito.

Por que dói tanto?

please don't go

Como já vimos na aula anterior, relacionamentos de qualquer natureza são sempre lições de amor permeadas de oportunidades de aprendizado mas, infelizmente, temos dificuldade em aprendê-las em tempo real, e acabamos chegando ao limite, quando o amor já não se sustenta mais. É por isso que dói. Porque você não reconheceu os sinais mais simples, porque reconheceu e não fez nada. Dói por não ter mais aquela pessoa ao seu lado – o clássico “só dá valor quando perde” – ou ainda, só porque é triste o fim, todo amor se acabou. Enfim, dói porque você foi um babaca.

A dor vem para que você, pobre mortal, olhe para si e para suas atitudes e veja o quanto precisa aprender sobre relações humanas: companheirismo, humildade, generosidade… e todas essas coisas que já foram citadas nas outras 8 lições anteriores. Fatores básicos, e, se no decorrer você não se tocou, vem a dor para te mostrar o quanto você é insignificante diante da grandeza e da complexidade da vida e então, poder se tornar uma pessoa melhor, transformar esse sofrimento em algo bom.

Uns aprendem mais, outros menos. Há os que não aprendem nada. Mas estou certa de que um dia, até mesmo estes se lembrarão do dia em que deixaram de dizer “boa noite” por orgulho, ou que não compraram um presente de aniversário porque “meu namorado não merece isso” ou que não quiseram ter aquela conversa importante porque é “chato e eu estou cansado”. E então a ficha irá cair. Pode levar anos. Não conheço uma alma que saiu ilesa de um término de namoro ou casamento. Se você conhece, afaste-se, esta pessoa não tem alma.

O que é mesmo que eu deveria ter aprendido?

chuva janela

Se você pensa que o tempo que durou o relacionamento foi pouco tempo para aprender tudo, saiba que amor verdadeiro é uma escola onde você está matriculado desde o dia que reconheceu aquela mulher que trocava sua fralda, como “a mamãe”.

Paixão, na sua raiz, é sexo e acaba. Mas o amor que você deve sentir por aquela pessoa que escolheu para dividir suas aflições, alegrias, a casa e os filhos, é bem parecido com o que você sente (ou deveria sentir) pela família com quem conviveu pelo menos 20 e poucos anos, seus amigos mais próximos e seu cachorro.

Esses dias, com a ajuda de uma amiga, conclui que é preciso amar as pessoas como se elas fossem o seu bichinho de estimação, porque se você para pra pensar, na verdade elas são. A diferença é que somos menos tolerantes porque esperamos que elas errem menos, já que os bichinhos comem sapatos, fazem xixi fora do lugar, derrubam coisas e fazem manha, porque são irracionais.

Mas aceite que todos nós agimos irracionalmente o tempo todo – estou certa de que alguma universidade americana já provou isso. Ciúmes, vaidade, inveja, jogos de poder, pedidos de atenção. No fundo, atitudes deste tipo não fazem muito sentido mas acabam permeando nosso dia a dia. Por que será que o assunto inteligência emocional é tão interessante e recorrente na atualidade? Talvez porque seja algo que, nós humanos, temos pouquíssimo domínio, literalmente.*

Logo, para aprender amar é preciso entender que as pessoas não são perfeitas, erram, e você precisa ter paciência com elas, assim como elas tem com você, com os gatos, cachorros, o irmão pequeno, porque afinal – aceite isto: você também não é perfeito.

miss you

O que eu faço agora?

Não culpe ninguém pela sua infelicidade, nem mesmo o ex só porque ele já tem foto com outra no Instagram, falou mal de você para os amigos, manda indiretas no Facebook, te bloqueou em todas as redes sociais dele. Ele está agindo emocionalmente.

Como você já está na merda, não há muito que possa fazer pela relação. Aproveite o tempo livre e faça algo por si mesmo. “Cuide do seu jardim” diria Shakespeare.

Reflita sobre seus erros e acertos, busque as respostas em você. Transforme a frustração em aprendizado visando melhorias para uma próxima tentativa, porque repetir os mesmos erros, além de burrice, é ser muito amador da vida.

Every thing is gonna be all right

Este é um bom momento para repensar a vida, curtir sua própria companhia. Fazer coisas novas, tipo aquela aula de dança que você está adiando a anos? Aquele filme Cult que ele nunca quis ver com você? Aquele livro que você nunca tem tempo de ler? Pois bem, agora você tem mais tempo livre para aproveitar a liberdade de estar solteiro para fazer o que quiser e quando quiser – quem disse que tem que ser 100% ruim? Se você aprender a se curtir, a dor passa mais rápido e você nem percebe – ou pelo menos se distrai fazendo coisas boas.

E por fim, um conselho dos mais importantes: vê se não sai por aí fazendo besteira para se arrepender depois, menina! (Agora releia imaginando a voz da sua mãe, para ver o quanto este último é importante).

Quando a poeira baixar, seu jardim estará mais bonito que antes e você se sentirá muito mais preparado, forte e feliz para começar tudo de novo. Quantas vezes for necessário.

Patrícia Bedin

* Deixo claro, estas são conclusões por observação da Dra. Patrícia, em seu período de reclusão para aprendizado na dor. Qualquer entendido que queria protestar ou corrigir as informações aqui afirmadas, estou aberta para discussões.  

Lições de Amor em 10 Clichês – 8ª Lição: A Carne é Fraca

*Este texto é parte da série “Lições de Amor em 10 Clichês”. Clique aqui para conhecer.

Quantas vezes erramos e nos arrependemos no momento seguinte? Quantas vezes erramos e levamos tempo para nos arrependermos? Quantas vezes conseguimos pedir desculpas? Quantas vezes conseguimos pedir ajuda em nome das nossas fraquezas?

flores casal

O homem é um ser atormentado constantemente por seus próprios atos, mas nem sempre firme o suficiente para controlá-los, porque a carne é fraca.

Pensamos que sabemos o que queremos, quem somos, para onde vamos, mas no fundo o que mais desejamos é sentir o coração em paz. Teoricamente, algo simples: pratico o bem, penso o bem, atraio o bem, deixo o mal passar e tudo estará resolvido. Entretanto, com quantas tentações criadas por nossa própria mente, sofremos? Raiva, egoísmo, orgulho, mentira, traição, soberba, medo, uma leva de maus sentimentos com o quais precisamos lutar dia a dia.

Entre tantas escolhas na vida, escolher nossos pensamentos seja talvez, a mais importante. Escolher talhar um pensamento ruim e cultivar um pensamento bom é uma escolha que guia nossos atos e nos transforma na pessoa que queremos ser.

Quando escolhemos o caminho ruim, o companheiro se torna a segunda pior vítima dessa bola de neve que é um pensamento destrutivo. Certamente a primeira maior vítima é o pensador, aquele quem cria ideias e fantasias destrutivas sobre si, sobre o seu relacionamento, sobre o mundo.

Estejamos atentos, caros leitores que desejam uma vida de amor: atenção para nossas próprias atitudes e ideias e para o comportamento do outro. Vou delinear um manual bem prático.

Imagine meu jovem, que numa bela noite sua namorada sai de casa para ir à padaria, e no trajeto ela é assaltada. Passado um tempo, ela não sente mais prazer em sair de casa, sobretudo após o por do sol. Está desanimada, triste, mas não fala sobre o que está sentindo.

Logo, você tem dois caminhos a escolher, o bom e o mau. Não se aflija, é fácil distingui-los: em um você vai se sentir melhor quando estiver caminhando, no outro, vai se sentir um monstro quando chegar ao fim. Mas para fazer tal distinção é preciso estar alerta.

No primeiro caminho, você começa imaginar coisas que talvez ela tenha feito, ou que você tenha feito e ela desaprovou, você imagina que ela não o ama mais, que é indiferente a você. No segundo trajeto, você a chama com carinho para conversar, tenta lembrar do que pode ter a levado àquele estado emocional – o que provavelmente foi o ocorrido traumático que ela foi submetida – e então, buscam uma ajuda juntos.

Estando atento, você vai perceber que andando pelo primeiro caminho, você não estaria dando atenção ao verdadeiro foco do problema, sua namorada. Uma atitude de puro egoísmo, com um pouco de carência, insegurança entre outros maus ingredientes.

Na maioria das vezes, uma pessoa com problema é como alguém que engoliu um osso de galinha. Ela está engasgada e não consegue falar, o outro ao invés de ajudar a puxar o osso, grita, pressiona, apavora até que ela sufoque sem conseguir dizer que apenas precisava de um tapinha nas costas.

 Portanto meu amigo, o manual prático para relacionamentos recomenda não ser egoísta. Olhe para o outro, o observe. Talvez ele mesmo não esteja se enxergando e você precise ser estes olhos. Lembre-se de pensar que o mundo não gira em torno do seu umbigo, mas que você pode ser alguém importante quando enfiar a mão na garganta do seu companheiro e tirar o que está travado ali dentro. E quem sabe o salvando, você não se torne o centro da vida dessa pessoa? Quem nunca desejou ter um clichê desse de amor?

O importante é escolher juntos, como será a caminhada. Mesm o que pareça meio ridículo.

O importante é escolher juntos, como será a caminhada. Mesmo que pareça meio ridículo.

Quando as situações osso-de-galinha aparecerem, não se apavore, não fuja, não tenha medo: escolha o caminho do bem. Nenhum caminho que lhe proporcione sentimentos ruins pode gerar coisas boas no final. Então faça por merecer, resista às tentações se deseja colher bons frutos no decorrer de sua caminhada.  

Lições de Amor em 10 Clichês – 7ª Lição: Aprenda Com Quem Sabe

*Este texto é parte da série “Lições de Amor em 10 Clichês” Clique aqui para conhecer

Educação doméstica, educação escolar, círculo de amigos, círculo familiar, formação religiosa, herança genética, meio profissional, classe social, cultura regional, cultura global, meios de comunicação. São inúmeros os fatores que colaboram para a formação da personalidade e que só vão aumentando conforme se acredita em reencarnação, astrologia, horóscopo chinês, orixás, santo protetor, anjo da guarda, etc, etc. No final, o sujeito se torna uma mistura em diferentes proporções, de tudo isso.

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Como disse Raul, “cada um de nós é um universo” e como tal, estamos em expansão – esta é a parte boa.

Muitos desses fatores que nos influenciam não está sob nosso controle, mas chega um momento da vida em que começamos a pensar sobre tudo que sabemos, aprendemos e acreditamos e temos a liberdade de refletir e escolher o que queremos carregar conosco ou deixar para trás. Se você caro leitor ainda não fez isto com mais de vinte anos, sinto dizer, mas você está atrasado!

Depois de grande você pode escolher para onde seu universo vai se expandir e como.

Ao escolher onde buscar influências, estamos escolhendo quem queremos ser, com quem queremos nos parecer. Mesmo que esta ideia pareça boba à primeira impressão, é buscando exemplos que podemos desenvolver o autoconhecimento. É o famoso “quero ser como você quando eu crescer”.

Mas, o que tudo isso tem a ver com as relações pessoais?

Tem a ver, que a vida é curta para cometer todos os erros tentando acertar, é preciso seguir exemplos para aprender.

Dentro de um namoro ou um casamento, sempre que há decisões a serem tomadas, buscamos avaliá-los com a bagagem que carregamos – aquela do primeiro parágrafo. Entretanto nossa bagagem pode ser pequena ou limitada quando se trata do assunto amor. Pode acontecer que a resposta ainda não esteja na nossa mochila. É o momento de pedir ajuda.

A ajuda é a influência que escolhemos ter. É comum em momentos difíceis procurarmos auxílio de amigos ou familiares mais próximos, sem critérios. Nada de errado nisso, geralmente o momento é de desabafo. Contudo, precisamos escolher que conselhos acatar.

Sejamos práticos: é melhor ouvir o conselho do seu amigo tão experiente quanto você ou de alguém mais velho? É melhor ouvir o conselho do amigo que está bem casado ou daquele que troca de namorada todo mês? Ouvir aquele que é feliz ou aquele que é infeliz?

Nem sempre nos atemos a estes “detalhes”. Muitas vezes o amigo inexperiente vai te defender, encher sua bola, jogar no seu time. Mas ele não provavelmente não viveu uma situação parecida para poder te aconselhar com segurança. Melhor buscar ajuda de quem sabe mais.

Se não há bons exemplos próximos a quem você possa pedir socorro, peça ao sempre disponível Google. Ele pode encontrar livros, pesquisas, entrevistas, documentários, artigos.Tudo sobre tudo que se possa imaginar, inclusive sobre o amor. Esqueça o rótulo de autoajuda e se jogue, busque uma orientação pé-no-chão, sem influências externas de pessoas que se doam por você ou pelo outro. Seja objetivo.

Converse com pessoas experientes, daquelas cheias de vida, não daquelas amarguradas. Preste atenção para não ser influenciado por sentimentos pesados que pertençam ao outro e que vem em forma de conselho.

Insisto: escolha as pessoas que dão bons exemplos em suas vidas e vá se aconselhar com elas. As ouça, leia sobre, avalie as melhores maneiras de tomar suas decisões e forme sua opinião. Escolher é a maior dádiva da vida, então escolha bem de onde vem suas influências, se forem mal escolhidas, você pode estar lascado. Lembre-se que papagaio que acompanha João-de-barro, vira ajudante de pedreiro.

Não sei dizer de onde vem este comportamento, mas percebo que a maioria das pessoas se comporta agressivamente diante de conflitos na relação.

Sempre na defensiva ou atacando, quando em situações com outras pessoas da família ou amigos, a reação costuma ser mais pacífica. Medo de se machucar? De perder o “jogo”? Não sei dizer.

Só percebo que se queremos encontrar paz e companheirismo, alguém para aquecer seu pezinho nos dias de frio, para cortar nossa carne quando a dentadura não funcionar mais, é preciso procurar ‘gente que sabe’ para nos ensinar a preencher essa infinita bagagem da vida, que é o amor.

Lições de Amor em 10 Clichês – 6ª Lição: Primeira Carta De Paulo Aos Coríntios – Capítulo 13

*Este texto é parte da série “Lições de Amor em 10 Clichês”. Clique aqui para conhecer.

love is all we needFoi no casamento daquela sua tia velha que estava desencalhando que você descobriu: não era só uma música do Renato Russo. E logo seus primos começaram a se casar e você reparou que em toda cerimônia se repetiam as mesmas palavras: “Ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria”. Nada é mais clichê do amor, do que a carta de Paulo aos Coríntios. E o motivo é simples, ela diz tudo.

Por mais grandiosas que sejam as coisas que eu faça, os dons ou a fé que eu tenha, se eu não colocar amor em todas elas, de nada me adianta. Ou ainda, se eu entregar tudo que tenho, inclusive a vida, se não fizer com amor, de nada adianta.

“O amor é paciente, é benigno; não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal, não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O amor jamais acaba(…)”

I Coríntios 13, 1-8

“Jamais mesmo!!!” – faltou ele dizer. Mas ele disse ainda, que tudo passará, profecias, línguas, ciência, tudo que conhecemos. Só restará o amor, a coisa mais importante. E depois do que li sobre o que esse cara passou, como ele passou e o que ele aprendeu, em Paulo e Estevão, acho bom dar ouvidos a ele.

Claro que Paulo não estava falando apenas do amor romântico. Falava daquele sentimento que nos torna pessoas melhores com todas as outras pessoas, com a vida e que nos dá paz de espírito. Mas, quando sentimos aquilo que chamamos também de amor por outra pessoa, que nos faz querer passar o resto da vida ao lado dela, não queremos tudo isso? Não nos tornarmos uma pessoa legal para que a outra queira estar ao nosso lado, sabendo que vale a pena?

Amar é melhorar a cada dia, por você e pelo outro. É evitar uma briga para não estragar o clima. É perder uma discussão para dormir agarradinho. É comer uma comida que você nem gosta muito para o outro ficar feliz. É abrir mão, é se doar com a certeza de que não será em vão. O amor verdadeiro ama mesmo com defeitos, suporta os espinhos, transborda, se deixa transbordar. Porque no fundo, o que quase todo mundo quer é um chinelo velho para um pé cansado. No fundo, somos muito parecidos com aquele poodle insuportável da sua mãe, que  faz qualquer coisa em troca de um colo, um carinho.

Invejo as pessoas que tem facilidade em amar. Invejo os que se jogam com todas as forças com seu amor puro, sublime, supremo. Essas pessoas são otimistas, estão em busca da felicidade sempre e colocam o amor como prioridade em suas vidas. Observe e vai descobrir que conhece alguém assim, talvez nunca tenha reparado, mas quando perceber, vai ter muito o que aprender com ela. 

Por tudo, o amor não é fácil de se praticar, mas se eu quero, eu vou tentar, treinar, praticar, me esforçar e quando conseguir receber a paz que ele me trás, vou ter aprendido tantas outras coisas! A humildade, a perseverança, a paciência, a bondade, a fé, o perdão. Apenas algumas boas lições que o amor trás no pacote.

Patrícia Bedin

O Que Aprendi Com 12 Meses de Leitura

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Hoje é Dia do Livro e dia do primeiro aniversário do 12 Meses de Leitura. Um ano se passou e que ano! Quantas coisas aconteceram, tantas mudanças dentro e fora de mim.  Estou aqui para comemorar afinal, os livros foram grande parte das mudanças boas. Apesar de não ter lido tantos quando gostaria, cada um teve sua importância e principalmente, falar sobre eles aqui no Blog me fez despertar também para a escrita, coisa que hoje me realiza como nunca antes na história desta vida.

Comecei o primeiro livro, o Visagismo Integrado, no dia 19 de fevereiro de 2012. Era domingo de carnaval e fui ao shopping almoçar. Havia proposto a mim mesma, ler pelo menos um livro por mês, daqueles que eu tenho a muito tempo, mas acabei comprando outros já que eu estava por ali. Foi assim que comecei. Logo, esta parte do acordo eu não cumpri. Dos livros que eu já tinha, somente um eu li por completo, o Empreendedorismo na Veia. Valeu tanto a pena que acabei dando para uma pessoa que certamente vai aproveitar mais do que eu, alguém mais empreendedor. Mas continuo carregando os outros comigo, uma hora eles devem se encaixar com o momento da minha vida.

No total foram 15, pouco mais do que a média proposta. Apesar de ser menos do que eu almejava, já estou bem feliz com o resultado. Dentre eles o que mais me marcou foi o Ensaio sobre a Cegueira. Se quiser entender porque é só ler o texto.

O que devo ler?

Esta foi uma das coisas que aprendi. É muito importante escolher um livro compatível com o momento pessoal, às vezes uma simples distração, uma lição de moral ou um pouco de fantasia é o que precisamos. Em outros momentos podemos precisar de orientação, de instrução, de conhecimento palpável.

Se fizermos uma boa escolha, podemos encontrar muitas respostas, no caso contrário, nos perdermos um pouco mais. Hoje só acredito que seja realmente seguro ler “qualquer coisa” se estiver com o coração muito tranquilo. Esta pode ser uma visão muito pessoal, mas uma das coisas que aprendi neste ano, é que sou uma pessoa altamente influenciável por energias ruins, então, sempre vou procurar fugir delas.

Pessoas que leem podem ser mais inteligentes

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Algumas pessoas me procuram para se aconselhar, para que exponha minha opinião sobre qualquer assunto, para emprestar livros. Elas me acham inteligente porque sabem que tenho o hábito de ler. Claro que esta mudança me felicita, mas entendi que quanto mais eu leio, mais percebo que sei muito pouco.

Acredito que só a iniciativa de ler um livro, seja qual for o fim – aprender a técnica, para o autoaperfeiçoamento, ou mesmo para a melhora de sua ortografia – é a vida se mostrando em movimento, mostrando que sempre é possível melhorar. Desta forma, a leitura exercitando o cérebro, releva ao leitor sua capacidade de usar a inteligência.

Mas por outro lado, neste ano, me deparei com muitas pessoas se apoiando na máxima de que “pessoas que leem são mais inteligentes” para justificar sua imposição de ideias, sua verdade absoluta, sua arrogância com pessoas menos instruídas, e conclui que ler pode tornar alguém detentor de maior quantidade de informações, mas não dá sabedoria instantânea.

Li recentemente no blog Sobre a Vida, um texto da Juliana Baron Pinheiro onde ela fala sobre pessoas que se gabam de ler tanto que leem até rótulo de xampu. Ela conclui dizendo: “Adquirir o hábito da leitura é uma dádiva, mas não filtrar e escolher aquilo que você lê é perda de propósito”. Concordo plenamente. Acho qu ler sem conseguir extrair algo de bom daquilo é muito triste.

Sei que nem todos querem ser sábios, mas para mim não há sentido em ser inteligente, em deter conhecimento, se não consigo usá-lo para me sentir melhor, viver melhor, compartilhar e ajudar outras pessoas.

Certa vez estava eu na livraria, quando vejo a filha de uns 12 anos dizer ao pai que queria comprar “O Hobbit” e ele responde: “que horror, que livro é esse? Tem que ler esse aqui ó, esse que é bom, eu já li” enquanto apontava para “A Cabana”. Nada contra a Cabana – inclusive está na lista daqueles que vou ler um dia – mas deixar a filha escolher seus próprios livros seria uma atitude mais sábia do que impor sua opinião.

Entretanto na via oposta, só descobri que algumas pessoas cultivam a leitura por elas terem me procurado. Sabendo do meu projeto ou vendo livros espalhados pelo quarto, vieram me contar das coisas que leram, o que aprenderam, o que sentiram, o que gostam de ler e finalmente, encontraram um ouvido que as ouvisse, alguém para compartilhar. Pessoas que descobriram ou estão descobrindo o quanto a leitura pode ser uma boa companheira, sem julgamentos, sem pré-disposições… Poucas coisas são mais gratificantes que presenciar isto.

Livros de autoajuda podem ajudar pessoas

Em alguns grupinhos de pessoas que leem, há também muita discriminação como nos grupos de estilos musicais. Os roqueiros que odeiam os pagodeiros, que odeiam os sertanejos que odeiam os funkeiros… Nos livros isto também acontece, apesar de eu acreditar que não deveria. Mas existe um deles que é o mais prejudicado. O livro de autoajuda que é tido como “livro para gente fraca que não sabe o que fazer com a própria vida”. Então eu pergunto: quem sabe?

Perante a sociedade é feio assumir as dificuldade pelas quais passamos, é melhor fingir ser bom do que revelar as fraquezas. Pessoas que buscam um livro desta categoria, estão apenas tentando achar um rumo, viverem mais feliz. Há algo de errado nisto?

Temos coisas a aprender com pessoas que não leem

As coisas belas da vida não estão só nos livros. Existem outros veículos. Muitas vezes, a nossa observação é capaz de captar e processar coisas incríveis vinda de onde pouco esperávamos.

E tem gente que vive assim. Sem ler ou assistir jornais, tevê, sem seguir o G1 no twitter, sem ver um filme Cult, sem ir ao cinema, sem ler livros. Mas independente desta falta de interesse delas por informação ou instrução, muitas conseguem nos dar exemplo, através das atitudes, de como aproveitar as coisas simples e boas que a vida oferece. Só com o amor que exalam, conseguem influenciar nossas ações e mostrar que existem visões diferentes para tudo. Encontrei e tive a sorte de conviver neste último ano, com muitas pessoas que levam a vida assim. O que sinto e aprendo observando essas pessoas é algo como:

“Se quer fazer faça, se quer amar ame, se quer mudar mude, você é livre e pode tudo, contanto que não prejudique ninguém.”

 Porque feliz aquele que não precisa de livros para descobrir tais ensinamentos.

Deixar a vida fluir

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Mesmo que a vida seja feita de mudanças constantes, acredito que coisas boas podem ficar, isto é uma escolha. Escolhi que os livros devem ficar e se por acaso eu estiver lendo menos do que gostaria, que eu esteja usando este tempo para escrever.

Quando estou triste eles me distraem, quando estou ansiosa me dão respostas, quando sinto dor me dão consolo, quando estou feliz, felicitam-se comigo. Estes pequenos amontoados de papéis são ótima companhia e sou feliz por tê-los.

Por fim, aos leitores do que escrevo, só tenho a agradecer. Aos que passaram por aqui, muitas ou poucas vezes, palpitaram, divulgaram.  Apesar de poucos, cada reconhecimento é um estimulo a seguir em frente portanto, continuarei lendo e escrevendo pois tenho muito a aprender para compartilhar.

Obrigada!

Patrícia Bedin