Arquivo do autor:Patrícia Bedin

Sobre Patrícia Bedin

Profissional de Moda, leitora iniciante, Escritora aspirante.

Cem anos de Solidão

GABRIEL GARCIA MARQUEZ, Editora Record, 1967

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Já é tarde. Estou sentada na cama de um pequeno hotel. Estou paralizada com a história que acabo de ler.

Foram 7 meses entre iniciar e terminar essa leitura cheia de interrupções. Mas chegado o fim do ano, abracei este livro como meu companheiro de viagens. Foram duas. Li no sol, na chuva, na praia, na praia com chuva, na cama, no carro, na outra praia e finalmente, nesse quarto de hotel de onde saio no dia seguinte, tão perturbada, que percorro longas horas de viagem sem conseguir fechar os olhos por um segundo.

Um clássico, autor criador do realismo mágico, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura. Antes de começar já me enchi de expectativas. Fiz tudo certo. Mas não me exigiu nenhum esforço, perceber o que levou Gabriel Garcia Marques a acumular tantos bons adjetivos.

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O vilarejo fundando por José Arcádio Buendia, o pai da estirpe e sua esposa, Úrsula Iguaran, é mais que um cenário: acompanhamos 100 anos de Macondo como uma personagem viva no enredo. Lá se dá início à história de uma família onde todos os nomes se repetem tantas vezes que é preciso desenhar sua árvore genealógica para não se perder.

Em suas primeiras linhas o romance anuncia que o Coronel Aureliano estaria no paredão de fuzilamento. Quando cronologicamente, a história está chegando ao paredão, o autor solta algo como “quando velho, o Coronel se lembrará de quando esteve no paredão de fuzilamento”. Essa forma de escancarar os fatos sem preparo ou piedade do leitor, fez eu me envolver cada vez mais na obra para saber como as coisas teriam ocorrido.

Por outro lado, o descompromisso com a realidade, os acontecimentos pitorescos, inusitados, fantáticos, que começam e terminam sem explicação alguma, dão os tons da fantasia e poesia tão intensos para Cem Anos de Solidão, que, por diversas vezes me levaram à necessidade de encerrar a leitura, pelo menos por aquele dia.

O chão e os telhados cobertos de flores amarelas, as casas brancas, depois azuis, depois vermelhas. O homem que deixava rastros de borboletas amarelas por onde passava, as florzinhas de açafrão que brotaram das roupas a tanto tempo na chuva, as letras que pareciam peças amarrotadas no varal, a mulher mais linda que existiu e que subiu aos céus em asas de lençol. São alguns dos meus momentos preferidos.

O pai, José Arcádio Buendia é um sonhador créduto, uma espécie de Dom Quixote Latino-americano, deseja travar guerras sem inimigos, deseja ficar rico a todo custo mas tudo que consegue é deixar o peso de dar suporte aos Buendía  para sua esposa Úrsula, uma mulher forte e destemida, controladora e que toma para si o comando de uma família cheia de pessoas peculiares e histórias malucas entrelaçadas.

Alguém pode perguntar que, se tem tanta gente tantas coisas acontecendo o tempo todo, onde está a solidão? Ela está lá o tempo todo. Ela está nas pessoas. Na construção de cada personagem complexo, entretido em seus deveres, ideologias,  apegados em qualquer fiapo de vida para não encarar o fato de que no universo que existe dentro de cada um de nós, estamos sempre sozinhos.

Impressões

Sou apenas uma leiga tentando registar minhas impressões de leitura neste blog. Além disso faço questão de não ler muito sobre a obra, para não “contaminar” minhas sensações com teorias e comparações de pessoas que conhecem melhor a literatura. Provavelmente se fizesse isso, ficaria com a sensação de que estou “sentindo errado”.

Mas neste livro, passei por algo diferente. Enquanto concluía minha viagem, pesquisei tudo que podia sobre a obra na internet. Pensei em começar a escrever este texto no caminho mas eu estava insaciável. Li tudo sobre o autor, sobre a obra, sobre o início inesquecível, sobre o final perplexo. Não conseguia parar. Quando não encontrei mais nada, comecei a ler outro livro que eu já havia lido porque precisava preencher o vazio que ficou. Precisava de explicações. Precisava de qualquer coisa.

Durante a viagem encontrei e li, em uma das casas onde estive, uma edição que incluía o discurso do Nobel além de outras histórias sobre o autor.

De qualquer forma, demorei tanto tempo pra falar sobre o livro que a maior parte do que li já esqueci, mas o que me marcou foi o autor dizer que ele escreve uma história da América Latina, de um povo que busca um rumo, um povo que é muito parecido com o que o Europeus foram há não muito tempo, e que ainda assim, é visto por estes, como exóticos ou pouco evoluídos.

O realismo fantástico é a expressão de coisas simples e que pra nós são corriqueiras, mas que vêem carregadas de emoção. Para os povos “mais evoluídos” pode parecer banal ou estranho, mas ler este livro é mergulhar num poço de emoção e identificação.

É como eu perceber que a cada dia ou hora que entro na minha casa ela tem um cheiro diferente, de uma comida que não está sendo feita, de um incenso que não foi queimado ou de alguém que não esteve lá. É como eu me sentir amiga do meu vizinho que não conheço só pelas músicas que ele ouve mas se eu o encontrar no elevador não vou saber quem é. É eu ver o país desabando em corrupção, em guerras políticas e me divertir porque é o que está a meu alcance agora.

E tudo pode ganhar uma explicação simples como a ventilação compartilhada entre os apartamentos, a identificação musical ou os boletos que não posso deixar de pagar. Mas o realismo fantástico é decidir simplesmente olhar pra poesia do dia a dia e seguir em frente, sem grandes explicações porque as pequenas doses diárias de emoção não podem ser desperdiçadas.

 

Por Patrícia Bedin.

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As Intermitências da Morte

JOSÉ SARAMAGO, Companhia das Letras, 2005.

"Não há nada no mundo mais nú que um esqueleto"

Desde que conheci José Saramago, venho estocando seus livros porque afinal, não são fáceis de encontrá-los em promoção. Quando comecei a trabalhar na Universidade e encontrei “As intermitências da Morte” decidi que ele deveria passar à frente dos outros afinal, meu contrário era temporário e a biblioteca, grátis. Foi assim que o levei comigo durante minhas primeiras férias. Um livro pequeno, porém denso, como os outros. Já havia escutado muitas boas recomendações então, era sucesso certeiro.

“No dia seguinte ninguém morreu”. É o pontapé inicial para o leitor simplesmente querer entender os porquês e definitivamente, leva algum tempo para aceitar que é possível, que os porquês não sejam importantes.

O livro é dividido em duas partes, na primeira o autor narra as implicações de que, em um país inteiro, ninguém mais pode fazer a passagem. A situação toma forma de caos e há os desdobramentos políticos de um fato como este. Há também o meu entrelaçamento de preguiça e procrastinação que me fez levar dois meses e duas viagens para chegar ao fim desta parte porque talvez, eu não estivesse realmente interessada em pensar profundamente sobre as relações políticas.

Então chegou a segunda parte, onde conheci a Morte, aquela com M maiúsculo, da foice e do manto preto, que resolve voltar ao trabalho da forma mais irônica e inimaginável. Foi por esta Morte que, a leitura de um livro arrastada por sessenta dias acabou em prantos em poucas horas.

Impressões


“não há nada no mundo mais nú que um esqueleto”

Cada final de livro emocionante é um ou mais dias de reflexão e muitas vezes, tristeza. Outras vezes, satisfação. Este me rendeu um fim de semana tentando materializar com tinta e papel minha própria ideia desta que muito se fala, e pouco se sabe. Como elogio ganhei uma promessa de que, sem metáforas, minha Morte seria tatuada.

Obrigada Saramago, obrigada Elen, Obrigada Morte.

*por Patrícia Bedin.

Lições de Amor em 10 Clichês – 10ª Lição: Águas Passadas Não Movem Moinhos

*Este texto é parte da série “Lições de Amor em 10 Clichês” Clique aqui para conhecer

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Das poucas certezas que tive na infâncias, todas diziam respeito ao futuro. Eu acreditava que quando adulta, todas minhas dúvidas estariam sanadas pois para mim, os adultos não tinham aflições, sabiam todas as coisas.

A pouco tempo desisti de esperar por este dia e aceitei que  nunca serei aquela adulta que imaginei quando criança.  Aos 18, nada aconteceu. aos 20, também não. Aos 28 em vez de constatar que estou cada vez mais rica, feliz e sábia,  me sinto frequentemente como aquela menina de 8 anos, feliz porque ganhou um lápis de cor novo, e triste porque não sabe a melhor maneira de usá-lo.

Somos criados para vencer mas esquecemos de nos preparar para as derrotas. Quando percebemos, somos pegos na queda da montanha russa fechando os olhos para não ver a merda. Estamos diante de impasses com maior freqüência do que gostaríamos.

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E ao final destes impasses, nos encontramos em momentos que ficamos de mão atadas, só nos resta sentar e chorar. E não é proibido, faça-o. Esgote até a ultima lágrima para que nenhuma dor seja introjetada. Deixe a dor sair.

É aqui que começa a  última lição. Podemos chorar e gritar mas para sobrevivermos a esta montanha russa, precisamos saber recomeçar. Quando somos preparados só para vencer, não desenvolvemos resiliência, capacidade de superar problemas.

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Um fim de relacionamento é como voltar de um sonho bom – ou ruim – ou como apagar um personagem de uma história que durou anos, ou ainda, como voltar de um universo paralelo onde uma parte de você não existe mais, diariamente. Os amigos, a família, o convívio, os lugares, está tudo pela metade. Tudo foi mutilado.  Mas quando temos resiliência, podemos ver a vida a partir deste momento, como uma casa nova recém-mobiliada. É tudo diferente, mas é novo e bonito. É a oportunidade mais oportuna possível: a de fazer melhor.

A primeira oportunidade está em mudar alguns valores sociais que acumulamos e que nos torna escravos do olhar alheio, o primeiro deles, acreditar que somente com um relacionamento a vida tem sucesso, como se a vida a só fosse um castigo, uma incompetência. Quando trabalhamos nossa autoestima, nossas qualidades, quando nossa vida é repleta de coisas que amamos, não precisamos de alguém para nos completar. Mas se “alguém” chegar, será convidado a somar e compartilhar.

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A segunda oportunidade é a de rever racionalmente nossos comportamentos destrutivos. Se você quer um novo relacionamento, é preciso se educar para não cometer os mesmos erros, os quais costumam estar pautados basicamente em orgulho e egoísmo. Pense em tudo que você e o outro fizeram de prejudicial para a convivência e o amor, qualquer que for a resposta, se emcaixará em um destes defeitos.

Assim, quando uma próxima pessoa chegar você já sabe o que fazer. Ela pode querer estar ao seu lado ou não. Você o mesmo. Você pode acreditar que estar sozinho pode ser melhor. Nem que seja por um tempo. Mas a certeza de que, se permanecer a dois haverá espaço infinito para voar e ninguém terá suas asas tolhidas, você sempre pode oferecer.

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Fundamental é voltar à vida pulsaste, com os valores e comportamentos renovados por que quem sabe, este novo relacionamento pode ser até com a pessoa antiga?!  Quando nos esforçamos para deixar as falhas no passado, nos redescobrimos como pessoas melhores e nos abrimos para enxergar o melhor em nós, no mundo e no outro. Ou, resumindo em Guimarães Rosa, viver é um rasgar-se e remedar-se.

 

Por Patrícia Bedin. 

 

 

Reflexões sobre moda – volume III

JOÃO BRAGA, São Paulo: Anhembi Morumbi, 2006.

reflexoes sobre moda Como o autor já deixa claro no prefácio, este é um livro voltado para iniciantes. Mesmo assim eu continuei lendo, porque afinal, ele tem 90 páginas que se passaram bem rapidinho. Como o título também deixa claro, são reflexões que em cada capítulo, fala brevemente de assuntos que na minha opinião são sim, muito pertinentes para aqueles que estão começando a estudar o assunto.

Os serem humanos cobrem o corpo por proteção, adorno e pudor, a ornamentação foi provavelmente o primeiro motivo que levou o homem a se cobrir – o autor diz que nós, os serem humanos somos muito sem-gracinha quando estamos nus e quando vimos, lá na pré-história, outros animais ostentando suas penas e peles coloridas e estilizadas, sentimos a necessidade de fazer o mesmo.

Fala também sobre as jóias, sua importância, suas principais concepções, definições, da Idade Antiga ao século XXI; das hierarquias sociais à astrologia. Mas fala também da grande quantidade de mudanças significantes que aconteceram na moda em apenas 100 anos, durante o século XX. Fala sobre a moda masculina, esta tão abandonada na história, afinal, moda é coisa de mulher, e fala ainda da relação da moda conceitual com a arte, afinal, a moda conceitual, esta tão louca que ninguém vai usar, é a moda concebida muitas vezes a partir de uma criação com tendência artística visando transmitir um conceito, mas que também é a que mais vai influenciar as criações comerciais e quando menos vêem, as pessoas que estavam lá dizendo que moda de passarela não serve pra nada, estão usando o “suéter azul celeste” (o recalque fica por minha conta).

Senti bastante falta de imagens, porque apesar dos assuntos serem uma boa introdução a este mundo, se o leitor não tiver conhecimento algum de história da moda, ele vai ficar perdido. Mas não é impeditivo, nada que não possa ser resolvido com a ajuda do Google, como eu mesma fiz ao ler sobre lapidação, gemas e pérolas.

Ao final do livro tem-se a bibliografia completa mas acredito que seria mais interessante que o autor tivesse indicado ao final de cada capítulo quais livros ele consultou, assim, se o leitor quiser aprofundar seus conhecimentos no assunto, poderia consultar a mesma fonte, afinal assuntos inesgotáveis, quanto mais se sabe, mais se quer saber.

Patrícia Bedin. 

DESIGN PARA QUEM NÃO É DESIGNER: Noções Básicas de Planejamento Visual

ROBIN WILLIAMS, 2006, 2ª Edição, Callis.

Segundo a autora este é um livro para pessoas que precisam utilizar o design no dia a dia mas não tem tempo para estudar a fundo o assuntos pois precisam ser práticas. Apesar desta colocação modesta, vejo o livro sendo utilizado com muita frequência por estudantes e iniciantes e acredito que ele é realmente um manual prático, um livro de cabeceira que contém muitas informações importantes e relevantes, enfim, apesar da proposta sem simples, o livro é essencial.

Ele trata primeiramente dos os 4 princípios básicos do design – Proximidade, Alinhamento, Repetição e Contraste. Em seguida sobre Tipologia – categoria de Tipos, Concordância, Conflito e Contraste entre eles.

A cada princípio apresentado, Robin dá exemplos práticos comparando a imagem mal diagramada em relação à imagem com a diagramação corrigida, ou seja, com seus elementos dispostos segundo os conceitos apresentados previamente, como na imagem a seguir.

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Usando este recurso no decorrer do livro, a autora torna fácil a aprendizagem e a fixação sobre a utilização de contrastes, alinhamentos, tipos, etc.

Como eu já havia aprendido a maior parte dos conteúdos em outros momentos, por outros meios e por observação, o livro me ajudou muito na sintetização da teoria e na aquisição de conhecimentos sobre alguns detalhes sobre a Tipologia principalmente, que eu nunca aprenderia sozinha. Também pude entender no que que estive errando e acertando.

Impressões: #designparaquemnaoedesignerporummundomaisbonito

Como pessoa que gosta de ver o mundo exageradamente bonito e organizado, diria que todo mundo deveria ler este livro: designers, não-designers, desenhistas, modelistas, engenheiros, pedreiros, professores, cozinheiros, motoristas, lixeiros, vendedores, dentistas, pintores de parede……

Memórias de Minhas Putas Tristes

GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ, Record, 2005.

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Desde que comecei o projeto deste blog, há mais de dois anos, procuro descobrir e algumas vezes ler, romances reconhecidos como “geniais” ou “obras primas”. Claro que este projeto não anda a todo vapor mas já consigo entender porque alguns escritores são tão aclamados. Depois de José Saramago,  planejei ler Virginia Woolf ou Gabriel García Márquez porém continuei sem iniciativa ou coragem de encarar “100 anos de solidão” ou “Mrs. Dalloway”. Mas felizmente para puxar este carro, ao passar por uma pequena livraria sem muita esperança, “Memórias de minhas putas tristes” caiu no meu colo, meio que sem querer, meio que por acaso,  muito que com super desconto de dia da mulher, então o levei para casa.

Assim, num belo domingo triste, porque raramente consigo fazer coisas interessantes ou diferentes quando estou feliz ou quando não é domingo, decidi começar a ler esta história de um velho com cara de cavalo que decide comer uma puta virgem no dia de seu aniversário de 90 anos. Um velho falido, rabugento, que passou quase 100 anos se esquivando de qualquer tipo de relacionamento sério, fazendo somente sexo pago, sem nunca ter se apaixonado e que agora, aos 45 do segundo tempo, começa a descobrir o que é perder a cabeça de amor.

Ele conta sobre sua família, sua carreira, fala sobres a velhice coisas que podem fazer qualquer um se identificar, em qualquer idade.

…a gente continua se vendo por dentro como sempre foi, mas de fora os outros reparam.

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Impressões

Esta foi a primeira vez que tive vontade de ler um livro duas vezes.

Esta foi a primeira vez que li um livro de adulto em um dia. Isto aconteceu no domingo anterior à morte do autor.

Fico me perguntando porque as pessoas deixar de ser simplesmente pessoas e passam a ser um prêmio. O nome do cara e “o Nobel de Literatura” passam a ser sinônimos. Fico no empasse em achar que isto apenas certifica que ele é um cara foda  ou coisifica o autor, colocando-o na caixinha dos “Nobel”. De qualquer forma, vou procurar olhar pelo lado positivo e ficar com a primeira opção, já que a emoção que senti me faz concordar.

Me senti feliz por ter apenas 28 e ter me dado o luxo de já ter passado por experiências que qualquer velho de 90 anos possa ter passado a vida evitando. Passei minha adolescência toda me apaixonando todo dia igual o Renato Russo, e custo a acreditar que alguém consegue chegar aos 20 sem que isso aconteça. De qualquer forma, fico feliz por ele ter descoberto o amor, mesmo sendo só mais um velho, safado, falido, com cara de cavalo.

Patrícia Bedin

 

A Viagem do Elefante

JOSÉ SARAMAGO, Companhia das Letras, 2008.

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Em 2012 li O Ensaio Sobre a Cegueira. Depois do livro ter mexido intimamente comigo, li também O Evangelho Segundo Jesus Cristo e Biografia de José Saramago. Depois disso não li mais nada, mas comprei vários livros do autor esperando que ele falassem comigo, talvez?!

Enfim resolvi escolher o próximo e como já tinha desistido de ler Levantado do Chão logo no começo, resolvi escolher aquele que me disseram, ser o “livro mais divertido” do autor.

Pois bem. A viagem do Elefante retrata um acontecimento histórico do século XVI, quando o Rei João III de Portugal, resolve dar um Elefante de presente para o arquiduque Maximiliano da Áustria e é preciso transportá-lo até Viena.

O Elefante Salomão atravessa meia Europa  e Saramago descreve, num conto, a viagem de toda uma caravana que foi preciso para cumprir esse capricho do rei.

Desta “viagem” o trecho que mais me fez rir foi quando o tratador de Salomão, Subho, conta para alguns companheiros sobre a história de Ganexa, um deus indiano com cabeça de elefante. Mesmo Subho sendo bem detalhista sobre a história indiana, como num telefone sem fio, no dia seguinte, alguns já sabendo da “novidade”, buscam um padre para exorcizar Salomão pois haviam entendido que o tratador, acreditava que Salomão era Deus. Típico da falta de comunicação entre os homens.

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Acredito que eu esperava mais da obra devido a grande propaganda que ouvi. Mas durante a leitura foi difícil ficar presa e esperando ansiosa pelas próximas cenas.

Só mesmo entre uma citação e outra me “liguei”, mas nem o fato da obra ser baseadas em fatos reais fez com que eu me interessasse fortemente.

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Comecei a ler em setembro e entre idas e vindas, terminei em abril.

Já sei que para o próximo Saramago devo escolher um assunto mais contestador que um animal indiano atravessando os Alpes Suíços.