Arquivo mensal: agosto 2014

Memórias de Minhas Putas Tristes

GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ, Record, 2005.

memorias

Desde que comecei o projeto deste blog, há mais de dois anos, procuro descobrir e algumas vezes ler, romances reconhecidos como “geniais” ou “obras primas”. Claro que este projeto não anda a todo vapor mas já consigo entender porque alguns escritores são tão aclamados. Depois de José Saramago,  planejei ler Virginia Woolf ou Gabriel García Márquez porém continuei sem iniciativa ou coragem de encarar “100 anos de solidão” ou “Mrs. Dalloway”. Mas felizmente para puxar este carro, ao passar por uma pequena livraria sem muita esperança, “Memórias de minhas putas tristes” caiu no meu colo, meio que sem querer, meio que por acaso,  muito que com super desconto de dia da mulher, então o levei para casa.

Assim, num belo domingo triste, porque raramente consigo fazer coisas interessantes ou diferentes quando estou feliz ou quando não é domingo, decidi começar a ler esta história de um velho com cara de cavalo que decide comer uma puta virgem no dia de seu aniversário de 90 anos. Um velho falido, rabugento, que passou quase 100 anos se esquivando de qualquer tipo de relacionamento sério, fazendo somente sexo pago, sem nunca ter se apaixonado e que agora, aos 45 do segundo tempo, começa a descobrir o que é perder a cabeça de amor.

Ele conta sobre sua família, sua carreira, fala sobres a velhice coisas que podem fazer qualquer um se identificar, em qualquer idade.

…a gente continua se vendo por dentro como sempre foi, mas de fora os outros reparam.

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Impressões

Esta foi a primeira vez que tive vontade de ler um livro duas vezes.

Esta foi a primeira vez que li um livro de adulto em um dia. Isto aconteceu no domingo anterior à morte do autor.

Fico me perguntando porque as pessoas deixar de ser simplesmente pessoas e passam a ser um prêmio. O nome do cara e “o Nobel de Literatura” passam a ser sinônimos. Fico no empasse em achar que isto apenas certifica que ele é um cara foda  ou coisifica o autor, colocando-o na caixinha dos “Nobel”. De qualquer forma, vou procurar olhar pelo lado positivo e ficar com a primeira opção, já que a emoção que senti me faz concordar.

Me senti feliz por ter apenas 28 e ter me dado o luxo de já ter passado por experiências que qualquer velho de 90 anos possa ter passado a vida evitando. Passei minha adolescência toda me apaixonando todo dia igual o Renato Russo, e custo a acreditar que alguém consegue chegar aos 20 sem que isso aconteça. De qualquer forma, fico feliz por ele ter descoberto o amor, mesmo sendo só mais um velho, safado, falido, com cara de cavalo.

Patrícia Bedin