Desenhando a Superfície

RENATA RUBIM, Edições Rosari, 2004.

Desenhando a Superfície

Em Desenhando a Superfície, Renata Rubim fala sobre as definições do termo “design de superfície” ou “surface design”, qual a importância deste trabalho, suas aplicações e métodos de criação.

Para a autora,  primeiramente é preciso distinguir o trabalho do designer de superfície de outras atividades como a artística e a artesianal, porque apesar das três poderem ter traços comuns, o trabalho do design é conceitual e projetual, ou seja, está focado em criar com o objetivo de atender às necessidades específicas de uma indústria para atingir determinado mercado consumidor, enquanto por exemplo, o trabalho do artista é livre, de intelectual valorizado, e não é produzido em série.

Fazer esta distinção é importante uma vez que o surface design possui fins decorativos e artísticos. Na França é um trabalho também chamado de  “arte decorativa” e diz respeito a uma arte aplicada.

Projeto Café do Porto, 1997. Por Renata Rubim. Ver no site

Projeto Café do Porto, 1997. Por Renata Rubim. Ver no site

É possível afirmar que o design de superfície se preocupa com fins estéticos, sendo suas aplicações mais comuns os materiais têxteis – peças de vestuário, tecidos com estampa corrida ou localizada, tapetes, peças de cama, mesa e banho – materiais cerâmicos como louças e pisos além de matérias plásticos e emborrachados. Também é aplicável o termo “design de revestimento“.

Sendo na maioria das vezes um trabalho bidimensional, pode também ser tridimensional como no caso de trabalhos com textura e relevo.

Para a criação de estampas, Rubim ressalva a importância de três fatores principais: desenho, criatividade e trabalho com as cores.

Desenho: mesmo que o designer não possua conhecimento profundo de técnicas de desenho, é importante iniciar o processo de criação com desenho manual para esboços ou melhor compreensão do projeto a ser desenvolvido.

Criatividade: através dela é possível atingir resultados originais e únicos.

Cores: a determinação das cores em um desenho é fundamental para o sucesso ou fracasso de uma trabalho. Para Renata:

“a cor é o elemento determinante da atração ou repulsa do objeto pelo espectador. Ela “abre” ou “fecha” o canal de comunicação entre  esses dois pólos.”

Projeto Frangmentos Compostos - 2010, por Renata Rubim. Ver no site

Projeto Frangmentos Compostos – 2010, por Renata Rubim. Ver no site

A autora cita dois tipos principais de processos de criação sendo eles com referências conceituais ou referências visuais.

Utilizando uma referência conceitual o design parte de ideias e conceitos para fazer livre associações de cores, texturas e formas.

Utilizando Uma referência visual (imagem ou conjunto de imagens), é possível encontrar “pistas” de elementos, extraindo formas cores e texturas, visualizando-as ampliadas ou reduzidas, etc.

 E apesar das duas formas de criação serem válidas, a segunda garante resultados menos óbvios, independente se o projeto possui um briefing ou não uma vez que, no primeiro caso – referência conceitual – é provável que o design parta do conceito do próprio projeto para sintetizar as ideias do desenho, através de um mapa mental, ou outra ferramenta do gênero.

Para treinar e facilitar o processo de criação, a autora dá algumas sugestões:

  • Fazer cópias ampliadas e reduzidas, em preto branco, de uma boa foto ou obra de arte. Em seguida extrair com papel manteiga ou vegetal, tudo que parecer visualmente interessante como forma composição, ritmo, textura, etc;
  • Utilizar fotos ampliadas da natureza para extrair formas e combinação de cores;
  • Utilizar uma foto para extrair composições de cores que considerar interessantes.
  • Em uma folha colocar 3 imagens formando um triângulo. Tentar preencher o espaço central em branco, de forma que as 3 imagens fiquem unidas.

Para finalizar a autora lembra a importância de conhecer o cliente (empresa e/ou público alvo) para quem se está criando e do papel social do designer, sobretudo, em dividir seu conhecimento em busca de um trabalho que ande lado a lado com a solidariedade, a humildade e a generosidade.

Para conhecer mais sobre o trabalho de Renata Rubim, clique aqui.  Também disponível no site, o portifólio da Designer, indicações de livros, um pouco de história do design de superfície, entre outras coisas interessantes. 

Impressões

Minha primeira impressão ao pesquisar por design de superfície foi de esperança. Esperei por algo que me ajudasse a entender este conceito. Este livro fez isso muito claramente e foi além: agora consigo ver como tudo é –  ou pode ser – uma superfície pronta para ser decorada, revestida, desenhada.

Ao longo do texto a autora faz alguns questionamentos que realmente valem a pena serem discutidos: onde começa e acaba o trabalho de um designer de superfície, ou de um designer gráfico ou arquiteto? Quando um está fazendo o trabalho que aparentemente seria do outro? Esses questionamentos realmente fazem alguma diferença? Ou qual o papel do designer na sociedade? O que posso fazer para melhorar a vida da minha comunidade?

São perguntas válidas para manter viva a inquietação nossa de cada dia.

Por Patrícia Bedin. 

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