Arquivo mensal: outubro 2013

O Outro Lado da Vida

SYLVIA BROWNE, Sextante, 2008.

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Nesta minha onda de ler livros espiritualistas, este é mais um que chegou até a minha de bom grado. Os escritores americanos que falam sobre assuntos espirituais, em geral, falam muito deles mesmos, do que vêem, se seus “clientes”, suas experiências, mas ao contrário dos outros os quais eu já relatei*, este me despertou mais desconfianças do que o aceitável.

Mediunidade

Em vários momentos, a autora  é tão precisa quanto às suas visões que parece impossível  as coisas se mostrarem tão claramente. O que me leva a duas hipóteses: ou ela é uma médium muito muito foda mesmo, ou uma charlatã, porque por exemplo, ao comparar esta obra com os livros de Allan Kardec, estes, apesar ter respostas precisas para todas as perguntas, sempre deixam em aberto a análise das situações, ao contrário da obra em questão.

Sylvia conta que seu espírito guia, é o espírito de uma mulher que viveu no império Inca. Espírito que aparentemente, não tem nada a ver suas ligações emocionais ou familiares. Alguém muito distante. Este espírito fez muitas revelações à Sylvia, contando por exemplo, que ela está em sua 54ª encarnação e a última. Sabe também, que sua neta é a reencarnação de sua avó e que também é médium.

Segundo a doutrina espírita, nós nos esquecemos de quem fomos em vidas passadas porque não é relevante para o momento atual, uma vez que, os aprendizados já passamos, ficam gravados no espírito, além de sermos muito frágeis para carregar toda a culpa dos erros que já cometemos.

Mas para a autora, o contato com o outro lado, é um dom que todos podemos trabalhar para saber quem fomos em outra vida. Assim, ela incentiva o desenvolvimento da mediunidade para descobrir coisas irrelevantes, uma vez que se o fossem,  não demandaria tanto esforço para descobrir.

Plano de Encarnação

Sylvia ensina que nosso plano de encarnação é bem específico, contendo um tema primário e um secundário escolhidos dentro de 44 temas existentes, para que tais qualidades sejam desenvolvidas durante a vida estando relacionadas com nosso ambiente familiar, social, profissional. Entre eles alguns exemplos são: liderança, passividade, mediunidade, emotividade, temperança, paciência, busca estética.

É uma questão interessante, porque ao ler este capítulo consegui me identificar com alguns temas e lembrar de pessoas que se identificam com outros de forma tão profunda que é possível, que já tenhamos todos, decidido isto antes de chegar nesta vida.

Existe gente sem conserto

O livro fala de três tipos de entidade: negras, cinzentas e brancas. Estas últimas, claro, são seres celestiais – anjos, querubins, etc. As cinzentas são em geral pessoas comuns, com um pouco de maldade e bondade, e as negras, são aquelas sem conserto, com as quais não devemos gastar tempo e energia para tentar ajudar. A autora exemplifica ainda que sua mãe era uma entidade negra.

Realmente, acredito que existem pessoas que devemos nos afastar porque suas presenças nos fazem mal. Mas devemos aceitar que esta reação é relativa. Uma pessoa pode parecer uma “entidade negra” para mim, mas ter uma relação amigável com outra pessoa. E o mais importante, muitas vezes estas pessoas de energia pesada, não estão focadas em praticar o mal para alguém, seu problema é que não conseguem desenvolver o  bem dentro de si, então, se for aberto precedente para que ninguém a ajude a ser melhor, como ficamos? Estagnados? Não parece óbvio que desenvolver nosso lado egoísta, orgulhoso, invejoso é mais fácil do que desenvolver o lado compreensivo, paciente, generoso?

Para comprovar que este precedente, já ouvi de outras pessoas legais que leram o livro que no momento em que leram este trecho já identificaram as “entidades negras” em sua vida. Então, se eu aceito que existem pessoas sem conserto, aceito que vamos evoluir e sermos pessoas melhores, mas que alguns podem ficar para trás. Fodam-se eles.

Por fim, mas não menos chocante, a autora também não acredita em perdão e não o incentiva porque acha algo muito grande para nós pobres mortais. “Não vou perdoar ninguém porque não sou obrigado!” – é como soa sua colocação.

IMPRESSÕES

Muito incentivo ao que ela chama de “autodesenvolvimento” e pouco preocupação com o todo. Nada de ajudar as “entidades negras” a se tornarem “entidades cinzentas”, nada de perdoar faltas graves, porque isso é coisa pra Deus. Para mim, não é útil  falar em espiritualidade ou religiosidade se a abordagem não for coletiva.

A autora quer ajudar a desenvolver a mediunidade com meditações no estilo “Agora… imagine… você uma sala grande… com paredes verdes……….imagine você numa bolha de luz….” É bom para relaxamento, mas para ver “o outro lado”? Será?

Tenho a impressão de que a Sylvia Browne fala um monte de coisas que agradam pessoas que não estão a fim de fazer um esforcinho para se tornarem melhores mas que gostam de massagear o próprio ego e assim, ela ganha um monte de seguidores, porque gente acomodada no mundo, não falta.

por Patrícia Bedin

*Tão Longe de Casa – A vida após a morte e Conversando com os Espíritos 

Paz e Bem, Irmão

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Eu sempre fui do tipo a afirmar que mudanças são possíveis. Posso ser uma pessoa melhor se eu quiser. Você, velhinho de 80 anos, pode ser maratonista se quiser. Você pessoa amargurada e ranzinza, pode ser feliz se quiser. Mas quem realmente quer?

Na prática, atitudes que permeiam verdadeiras mudanças, demandam um trabalho árduo e diário. É preciso correr atrás. Desde que me  propus a ser uma pessoa melhor, sempre que algo dá errado, a Patrícia do futuro vem, com pena, e diz para a Patrícia do passado:

“_Não, se aflija, você consegue, você errou de novo, mas está errando menos que na semana passada”.

E quando o trem da perseverança começa a descarrilhar ela vem e cola um link para que a Patrícia do passado releia um texto fundamental nestas mudanças, onde diz:

“Quando for entrar em pânico, respire.”

Neste texto que conheço a pouco mais de um mês, diz também para passar um dia sem reclamar. Nesse período, já tentei em torno de 12 dias (a quantidade que eu me lembro de ter contado oficialmente) não reclamar. Fracassei em todos as tentativas. Mas eu tenho a Patrícia do Futuro para me consolar e dizer que amanhã é uma nova oportunidade de eu começar a me tornar uma pessoa menos reclamona, uma vez que o fracasso já me mostrou que realmente o sou.

O que eu ganho com isso

Você sabe o que é paz? Pense. Descreva o que é paz com suas palavras.

Agora pense no quanto a paz é importante para sua vida.

Imagine como sua vida seria se você não retrucasse o mal, se você simplesmente deixasse passar. Aquela ofensa no trânsito, aquela grosseria do colega de trabalho que ficou atravessada na sua garganta. Imagina que louca a hipótese de simplesmente deixá-la passar ao invés de ficar arquitetando como vai dar o troco na primeira oportunidade que você tiver.

Quer tentar?

A Patrícia do Futuro, é aquela que eu quero ser. Pacífica e relaxada, convicta de que maus pensamentos não a levarão a lugar algum.  A Patrícia do Passado, é aquela cheia de maus adjetivos decorrentes da negatividade que a rodeia.

Em busca de Paz, a Patrícia do Presente vive entre as duas. Num duelo sem fim de anjinho e capetinha sentados em seus ombros, como no desenho do pica-pau, ela segue tentando desligar a panela de pressão que existe dentro de si e sentir a paz que vem enquanto o barulho do apito vai se esvaindo. Parece chato, parece coisa de mocinha de novela.

Mas a Patrícia do Presente tem a certeza de que cada um pode pensar o que quiser, ela pensa que a paz é massa. Nada a impede de mudar os planos futuramente, mas é a certeza que a Patrícia do Presente tem, de que pode encontrar a paz, não nas pessoas, não nas coisas, não aceitando Jesus, não em lugares, mas dentro dela mesma. E que a paz, aparentemente, é seu melhor caminho para encontrar a Felicidade.

Patrícia Bedin