Lições de Amor em 10 Clichês – 9ª Lição: Quando o Amor se Ausenta, a Dor se Instala

*Este texto é parte da série “Lições de Amor em 10 Clichês” Clique aqui para conhecer

derby

Acabou, não deu. Você tentou de tudo que ainda estava ao seu alcance mas chegou ao fundo do poço. Está fumando um Derby sentado na beira da calçada.

Sob uma marquise enquanto se protege do temporal, você pensa: como vim parar aqui? E em sua cabeça passam milhares de respostas e nenhuma. Tudo é tão nebuloso quanto a chuva que está à sua frente.

Neste momento, pular da janela do nono andar parece a única solução, mas tenha calma. Respire e conte até mil se precisar.

Seu desejo mais forte depois de querer voltar no tempo (seja para “antes de eu ter conhecido aquele infeliz” ou antes de tudo ter desandado), é acabar com a dor. É normal.

A dor possui várias fases e querer morrer é apenas uma. Você vai parar de comer. Com sorte vai voltar a comer. Depois vai comer demais, porque o que não mata, engorda. Vai pensar nas crianças-mudas-telepáticas para se sentir melhor. Vai ter a brilhante ideia de escrever uma série de textos sobre amor, para ver se aprende alguma coisa. Tem aqueles que se isolam e aqueles que bebem pra esquecer. Nesse mundo tem coração partido de todo jeito.

Por que dói tanto?

please don't go

Como já vimos na aula anterior, relacionamentos de qualquer natureza são sempre lições de amor permeadas de oportunidades de aprendizado mas, infelizmente, temos dificuldade em aprendê-las em tempo real, e acabamos chegando ao limite, quando o amor já não se sustenta mais. É por isso que dói. Porque você não reconheceu os sinais mais simples, porque reconheceu e não fez nada. Dói por não ter mais aquela pessoa ao seu lado – o clássico “só dá valor quando perde” – ou ainda, só porque é triste o fim, todo amor se acabou. Enfim, dói porque você foi um babaca.

A dor vem para que você, pobre mortal, olhe para si e para suas atitudes e veja o quanto precisa aprender sobre relações humanas: companheirismo, humildade, generosidade… e todas essas coisas que já foram citadas nas outras 8 lições anteriores. Fatores básicos, e, se no decorrer você não se tocou, vem a dor para te mostrar o quanto você é insignificante diante da grandeza e da complexidade da vida e então, poder se tornar uma pessoa melhor, transformar esse sofrimento em algo bom.

Uns aprendem mais, outros menos. Há os que não aprendem nada. Mas estou certa de que um dia, até mesmo estes se lembrarão do dia em que deixaram de dizer “boa noite” por orgulho, ou que não compraram um presente de aniversário porque “meu namorado não merece isso” ou que não quiseram ter aquela conversa importante porque é “chato e eu estou cansado”. E então a ficha irá cair. Pode levar anos. Não conheço uma alma que saiu ilesa de um término de namoro ou casamento. Se você conhece, afaste-se, esta pessoa não tem alma.

O que é mesmo que eu deveria ter aprendido?

chuva janela

Se você pensa que o tempo que durou o relacionamento foi pouco tempo para aprender tudo, saiba que amor verdadeiro é uma escola onde você está matriculado desde o dia que reconheceu aquela mulher que trocava sua fralda, como “a mamãe”.

Paixão, na sua raiz, é sexo e acaba. Mas o amor que você deve sentir por aquela pessoa que escolheu para dividir suas aflições, alegrias, a casa e os filhos, é bem parecido com o que você sente (ou deveria sentir) pela família com quem conviveu pelo menos 20 e poucos anos, seus amigos mais próximos e seu cachorro.

Esses dias, com a ajuda de uma amiga, conclui que é preciso amar as pessoas como se elas fossem o seu bichinho de estimação, porque se você para pra pensar, na verdade elas são. A diferença é que somos menos tolerantes porque esperamos que elas errem menos, já que os bichinhos comem sapatos, fazem xixi fora do lugar, derrubam coisas e fazem manha, porque são irracionais.

Mas aceite que todos nós agimos irracionalmente o tempo todo – estou certa de que alguma universidade americana já provou isso. Ciúmes, vaidade, inveja, jogos de poder, pedidos de atenção. No fundo, atitudes deste tipo não fazem muito sentido mas acabam permeando nosso dia a dia. Por que será que o assunto inteligência emocional é tão interessante e recorrente na atualidade? Talvez porque seja algo que, nós humanos, temos pouquíssimo domínio, literalmente.*

Logo, para aprender amar é preciso entender que as pessoas não são perfeitas, erram, e você precisa ter paciência com elas, assim como elas tem com você, com os gatos, cachorros, o irmão pequeno, porque afinal – aceite isto: você também não é perfeito.

miss you

O que eu faço agora?

Não culpe ninguém pela sua infelicidade, nem mesmo o ex só porque ele já tem foto com outra no Instagram, falou mal de você para os amigos, manda indiretas no Facebook, te bloqueou em todas as redes sociais dele. Ele está agindo emocionalmente.

Como você já está na merda, não há muito que possa fazer pela relação. Aproveite o tempo livre e faça algo por si mesmo. “Cuide do seu jardim” diria Shakespeare.

Reflita sobre seus erros e acertos, busque as respostas em você. Transforme a frustração em aprendizado visando melhorias para uma próxima tentativa, porque repetir os mesmos erros, além de burrice, é ser muito amador da vida.

Every thing is gonna be all right

Este é um bom momento para repensar a vida, curtir sua própria companhia. Fazer coisas novas, tipo aquela aula de dança que você está adiando a anos? Aquele filme Cult que ele nunca quis ver com você? Aquele livro que você nunca tem tempo de ler? Pois bem, agora você tem mais tempo livre para aproveitar a liberdade de estar solteiro para fazer o que quiser e quando quiser – quem disse que tem que ser 100% ruim? Se você aprender a se curtir, a dor passa mais rápido e você nem percebe – ou pelo menos se distrai fazendo coisas boas.

E por fim, um conselho dos mais importantes: vê se não sai por aí fazendo besteira para se arrepender depois, menina! (Agora releia imaginando a voz da sua mãe, para ver o quanto este último é importante).

Quando a poeira baixar, seu jardim estará mais bonito que antes e você se sentirá muito mais preparado, forte e feliz para começar tudo de novo. Quantas vezes for necessário.

Patrícia Bedin

* Deixo claro, estas são conclusões por observação da Dra. Patrícia, em seu período de reclusão para aprendizado na dor. Qualquer entendido que queria protestar ou corrigir as informações aqui afirmadas, estou aberta para discussões.  

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