Arquivo mensal: março 2013

Lições de Amor em 10 Clichês – 2ª Lição: O Combinado Não Sai Caro

*Este texto é parte da série “Lições de Amor em 10 Clichês”. Conheça clicando aqui.

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Finalmente hein garoto! Achou “A” pessoa, está apaixonado, feliz, acredita que ela é o amor da sua vida, é a azeitona da sua empada, a tampa da sua panela, o chinelo velho para o seu pé cansado, a metade da laranja, carne e unha, alma gêmea, bate coração.

Até aqui você já tem 2 aprendizados.

Se você riu e concordou com o primeiro parágrafo, parabéns, está aprovado no primeiro aprendizado. Se não, pare de revirar os olhos para minhas colocações clichês porque se existem duas coisas no mundo tão intrinsecamente ligadas são elas o amor e a breguice.

1º – O amor é brega, aceite e curta a oportunidade de expor sua felicidade tocando o foda-se para os preconceitos com foto de casal no Facebook, declarações de amor em público, pagode no rádio, cartinha em baixo do travesseiro, porta retrato escrito “LOVE” com a foto da gatinha na sua cabeceira. Se for muito tímido, tudo bem, esqueça as manifestações públicas, mas não deixe de ter um porta retrato.

Estes pequenos sinais são uma forma de lembrar e mostrar a você mesmo e aos outros, e a todo momento, que seu mundo esta mudando, sua vida será completamente diferente em pouco tempo por conta de alguém especial que agora faz parte da sua vida, e isso é bom e importante. Isso não significa que você precisa se afastar da família ou dos amigos, uma nova pessoa chegou para agregar na sua vida, não para te subtrair do mundo.

2º – A segunda lição, diz respeito a essa crença muito bonitinha porém muito frágil de que o outro é seu encaixe perfeito. Sentir isso é natural, mas acreditar nesta perfeição é uma armadilha. Não existe alguém no mundo que lhe completa. Existe alguém disposto a caminhar ao seu lado, alguém que acredita que você vale a pena, que você será feliz nessa caminhada.

Se esta pessoa por quem você está apaixonado fosse realmente sua alma gêmea, seria só deixar a vida passar e tudo seria um conto de fadas. A verdade é que para haver uma caminha plena e tranquila, é preciso aceitar as diferenças e conciliá-las e você não deve perder tempo, esperando a mágica acontecer, deve iniciar com o namoro, os seus pequenos esforços em nome desse amor.

Como eu já havia dito na semana passada, e volto a repetir, você não é perfeito. Seu parceiro também não.

No começo de uma relação, somos tentados a mostrar somente o melhor de nós e muitas vezes nos excedemos, mostramos o melhor e algo além que podemos ser.

Esse início é como barganhar um produto – eu mostro o melhor do meu, você mostra o melhor do seu e é claro, com tantas qualidade é difícil não fechar o negócio.

Meu amigo, você não faz isso propositalmente ou conscientemente, não se sinta culpado, apenas fique alerta: não caia na armadilha de vender um produto fazendo propaganda enganosa. Por mais que  você realmente deseje com todas as suas forças ser um anjo na vida do seu amor, aquele que vai tornar tudo mais fácil e feliz, não se venda assim, como o passaporte para uma vida cor-de-rosa, isso se tornaria mais um fardo a carregar, sendo que cada um deve carregar o seu próprio.

Repito: sua obrigação num relacionamento sério é de buscar uma caminhada lado a lado de ajuda mútua. Lembre-se de mostrar ao outro que seu produto está com algumas marcas de uso ou pequenos defeitos, mas é plenamente usável. Mostre que você é meio chato para algumas coisas, que tem algumas manias, algumas dificuldades mas que está disposto a negociar estas qualidades para o bem do casal. Viver não é fácil para ninguém, portanto é plenamente normal que existam características tortuosas em cada um. O diferencial está em saber o que é aceitável ou não, o que é mutável ou não.

O namoro é um ensaio para o casamento. É como um contrato não palpável de pequenas regras negociadas e que vai tomando forma aos poucos e se moldando sempre que necessário, para dar corpo e vida a essa união. É a atmosfera que une os dois e que faz os dois respirarem juntos. É a bolha – no bom sentido.

Se você não sabe o que quer da vida e chegou até aqui lendo este texto, você perdeu seu tempo. Agora se você se acha o “tipo para casar”, entenda e aceite bem que estar em um relacionamento sério significa que você imagina um futuro com esta pessoa, que quer o bem dela tanto quanto o seu.

Esqueça todas as bobagens individualistas que você aprendeu até hoje pois é preciso compartilhar. O que funciona na prática é tornar esta pessoa que está ao seu lado a sua maior preciosidade, fazer pela felicidade dela tudo que puder, e aí você será feliz descobrindo mais esta grande lição: você se alegra mais com a felicidade do outro do que com a própria.

Esse é o amor mais verdadeiro, o amor no sentido mais completo da palavra, um sentido que você se tiver sorte, passará a vida descobrindo e aprendendo sobre ele. Então, aprecie cada sutileza que o amor lhe dá.

 Patrícia Bedin

Lições de Amor em 10 Clichês: 1ª Lição: Os Homens São Todos Iguais

Segundo a Wikipédia, clichê é um palavra da língua francesa que dá nome a matrizes metálicas usadas na tipografia, matrizes estas que uma vez construídas, podem ser repetidas inúmeras vezes. Por esta característica, a palavra passou a ser usada em outros contextos para situações que de tanto se repetirem, se tornam banais.

Há nesta definição porém,  algo pouco coerente se vista por outro ângulo. Seria mesmo o clichê algo banal se é tão recorrente?

Provérbios, ditos populares, chavões, são muito incômodos quando aplicados no cinema, na literatura – pelo menos são as maiores reclamações que o Google encontra sobre o termo – mas acredito que deveria ser visto de outra forma na vida real.

Se os clichês estão nesta condição de lugar comum e que vem se repetindo, não seria considerável imaginarmos que ele continuará a se repetir como uma tendência e portanto, podemos usá-lo para nos ajudar a tomar decisões com menor probabilidade de erros? O que será que podemos aprender com eles?

Percebi que muitas pessoas ao aconselhar as outras sobre as coisas da vida, usam frases clichês como “Ah, isso é coisa da vida!” por não saberem muito bem como se expressarem. Mas, quem já pensou no significado de citação tão corriqueira como tal? Que coisas da vida são estas?

No fim das contas, os clichês fazem todo sentido. Então decidi organizar alguns na tentativa de ajudar quem está aí nessa vida cheia de coisas querendo e oferecendo amor.

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1ª Lição: Os Homens são todos iguais

Nada mais clichês do que mulheres dizendo que os homens são todos iguais. Coisa esta que os homens também dizem sobre as mulheres. Então por que todos escolhem tanto? Realmente não sei. E se pudesse aconselhar os solteiros eu diria: pare de procurar.

Pare de escolher, porque a verdade é que você não sabe o que está procurando.

Na primeira vez que você o encontra o gatinho é lindo, sorridente, dança bem, é bom de papo, não é a toa que você caiu. No dia seguinte, à luz do sol e da sobriedade, você já é capaz de encontrar pequenos defeitos de toda a espécie, o que costuma acontecer por insegurança, por medo de encarar uma relação ou porque ele não é exatamente o que você acha que procura em um parceiro.

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Este é você procurando a pessoa certa.

Muitas vezes por não saber o que procurar, o sujeito cria uma rigorosa lista de critérios tolos que mais parecem a instruções de um pedido no restaurante, para tapar o vazio de estar sozinho e dizer que ainda não encontrou a pessoa certa, enquanto no fundo tudo que queria é alguém para abraçar e entrelaçar as pernas sob o cobertor enquanto assisti um filme repetido num dia frio e chuvoso de inverno.

“Quero que tenha a bunda grande e o peito pequeno” – “gosto de mulher de bunda grande e peito grande também, mas não muito” – “quero moreno de cabelo liso e ombro largo” “quero branco, de cabelo encaracolado mas não muito, nem muito grosso (o cabelo) e mal passado”. Eu costumava dizer que gostaria de arrumar um namorado com mais de 1,80m, parece simples, mas nunca aconteceu. Toda via, encontrei pessoas maravilhosas neste pequeno desvio de objetivo, ao mesmo tempo que percebi qualidades e valores importantes a serem observados.

Hoje, para expressar minha opinião do que seria a “pessoa certa” eu diria apenas que ela deve ser tolerante e flexível. Para dizer algo mais “radical” eu diria que ela precisa apreciar as diferenças, seja de gênero – que considero uma das principais- de personalidade, de temperamento, de gosto musical, de gosto por comida, por filmes, por roupas, entre tantas, tantas outras e receber as diferenças com alegria. Mas isso eu sei que é algo além.

Entretanto, mais importante do que no outro, é importante olhar para si. Coloque a mão na consciência e reflita:

Será que EU tenho as qualidades certas para ser um bom companheiro?

Será que eu estou contaminado com as ideias erradas de amor que tenho aprendido pelo facebook?

Será que sou capaz de me entregar totalmente a uma pessoa que é diferente de mim sem ter o impulso de querer mudá-la?

Quais as características nesta pessoa que me incomodam mas que sou capaz de tolerar?

Será que tenho coragem suficiente para amar?

Coloque tudo numa balança e decida se quer seguir em frente, sem vergonha de aceitar, caso seja sua conclusão, de que você ainda está despreparado para enfrentar uma vida a dois.

Amar não é para os fracos. Amar é  aceitar os defeitos. Amar o que é perfeito seria fácil, mas o verdadeiro exercício do amor é olhar para as dificuldades e aceitá-las ou mesmo amá-las. Acredite, é possível.

Eu sei meus amigos, parece um caminho difícil, mas caso você seja do tipo que quer encontrar alguém pra passar o resto da vida, encare os fatos para ser feliz: o outro será sempre tão humano imperfeito quando você e o pior, também está de olho nos seus deslizes. Então mostre para ele que você está disposto a encarar esta guerra santa.

Deixe-se levar pelo calor dos primeiros momentos, dias, até anos e se quiser prosseguir com ele por uma longa estrada saiba transformar a paixão em amor.

Apenas escolha alguém legal e escolha ser feliz.

Patrícia Bedin

E o amor?

 

Se as pessoas soubessem o verdadeiro significado do amor, jamais diriam

“Estou pronto para amar”.

Diriam

“Estou disposto a aprender”.

 

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Rosa de Hiroshima

Acordei naquele dia com os acontecimentos me levando a um procurar uma música. Neste dia não houve lelek lek lek lek lek lek que conseguisse ocupar o espaço que esta música ocupou, porque não sobrou espaço vazio. Já tuitei, compartilhei, cantei para os vizinhos ouvirem mas ela não sai de mim.

Já se passaram mais de 50 horas das quais eu passei grande parte remoendo as crianças mudas telepáticas, tentando entendê-las.  Buscando um sentido cheguei a achar o verso cômico, mais provavelmente um sentimento desesperado de quem não quer se deixar levar pela tristeza incutida sobretudo, nesta melodia.

Em sua letra as vezes óbvia, eu quis procurar um novo sentido. Mas é só isso mesmo, uma dor infinita que me faz querer sofrer um pouquinho, para aliviar a dor alheia.

Letra de Vinicius de Moraes, música de Gerson Conrad.