50 Tons de Cinza

E. L. JAMES, Instrínseca, 2012.

Desde seu lançamento em março deste ano, nos Estados Unidos, vendeu mais de 10 milhões de exemplares. Quase 300 mil cópias vendidas em dois meses no Brasil. Traduzido para 37 línguas. O conto de fadas de gente grande, Cinquenta Tons de Cinza, está bombando. É a primeira vez que leio um livro recém lançado para companhar o bafafá e estou achando muito interessante.

A História

Anastasia Steele (21), formanda em Literatura, magra, pálida, olhos azuis, cabelos castanhos e virgem  conhece o empresário Christian Grey (28), lindo, forte, gostoso, rico e de olhos cinzentos. A Srta. Steele usa umas roupas bicho-grilo, não sabe se maquiar nem tem o hábito de arrumar os cabelos.  É um universitária pouco comum que apesar de formanda está mais para caloura. Tomou seu primeiro porre na última semana de aula.

Quase descumpriu totalmente a profecia de que ninguém sai da faculdade, sóbrio, careta e virgem. Quase, porque graças ao Sr. Grey, esse rapaz de 28 anos com alma de velho, bipolar ou muito mimado – não decidi ainda – mas muito, muito bonito, ela conseguiu encher a cara e fez muito sexo, antes da formatura.

Apesar de Chistian ser esquisitão, sua beleza excessiva e seus presentes megalomaníacos ajudam a fazer dele uma pessoa mais agradável. Por outro lado, ele guarda um segredo, um passado do qual não gosta de falar, que certamente é o motivo por ele ser uma pessoa tão instável, ter cinquenta tons.

Anastasia percebe que há algo mais profundo a ser entendido e mesmo tendo medo das reações dele, acaba entrando neste labirinto, afinal, está contagiantemente apaixonada. Grey deve ser geminiano.

Outros personagens da trama:

Consciente da Anastasia: muito sensato, é o anjinho de Ana, fica no seu ombro direito, sempre soprando aqueles conselhos de mãe e aquelas conclusões esquisitas de uma pessoa com a autoestima baixa. Também é a personificação dela falando com ela mesma.

Deusa interior da Anastasia: é o diabinho em forma de mulher, claro. Praticamente uma recém-nascida, é a personificação brega das volúpias femininas despertadas na garota. Ela dança, grita, se joga, faz beicinho, uma safada. Há ainda em segundo plano, Kate, a amiga gostosona que passou a faculdade toda tentando deixar Ana mais mulherzinha – sem sucesso. A beleza de Kate intimida Anastasia que sente que nunca será como ela. Ou seja, Kate mais atrapalha do que ajuda.  Ela conhece Elliot, o irmão de Christian, com quem passa a se relacionar.

Porque este livro faz tanto sucesso?

Sexo está no topo da lista de assuntos contemporâneos como “assunto muito falado porém, pouco praticado”, perdendo o primeiro posto apenas para o mandamento cristão.  É comum ouvirmos pessoas tirando onda de pegadoras-resolvidas sexualmente, e depois, ficarmos sabendo por vias tortas, que na prática, a situação é outra.

Homens querem uma coisa, mulheres querem coisas diferentes, e muitas vezes essa entre outras diferenças resultam em desistência ou conformismo de alguns casais, enquanto os outros, ou estão em busca de solucionar este problema (os quais me parecem que são uma pequena fatia) ou, seguem felizes e satisfeitos, provavelmente escolhendo não fazer propaganda porque, como já disse Nelson Rodrigues sabiamente, às vezes até a crítica pode atiçar a curiosidade das amigas – imagine o que pode fazer um elogio.

Entretanto, há uma coisa comum entre os sexos: todos querem ser encantados. Cabe a cada um tentar descobrir o que encanta seu parceiro. No caso das mulheres, um Christian Grey, encanta fácil. Pela beleza, pela atenção, pelo dinheiro ou simplesmente pelo prazer de sonhar com o cara perfeito, afinal, ele foi criado por outra mulher.

Particularmente fiquei apaixonada por ele nos primeiros capítulos, e pergunto me sempre, como alguém não ficou? Anastasia o vendeu muito bem. Depois a sensação sobre o personagem mudou conforme fui conhecendo junto com a garota, os diferente tons do rapaz.

Agora, qual mulher não gostaria de ter um homem que dedica 100% de sua atenção, é um deus do sexo,  que se preocupa com sua saude e bem estar, que dá presentinhos pelo simples prazer de agradar sem pedir nada em troca (pelo menos é o que ele faz questão de deixar sempre claro) e que, o mais importante: sabe dar o verdadeiro valor à textura rendada de uma calcinha bem pequenininha?

Ok, algumas podem realmente não querer nada disso, e apesar de eu achar que entre estas uma pequena parcela é ultra-bem-comida mas a maioria esmagadora é composta por mal-comidas, compreendo que existe opinião pra tudo.

De qualquer forma a grande resposta é que falar de sacanagem é legal pra caralho,  e o livro é uma grande putaria.

E você homem, que está lendo isso e achando tudo uma grande bobagem, pense que se talvez, você fosse um pouco “Grey” para sua mulher, se sua vida não seria mais movimentada. Pense antes que outro cara pense. O livro está cheio de dicas, basta ler e aplicá-las, que fique claro, não somente quanto ao sexo, mas principalmente se tratando das atitudes.

Cinquenta Tons de Cinza é um Crepúsculo para Adultos?

Sim. Não conheço coisa alguma sobre Crepúsculo, mas segundo críticas que li, o Cinquenta Tons de Cinza tem muitas referências parecidas – para não dizer idênticas – ao Crepúsculo. Nada de surpreendente visto que as primeiras experiência da autora com a escrita, foi escrevendo contos alternativos sobre o casal de vampiros mais pop dos últimos tempos. A grande diferença é que tem muito sexo.

Impressões

Concluí a  leitura a algumas semanas, o que torna minha impressão sobre este livro, a mais sincera que já fiz: não somente as impressões imediatas bem como e principalmente, as marcas (emocionais, não físicas, que fique claro) que ele realmente deixou em mim: a de “quero mais”. Meu Cinquenta Tons Mais Escuros já chegou, e devo começar a ler muito em breve.

Sobre as afirmações de que o livro é um pornô para mamães, existe uma coisa que todos precisam saber: mamães também fazem sexo, e não só elas como a maioria das mulheres, preferem uma leitura como esta do que um video no xvideos.

Foi muito gostoso acompanhar  jovenzinha de 21 anos perdendo a virgindade e se apaixonando, simplesmente pelo fato de sentir novamente as sensações que estas experiências proporcionam. A primeira vez que você viu o amor da sua vida, a falta de jeito que se perde no mesmo instante, aquele porre que você “bebeu pra esquecer”, as borboletas no estômago, enfim, tudo que é comum nessa idade, e que vai sendo esquecido ao longo dos anos. A novinhas se identificam, as mais velhas relembram e provavelmente, se motivam a buscar pelas partes boas, novamente.

Detalhes desnecessários como “Pisco”… “Olho”…”Gemo”… em certos momentos são completamente irritantes, mas eu costumo corrigir mentalmente para não estragar o prazer da leitura.

A história, apesar da pobreza na fala, me fez em todos momentos que eu não estava lendo, pensar no que iria acontecer em seguida.

A submissão e o sadomasoquismo me parecem apenas um cenário clichê, me sinto obrigada a comentá-los para não passar batido então, comento minha impressão: a transa é poucas vezes agressiva e se alguém deseja ler sobre tais assuntos, não é nos Cinquenta tons de Cinza que vai encontrar.

Não pense demais, divirta-se com o sexo.

Adaptação para o cinema

Claro que os direitos já foram vendidos e a grande discussão dos fãs é a escolha do casal protagonista.

Como cara de bom moço comigo não cola, meu Chistian Grey preferido e o gatíssimo Channing Tatum. Sem desmerecer seu trabalho, ele é cara de mau como um “novo Heath Ledger“, só que ainda mais bonito. Com o direito da tietagem, não tem para ninguém.

De todas as possibilidades organizar por esta lista, não admito de forma alguma Robert Pattinson; cara de bonzinho posso engolir, mas macarrão sem molho, é impossível.

A Srta. Steele na minha opinião, cairia muito bem em Zooey Deschanel, que infelizmente não foi citada, e provavelmente nem será. Da lista que indiquei anteriormente, ficaria com Alexis Bledel.

Senhores, façam suas apostas.

Alexis Bledel e Zooey Deschanel

 

Por Patrícia Bedin


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6 ideias sobre “50 Tons de Cinza

  1. Aline

    Realmente a linguagem é repetitiva e o que nos move para a próxima página é a vontade de chegar ao fim do livro para concluir uma crítica. Os emails que eles tocam se tornam a parte interessante do livro. Curiosidade: lí aqui que Christian deve ser geminiano… e ele én conforme nota-se no livro 2.kkkkk

    Resposta
  2. 12mesesdeleitura Autor do post

    Aline, devo começar a ler o segundo ainda nesta semana. Já comentaram comigo que ele realmente é geminiano.. ahahahahhaa e também que o segundo livro é bem melhor que o primeiro, concorda? Estou ansiosa para descobrir.

    Resposta
  3. marcio

    Gostei do blog e resolvi fazer alguns comentários. Conheci o livro através da minha namorada. Pedi pra ela ler as partes que ela considerava mais excitantes e tive a nítida sensação de estar vendo um filme pornô. Isto foi uma novidade, pornografia feminina??? Fui pesquisar sobre o assunto e fiquei impressionado com o crescimento deste mercado. Nos EUA, de cada 10 filmes pornográficos hoje produzidos, 4 são direcionados ao público feminino. Existem diversos blog com estórias pornográficas direcionados ao público feminino. Estes dados me chamaram a atenção! A pornografia era um universo totalmente masculino e agora as mulheres escrevem, filmam, produzem e interpretam a chamada “arte menor”. Isto sem dúvida é novidade no comportamento feminino: as mulheres gostam e também consomem pornografia! Para onde isto vai nos levar só o tempo vai dizer. Se esta mudança de comportamento trouxer uma real aproximação dos desejos e satisfações de ambos, que seja bem vinda. Porém se o sexo performático dos livros e filmes trouxer mais competitividade, infelicidade e descompromisso, este é um tema para séria reflexão.

    Gostei muito das reflexões do Arnaldo Jabor sobre a guerra dos sexos da atualidade.

    “A mulher é poesia. O homem é prosa. Isso não quer dizer que a mulher seja do bem e o homem do mal. Não. Muita vez, seus abismos são venenosos, seu mistério nos mata. A mulher quer ser possuída, mas não só no sexo, tipo “me come todinha”. Falam isso no motel, para nos animar. O homem é pornográfico; a mulher é amorosa. A pornografia é só para homens. A mulher quer ser possuída em sua abstração, em sua geografia mutante, a mulher quer ser descoberta pelo homem para ela se conhecer. Ela é uma paisagem que quer ser decifrada pelas mãos e bocas dos exploradores. Ela não sabe quem é. Mas elas também não querem ser opacas, obscuras. Querem descobrir a beleza que cabe a nós revelar-lhes. As mulheres não sabem o que querem; o homem acha que sabe.

    O masculino é certo; o feminino é insolúvel. O homem é espiritual e a mulher é corporal. A mulher é metafísica; homem é engenharia. A mulher deseja o impossível; desejar o impossível é sua grande beleza. Ela vive buscando atingir a plenitude e essa luta contra o vazio justifica sua missão de entrega. Mesmo que essa “plenitude” seja um “living” bem decorado ou o perfeito funcionamento do lar. O amor exige coragem. E o homem… é mais covarde. O homem, quando conquista, acha que não tem mais de se esforçar e aí , dança…

    A mulher é muito mais exilada das certezas da vida que o homem. Ela é mais profunda que nós. Ela vive mais desamparada e, no entanto, mais segura. A vida e a morte saem de seu ventre. Ela faz parte do grande mistério que nós vemos de fora, com o pauzinho inerme. Ela tem algo de essencial, tem algo a ver com as galáxias. Nós somos um apêndice.

    Hoje em dia, as mulheres foram expulsas de seus ninhos de procriação, de sua sexualidade passiva, expectante e jogadas na obrigação do sexo ativo e masculino. A supergostosa é homem. É um travesti ao contrário. Alguns dizem que os homens erigiram seus poderes e instituições apenas para contrariar os poderes originais bem superiores da mulher.

    As mulheres sofrem mais com o mal do mundo. Carregam o fardo da dor histórica e social, por serem mais sensíveis e mais fracas. Os homens, por serem fálicos, escamoteiam a depressão e a consciência da morte com obsessões bélicas, financeiras ou políticas. As mulheres agüentam firmes a dor incompreendida. O mundo está tão indeterminado que está ficando feminino, como uma mulher perdida: nunca está onde pensa estar. O mundo determinista se fracionou globalmente, como a mulher. Mas não é o mundo delicado, romântico e fértil da mulher; é um mundo feminino comandado por homens boçais. Talvez seja melhor dizer um mundo travesti. O mundo hoje é travesti.”
    Arnaldo Jabor

    Voltando ao livro, li os dois livros num final de semana. Para mim, como para boa parte da crítica americana, o livro é pornografia disfarçada de romance. A estória de amor é um conto de fadas, onde a donzela ingênua, pura, indefesa e virgem fica encantada pelo príncipe rico, poderoso, dominador e cheio de traumas infantis. Apesar de todas as dificuldades o amor triunfa no final. Até aí nada de novo.
    Os personagens são mal caracterizados, os diálogos são pobres e superficiais. Raros os momentos em que ocorre algo realmente inteligente – destaco com muitos esforço o diálogo bastante superficial da Ana com o Dr. Flyn e os detalhes em que Grey explica a confiança necessária nas relações de sadomasoquismo (diga-se de passagem é um parágrafo). Fora isso os livros abusa dos clichês, das marcas e do glamuor de um mundo de muito dinheiro. Sem contar o quanto enche o saco: “Não mordas os lábios Ana” – repetido 63 vezes só no segundo livro, aqueles papos da minha “Deusa Interior” e “Estou ficando vermelha”. As riquezas de detalhes com que as “fodas” são descritas ficam muito longe do erotismo e atingem em cheio o objetivo do livro – despertar o desejo feminino através da pornografia. Bem vindas mulheres ao mundo da pornografia. Para onde isto vai nos levar, bom o tempo vai responder.

    Resposta
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