A Imagem Pessoal e o Autoconhecimento

A preocupação com a própria aparência é um assunto que costuma gerar muitas divergências. Uma vez que a moda é o principal elemento para compor a imagem e ao mesmo tempo é vista como fútil, alguns consideram que se gasta muita energia em busca de uma boa imagem e moda, e pouca em busca de conhecimento que é útil.

Particularmente acredito que o cuidado com a imagem é uma das formas de expressão do ser humano. Desde que a indumentária começou a existir, seu principal utilização foi o adorno, a necessidade de se diferenciar dos outros, expressando quem a pessoa é internamente e como ela gosta de ser vista.

No livro que estou lendo, Empreendedorismo na Veia, de Rogério Chér, ele afirma que um dos primeiro passos para empreender, é desenvolver o autoconhecimento, a autocriação, buscando saber o que se almeja para o futuro e assim poder planejá-lo, tornando-se o que Chér chama de ser o biógrafo de si mesmo. Neste caminho de escrever sua própria história, o autor mostra como a imagem e o intelecto estão intrinsecamente ligados.

Ele explica que por milhares de anos a possibilidade de se autocriar, automoldar, era um privilégio das altas castas, e que esta ação estava diretamente ligada à imagem – quanto mais eu me conheço, conheço meus valores e minhas preferências, mais desejo torná-los visíveis, e faço isso através da minha imagem.

Não é a toa que quando vemos pinturas de retratos antigas, as pessoas costumam ser parecidas umas com as outras. Essas pessoas retratadas, geralmente reis e cortesãos, ordenavam que o artista que fizesse alterações na sua imagem para que ficasse mais parecido com o que eles julgavam belo e que geralmente, era o padrão de beleza da época.

Ao mesmo tempo, o pintor, por conta da sua habilidade, também tinha acesso ao autorretrato, ou seja, ao poder de apreciar a alterar a própria imagem. Baseado em argumentos de Greene e Elffers, no livro 48 Leis do Poder, Chér afirma que uma forma ou de outra, é possível afirmar que a autocriação nasceu no meio artístico, e que como um artista, devemos moldar quem somos.

Para explicar a importância da própria imagem no processo de autoconsciência e autocriação, Greene e Elffers usam o pintor espanhol Velázquez, que através do quadro “As Meninas” de 1656, simboliza uma grande mudança na dinâmica do poder, uma vez que ele próprio sai do papel de serviçal do rei e aparece na pintura.

As Meninas, de Diego Velázquez, 1656

Para finalizar, estes autores afirmam como é possível mostrar ou moldar a personalidade, aperfeiçoando a imagem refletida no espelho.

Como Velázquez, você deve exigir de si próprio o poder de determinar a sua posição no quadro e criar a sua própria imagem.
O primeiro passo no processo de autocriação é a autoconsciência – o estar consciente de si mesmo como ator e assumir o controle da sua aparência e das suas emoções.

Com este argumento, é quase impossível contestar a importância da imagem. Mesmo aquele que discorda de sua ligação com o intelecto, precisa se vestir e se portar de forma que os outros entendam que ele pensa assim.

Por Patrícia Bedin

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3 ideias sobre “A Imagem Pessoal e o Autoconhecimento

  1. Pingback: Cuidar da Aparência faz parte do Crescimento Pessoal | planetaestilo

  2. Pingback: Empreendedorismo Na Veia – Um Aprendizado Constante « 12 meses de leitura

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