Arquivo mensal: agosto 2012

Crenças e Astrologia sob a ótica de um Virginiano

Existem coisas que todo mundo conhece, faz e gosta, mas não comenta. Porque é feio, é pecado ou é démodé, assim como usar esta palavra.

Tenho orgulho desta ser uma atitude que pouco me acomete. Acredito que esse tipo de atitude é preconceituosa, limitada e muitas vezes hipócrita.

Também tenho uma necessidade de dar sempre três exemplos, acho que soa melhor para quem está lendo, e faz o argumento parecer mais verdadeiro, é como se não houvesse para onde escapar. É isso ou aquilo e, caso não seja nem uma coisa nem outra, tem a terceira coisa. É como dizer “tudo que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda” e não vai ter jeito, você vai ter que cair em tentação.

Mas este assunto o qual venho mencionar é uma exceção. É uma coisa que já pensei muito e não tem terceira opção: acreditar. Ou você acredita que tudo é possível ou você acredita que nada é possível.

Não faz sentido acreditar na Santíssima Trindade e achar impossível que Jesus tenha sido concebido pelo Espírito Santo, afinal, esse espírito é poderoso ou não é? Nem faz sentido acreditar no Espírito Santo e não acreditar no poder de todos os santos, que afinal viveram, morreram, tem seus ossos e algumas vezes seus corpos conservados em túmulos grandiosos por aí. Mas também não tem sentido acreditar que existem santos com poderes de interferir na nossa vida e não acreditar que existem outros deuses de outras crenças interferindo na vida das pessoas que acreditam neles. Nem faz sentido algum, acreditar em vida após a morte, mas não acreditar que essa vida pode ser cíclica. Assim como não faz sentido acreditar que Jesus não era filho de Deus, mas acreditar em serpente falante e com patas.  Ou tudo é possível ou nada é possível. Simples assim.

Eu prefiro a primeira opção, assim tenho um bom argumento para acreditar numa coisa que me conforta. A astrologia.

Afinal, se existem tantas coisas possíveis, a astrologia é uma delas. E o sentido que vejo nela é mostrar que tudo no mundo pode estar interligado. Se a lua influencia no comportamento dos oceanos, por que ela e os outros astros não podem influenciar a minha vida?

Nasci no dia 23 de agosto, primeiro dia do signo de Virgem. Quando comecei a conhecer as características deste signo, me senti reconfortada com algumas coisas em mim que passaram a “fazer sentido”, pois me sinto uma virginiana tão convicta de estar localizada corretamente no mapa, que quando ele me diz “talvez você devesse ser um pouco menos detalhista” eu me pergunto se realmente existem pessoas menos detalhistas e como elas conseguem ser felizes assim.

Hoje fui conflitada por um site que analisou meus dados do Facebook e disse que sou Leonina. Então meu mundo caiu. Como boa virginiana, fui logo refazer um mapa astral para me certificar que tal site estava errado. O novo mapa, afirmava com muita convicção minha virginianíce e meu ascendente em Libra.

Da mesma forma, reforçava algumas características bem óbvias como “modesto mas ambicioso, crítico, meticuloso. Costuma exigir demasiado de si e dos outros. Gosta de conforto, boa comida e roupa.” Ok, mas quem não gosta de conforto boa comida e roupa? Parace óbvio.

Possui iniciativa mas pouca persistência. Sua visão profunda, objetiva e prática de filosofia, política, religião e educação, a respeito das quais é bastante crítico e até cético permite-lhe tornar-se uma autoridade nestes assuntos. Porém, você tende a adotar atitudes dogmáticas” exceto sobre ser virginiana.Opa, este detalhe eu mesma acrescentei. Prosseguindo:

“Sente grande necessidade da beleza e harmonia no meio-ambiente, nas pessoas e nos objetos, porque sua sensibilidade é aguda e impetuosa. Você tem muita imaginação e grande percepção psíquica que pode aproveitar melhor nas artes, musica, religião(…) Sua grande emotividade, preocupação com luxo e conforto e sua carência de afetos costumam resultar numa incessante busca de satisfação amorosa e sexual, além de criar problemas domésticos.”

Então o mapa começa a ser ofensivo:

“Sua excessiva impulsividade, combinada com o seu idealismo nada prático e sua falta de persistência provoca a maioria dos seus fracassos na vida”.

De repente, ele já parece a minha mãe dando conselhos:

“Pare um pouco se fixando em algo e vai ver que as coisas vão melhorar de forma significativa. Um pouco de auto-disciplina faria muito bem a você.Você também tende a comer demais”… Mocinha!

Na seguência ele volta falando de outra pessoa que já não sou eu, pois sou bem meticulosa e sei admitir o que faz parte de mim e o que não faz, infelizmente:

“Seu temperamento é volátil e explosivo, mas não costuma guardar rancor. Não gosta de mudar de opinião. Tem facilidade no amor. Muito disciplinado. Adota prontamente novos conceitos religiosos. Otimista e liberal.”

Conheço muito dos meu defeitos e qualidades. Eu acho.  Por um momento estou confusa. Minha carência cria problemas domésticos ou tenho facilidade no amor e no casamento? Sou muito disciplinada ou um pouco de auto-disciplina faria bem para mim?

Difícil saber. Se existe alguma explicação para isso, pode estar escondida no fato de Vênus estar em Libra, Júpiter em Peixes ou Plutão, que nem é mais planeta, estar em Escorpião. Estanho o fato de haver um planeta a menos e uma constelação a mais e tudo continuar como antes. De qualquer forma, sempre que alguém me pergunta sobre essas divergências eu digo, como se eu soubesse a verdadeira razão: “a culpa é do ascendente, eu acho”.

Taí uma coisa que o mapa astral não disse, virginianos são confusos. Ou será que sou só eu? Enfim, talvez eu simplesmente deva mudar de opinião, o que gosto muito de fazer, apesar do meu mapa astral dizer o contrário.

Talvez para as minhas próprias verdades “acreditar que tudo é possível” ou “acreditar que nada é possível” exista um meio termo, e aí como eu gosto de acreditar também, existirão três argumentos, e continuarei feliz, afinal sei que sempre existem três verdades: a minha a dos outros e a verdadeira. Por outro lado continuarei como todos os outros mortais: sem saída e somente com as opções de ser ilegal, imoral ou engordar.

Mas como não desistirei de ser virginiana, a melhor atitude para o momento é fazer uma análise SWOT sobre este mapa duvidoso. Poderei melhorar meus pontos fracos, investir nos meus pontos fortes, organizar meu ambiente interno afinal, sempre existe um lado bom no que se acredita, sem esquecer é claro, de verificar se o mapa pode estar correto. E em último caso eu julgue ainda, haver muitas desvantagens, começarei a analisar possibilidade de ser realmente, leonina.

PS.:

Se você chegou até aqui, parabéns, você suporta um virginiano. Caso esteja sentindo que sua cabeça vai explodir, pare por um minuto, aprecie a paisagem e tente voltar às suas atividades normais.

Por Patrícia Bedin

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A Imagem Pessoal e o Autoconhecimento

A preocupação com a própria aparência é um assunto que costuma gerar muitas divergências. Uma vez que a moda é o principal elemento para compor a imagem e ao mesmo tempo é vista como fútil, alguns consideram que se gasta muita energia em busca de uma boa imagem e moda, e pouca em busca de conhecimento que é útil.

Particularmente acredito que o cuidado com a imagem é uma das formas de expressão do ser humano. Desde que a indumentária começou a existir, seu principal utilização foi o adorno, a necessidade de se diferenciar dos outros, expressando quem a pessoa é internamente e como ela gosta de ser vista.

No livro que estou lendo, Empreendedorismo na Veia, de Rogério Chér, ele afirma que um dos primeiro passos para empreender, é desenvolver o autoconhecimento, a autocriação, buscando saber o que se almeja para o futuro e assim poder planejá-lo, tornando-se o que Chér chama de ser o biógrafo de si mesmo. Neste caminho de escrever sua própria história, o autor mostra como a imagem e o intelecto estão intrinsecamente ligados.

Ele explica que por milhares de anos a possibilidade de se autocriar, automoldar, era um privilégio das altas castas, e que esta ação estava diretamente ligada à imagem – quanto mais eu me conheço, conheço meus valores e minhas preferências, mais desejo torná-los visíveis, e faço isso através da minha imagem.

Não é a toa que quando vemos pinturas de retratos antigas, as pessoas costumam ser parecidas umas com as outras. Essas pessoas retratadas, geralmente reis e cortesãos, ordenavam que o artista que fizesse alterações na sua imagem para que ficasse mais parecido com o que eles julgavam belo e que geralmente, era o padrão de beleza da época.

Ao mesmo tempo, o pintor, por conta da sua habilidade, também tinha acesso ao autorretrato, ou seja, ao poder de apreciar a alterar a própria imagem. Baseado em argumentos de Greene e Elffers, no livro 48 Leis do Poder, Chér afirma que uma forma ou de outra, é possível afirmar que a autocriação nasceu no meio artístico, e que como um artista, devemos moldar quem somos.

Para explicar a importância da própria imagem no processo de autoconsciência e autocriação, Greene e Elffers usam o pintor espanhol Velázquez, que através do quadro “As Meninas” de 1656, simboliza uma grande mudança na dinâmica do poder, uma vez que ele próprio sai do papel de serviçal do rei e aparece na pintura.

As Meninas, de Diego Velázquez, 1656

Para finalizar, estes autores afirmam como é possível mostrar ou moldar a personalidade, aperfeiçoando a imagem refletida no espelho.

Como Velázquez, você deve exigir de si próprio o poder de determinar a sua posição no quadro e criar a sua própria imagem.
O primeiro passo no processo de autocriação é a autoconsciência – o estar consciente de si mesmo como ator e assumir o controle da sua aparência e das suas emoções.

Com este argumento, é quase impossível contestar a importância da imagem. Mesmo aquele que discorda de sua ligação com o intelecto, precisa se vestir e se portar de forma que os outros entendam que ele pensa assim.

Por Patrícia Bedin

Quem são os adultos?

Certa vez, quando eu tinha 9 anos, minha mãe disse:

Reza a lenda que quem não leu O Pequeno Príncipe, não teve infância

Então fui correndo ler pra descobrir qual era essa coisa tão importante que o livro carregava, mas o livro era muito grande na época, nunca conseguia passar da página sobre a cobra que engoliu o elefante.

Acabei lendo em 2010, e descobri que é mais um livro para ajudar os adultos a não matarem a criança que existe dentro deles.

Segue, meu trecho preferido:

Por Patrícia Bedin

Por Onde Anda Patrícia Bedin

Em qualquer literatura, o tempo é sempre um assunto recorrente. Hoje me dei conta de como ele tem passado para mim.

já sei andar e falar, o que eu faço agora?

O tempo passa, o tempo voa e a Poupança Bamerindus não existe mais, provando que algumas coisas não continuam, nem bem, nem mal. Simplesmente se vão.

Precisei consultar se minha ortografia de ‘Bamerindus’ estava correta porque na época deste jingle, eu ainda não sabia ler nem escrever. E também não sabia – se soubesse, talvez teria me preparado melhor – que apesar do Bamerindus ter sumido do mapa, sua afirmação é mais que real: o tempo voa.

Estou prestes a completar 26 anos e ganhei um violão dos meus pais como presente. Capricho de uma pessoa que tem muito tempo livre e o atendimento de dois pais que sempre acreditaram na minha capacidade de fazer qualquer instrumento proferir um som decente.

Quando comecei a me interessar pelo violão, eu era uma adolescente no auge dos meus 13 anos, e não tinha internet. Aprendia os acordes necessários naquela revista despedaçada do Legião Urbana e me sentia muito especial por isso. Hoje, curtindo meu inferno astral aos 25, sou feliz relembrando acordes e aprendendo com os professores do cifraclub.

Em 1999, a maior parte do meu tempo livre era preenchida por atividades ligadas à música. Eu era uma adolescente prodígio, mas me sentia mesmo como uma mulher com poder para fazer o que eu quisesse usando um teclado e um violão. Hoje com o dobro da idade e me sentindo uma menina, sou feliz com meu violão novo, só porque ele é bonito (e ele é mesmo, é lindo, fui eu que escolhi).

Sobre o Violão*

A parte “dobro da idade” me choca, porque me pergunto o que estive fazendo esse tempo todo…

Empregos, faculdade, namorados, festas coisas que aos 13 eu imaginava tão distantes da minha vida, hoje são meu passado! Mas aos 13 eu também não imaginava que com o dobro dessa idade, eu teria deixado de lado muito do que sabia sobre a música, essa coisa que preencheu a minha vida, por tanto tempo.

Até os 13 anos eu vivi e aprendi tantas coisas necessárias para a vida, das mais simples às mais difíceis como aprender a falar, escrever, andar, fazer amigos, estudar, não nessa ordem, até amar ao próximo incondicionalmente eu já tinha aprendido.

Mas e depois, o que eu fiz mesmo? Como vim parar aqui? Nos 26, o DOBRO da idade? O que fiz nesse tempo todo? Como eu não vi o tempo passar? Em que momento exatamente, me tornei quem sou hoje? Será que eu e aquela loirinha quatro-olhos e sorriso de lata somos ainda, a mesma pessoa, afinal, ela se achava tão mulher e eu sou mesmo, uma garotinha.

A real percepção do tempo para mim é como se tivesse vivido 30 anos em 13, e 5 anos em outros 13, concluindo que, o tempo é relativo, como Albert Einstein já provou.

Brincadeiras à parte, eu conclui mais empiricamente, que idade, não significa muita coisa, se eu não conseguir, a cada 13 anos, olhar para trás e ver quantas coisas boas eu somei àquela pessoa que eu era antes.

Se a crença dos espíritas estiver correta, somos todos almas velhas, voltando mais uma vez a este mundo, tentando aprender mais coisas, sendo que na verdade, tudo que se precisa saber para viver aqui na Terra, se aprende em uma só vida até os 13, o problema é que depois costuma ser esquecido.

Mas se a crença dos outros cristãos estiver correta, e eu prefiro acreditar assim, somos todos almas-crianças, passando por esse instante que é a vida, diante de uma possível eternidade.

* Muitas pessoas chegam neste post buscando por “violão branco”. Então para os interessados, o modelo é  Strinberg AW53C Aço, Elétrico, com Afinador. Foi comprado na loja Musical Brasil, encontrei também na Musical Grellmann, a qual tive boas referências.

 

Por Patrícia Bedin