Arquivo mensal: julho 2012

O QUE A VIDA ME ENSINOU: Viver em Paz para Morrer em Paz (paixão, sentido e felicidade)

MÁRIO SERGIO CORTELLA, Editora Saraiva, 2009

Terminei de ler este livro a um tempo, mas só de pensar em falar sobre ele me canso. Fico cansada só de ler este título enorme. Felizmente, é um cansaço bom.

No resumo do primeiro livro do Cortella que li, Qual é a tua obra?, já expliquei minha admiração por ele. Ao ler este segundo livro, continuo o admirando, mas tenho uma outra certeza: seus livros precisam serem lidos, várias vezes. Suas palavras são um bombardeio de ideias, conceitos e questionamentos os quais eu poderia passar horas discutindo,enquanto resumir me parece ofensivo. Ao fim de cada capítulo penso que não deveria continuar a leitura,  deveria reler o capítulo e ficar divagando sobre aquilo.

Em O que a vida me ensinou, o escritor fala sobre coisas que respondem à pergunta que dá nome a esta coleção. Ele conta como a vida pode ser cheia de graça, como se tornou quem é hoje, como começou a gostar de ler, entre outros assuntos que vão se entrelaçando ao longo da leitura.

Entre os temas mais atuais, está o consumismo, a necessidade social de exposição – principalmente relacionadas às redes sociais e a insistência em ser diferente numa sociedade onde quase tudo já foi feito, além de discussões sobre valores e atitudes.

Escrevi anteriormente meu protesto por conta da afirmação que Cortella fez sobre os diários, em Diário – o livro proibido, mas qualquer outra ideia que eu crie aqui sobre o livro seria artificial. Mas minha recomendação é que o livro seja lido como uma experiência única, um momento para repensar a vida e os valores.

No mais, deixo esta música que o autor descreve como a erotização da vida. A cantora e compositora de Gracias a la vida, Violeta Parra, lançou a música um ano antes de cometer suicídio, ironicamente.

Por Patrícia Bedin

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O Vendedor de Sonhos: O Chamado

AUGUSTO CURY, Editora Academia da Inteligência, 2008.

O Autor

Publicado em mais de 60 países, 16 milhões de exemplares vendidos somente no Brasil E eu não conheço ninguém que tenha lido um livro deste autor. Há algo de errado com ele?

Augusto Cury, psiquiatra e psicoterapeuta, é muito conhecido por seus livros de autoajuda. Deve ser na palavra ‘autoajuda’ que se encontra o problema. Quem quer estar relacionado a ela? Quem não acha que é um sinônimo para autopiedade? Quem admite estar com problemas, que se sente fraco ou ainda, que quer melhorar, quer mudar, quer ser uma pessoa diferente? Poucos. Precisar de ajuda é feio, afinal todos são felizes, perfeitos e inteligentes como se mostram no Facebook. Muitas vezes, os que escolhem caminhos diferentes, acabam se justificando, como estou fazendo agora.

Foi com este cara que aprendi que feio e vergonhoso é não se assumir, não assumir que você tem defeitos e não encará-los. Assisti uma de suas palestras no Youtube, que expandiu minha maneira de enxergar a vida e perceber o quanto minha mente pode ser aprimorada, e que esta é uma tarefa é simples, porém muito trabalhosa.

Depois de ganhar meu respeito, resolvi passar as ideias de Cury para frente e comprei O vendedor de sonhos para a minha mãe, mas claro, não deixaria ele passar batido pela minha estante. Tratei de ler rapidamente.

 O vendedor de sonhos

Júlio, um cara que prestes a tentar o suicídio, foi resgatado pelo Vendedor de Sonhos, conta a história deste caminhante. Um homem de costumes simples, que depende da benevolência dos outros para sobreviver. Dormindo em baixo de viadutos, cumpre em sua vida uma única tarefa: vender sonhos, mostrar às pessoas que eles são possíveis, que não se deve desistir. Que tudo aquilo visto pela sociedade atual como utopia, pode se tornar realidade.

Após convencer Júlio de que a vida é grandiosa e deve ser preservada, o Vendedor de Sonhos o convida a segui-lo. Faz o mesmo com Bartolomeu, um bêbado que assistia à cena e que em alguns momentos chamou mais atenção do público que o suicida. Os três seguem juntos vagando pela cidade, e no decorrer da história, arrebanham outras figurinhas caricatas.

O Mestre, como é chamado por seus seguidores, busca ressaltar sempre os motivos que levam os seres humanos a perderem a fé na vida, desistirem de seus sonhos, corromperem seus valores, e mostrar como isso pode ser revertido. Suas atitudes são sempre contrárias à primeira reação mais comum das pessoas. Sempre procura a maneira mais coerente de resolver os problemas, não discrimina, não ataca. Atitudes que nitidamente, são inspiradas na trajetória de Jesus.

Já assisti a depoimentos do autor, um pesquisador da Inteligência Multifocal, ex-ateu, sobre sua conversão para ao cristianismo, enquanto estudava o comportamento de Jesus –  estudo este que resultou na coleção Análise da Inteligência de Cristo. Segundo Cury, Jesus difere de todos os padrões de comportamento, sua personalidade é tão complexa que não poderia ter sido inventada pelos homens.

Sabendo disto, é fácil perceber que há nas atitudes do Vendedor de Sonhos, traços muito parecidos com o de Cristo, como se o primeiro fosse alguém que acredita e vivencia completamente os ensinamentos do segundo, ou ainda, um messias contemporâneo. Felizmente a história não se limita a esta característica, fazendo dos motivos que levaram o Mestre a se tornar a pessoa que é, a verdadeira “lição”.

Não nos siga. Estamos perdidos.

Se perder é legal. O Mestre canta uma canção que se torna o hino do grupo, dela o conceito mais importante a ser absorvido: perder o medo de se perder. Numa sociedade consumista, veloz e superficial, é comum encontrar a maioria das pessoas presas em seu cotidiano e no mundinho que criaram para manterem seus status. Qualquer coisa que vá contra esse padrão criado costuma ser rejeitado ou causar medo. É o caso por exemplo, de Júlio. Professor universitário altamente qualificado, mas que ao invés de ajudar a tornar seus alunos seres pensantes, se torna um carrasco dono da verdade que usou, a vida toda, sua autoridade para evitar ser questionado, retrucado e manter sua imagem superior. Na maior parte da história ele está sempre preocupado na vergonha que vai sentir caso encontre algum de seus colegas professores, representando dois medos ao mesmo tempo, não somente de perder sua imagem de poder mas também, de se preocupar com o que ainda não aconteceu, medo do futuro.

Comprar um sonho, é acreditar que não existe uma única verdade, é estar aberto para novos caminhos, é não ter medo de se enveredar por diferentes pensamentos e atitudes.  “Não nos siga. Estamos perdidos” é uma frase proferida por Bartolomeu e Barnabé, que retrata com graça e simplicidade, que estes dois alcoólatras que dão graça à vários trechos da história, aprenderam a lição: aceitar que está perdido sem se amedrontar é como dizer que está pronto para tudo, que a vida tem sempre alguma coisa nova para mostrar e que está disposto a conhecer.

Impressões

Comecei a leitura achando que seria um livro bem manjado e principalmente que seria uma paródia da vida de Cristo. Na trajetória do vendedor de sonhos, são abordadas algumas realidades muito atuais como a rapidez de informações, a pressa constante, falta de tempo, dinheiro, poder, religiosidade, valores. Apesar de não me identificar muito com os temas pois tudo me parece que já foi dito antes, acredito ainda que é importante ser repetido, me ocorrendo sempre: será que a pessoa que realmente precisa ler isto, vai ter tempo? Por outro lado, lembro de alguém me dizendo a uns anos atrás: “Nunca pense que fulano deveria estar aqui para ouvir isto. Se é você quem está, é você quem precisa ouvir”. Portanto, que a lição se repita pois sempre haverá alguém precisando ouvi-la, até mesmo, meu eu do futuro.

O autor busca uma linguagem bem simples, mas em certos momentos ele usa algumas expressões mais rebuscadas, o que faz parecer a narração um pouco artificial. Duas expressões, insight e experiência sociológica, já estavam me causando calafrios quando apareciam.

Mas de qualquer forma, consegui me desfazer do preconceito de ler um livro tão popular e então, consegui aprender e relembrar muitas coisas boas que são esquecidas no dia a dia e que fazem a vida parecer mais certeira e tranquila. O Mestre sempre diz: é preciso ser um ser humano sem fronteiras.

O encontro com um dos seguidores, é usado para abordar novamente o assunto ‘Deus’. As palavras de Nietzsche sobre o homem que inventou o deus cruel e vingativo a sua imagem e semelhança são citadas para diferenciar este, do deus bondoso.

O desenrolar no final do livro me fez pensar que daria um belo roteiro. Então pesquisando sobre o assunto descobri no artigo publicado na Folha de São Paulo pela colunista Mônica Bergamo em 7 de maio deste ano, que os direitos foram vendidos para o estúdio Filmland e será gravado em 2013.

Devido ao grande sucesso do primeiro livro, Augusto Cury lançou duas continuações para o Vendedor de Sonhos: O Vendedor de Sonhos e a Revolução dos AnônimosO Semeador de Ideias. Paralelamente foi lançado também, De Gênio e Louco todo Mundo tem um Pouco, que conta a mesma história do primeiro livro do ponto de vista de dois personagens: Bartolomeu e Barnabé, o que deve ser muito engraçado. E possível encontrar toda a Bibliografia de Cury no site do escritor.

Por Patrícia Bedin

O Evangelho Segundo Jesus Cristo

JOSÉ SARAMAGO, Companhia das Letras, 1991.

Faz algum tempo que estou adiando este momento. Terminei de ler O Evangelho Segundo Jesus Cristo a mais de dois meses, desde então tenho refletido sobre o texto para tentar entendê-lo, o que acredito ser a causa do meu conflito. Minha conclusão foi elucidada em um fórum de leitores e é bem simples: não é uma história para ser entendida. Sem razões, sem moral da história, sem lições para toda a vida. Muitas coisas acontecem sem explicação e assim continuam porque é a vontade de Deus e quem estiver no seu caminho, não deve contestá-lo, apenas aceitar.

 

José e Maria eram um casal normal e tinham uma vida normal. Quando Maria engravidou de seu primeiro filho, um anjo bateu a sua porta em forma de mendigo, e anunciou a vinda do primogênito. Este anjo que esteve por perto em muitos momentos da vida de Jesus, não se sabia se, era do bem ou do mal. Você pode até pensar que era Jesus se disfarçando de mendigo pra testar a bondade dos homens. Mas não era. Essa dúvida atormentou Maria por nove meses até ouvir da boca do mesmo, diante na manjedoura do recém-nascido, tais palavras:

Com estas minhas mãos amassei este pão que te trago, com o fogo que só dentro da terra há o cozi

Como na história que vem sendo recontada por dois mil anos, José, ao descobrir que os romanos matariam todas as crianças de Belém, menores de três anos, fugiu com o filho. Na versão de Saramago, José salvou Jesus mas passou a carregar consigo a culpa de não ter salvo a vida dos outros meninos da cidade. Sem conseguir se perdoar, sonhou todas as noites com o acontecimento até o dia de sua morte. Jesus herdou os sonhos do pai e, perdendo sua paz, partiu em busca de explicações. Deixou a mãe com oito irmãos menores e levou as sandálias do genitor, num gesto simbólico, talvez, de que as histórias se repetem. Mas se Jesus está fadado a seguir os passos do pai, resta saber se Deus ou José.

Jesus humano

Nesta obra, Jesus é mais um adolescente confuso como tantos outros, como tem sido desde que o mundo é mundo. Tem mágoas com a família, dúvidas, medos, curiosidades. Somente uma pequena característica o diferencia dos outros de sua idade: ser o filho de Deus.

De todas as experiências em sua caminhada a mais bonita e mais polêmica, é a do amor. Ele conhece Maria de Magdala e encontra nela um porto seguro, um amor verdadeiro. Ela que é uma mulher já experiente, ensina a ele tudo sobre amor e sexo – não como faz a Fernanda Lima, porque naquela época nem as putas era tão saidinhas, mas mas de um jeito muito doce e carinhoso. Ela deixa a vida de prostituição para estar ao lado de Jesus no resto de sua caminhada. 

Para Deus não há frente nem costas

O diabo não faz sacrifício, jejum, não vai ao templo e ainda, suas ideias simples e práticas deixam Jesus horrorizado, como a de usar uma cabra para aliviar suas necessidades. Enquanto o menino acredita ser pecado, como está escrito no livro sagrado, o anjo do mal sabe que quantas e quantas vezes, para exibir e gabar-se de um corpo limpo, a alma a si mesma se carregou de tristeza, inveja e imundície. O anjo apenas segue com seu rebanho. O anjo não faz acontecer nada, apenas deixa que aconteça.

Deus ao contrário, deseja que todos sigam seus preceitos, adora receber sacrifícios, a ponto de exigi-los e de punir os que não cumprirem suas regras. Fez Jesus nascer seu filho para usá-lo como ferramenta na empreitada de ampliar as fronteiras do seu poder, prometendo ao garoto muitas explicações que nunca chegam. Dá poderes ao filho para que use em seu nome, mas há sempre, algo que o menino não compreende.

A figura de Deus é a personificação do deus descrito no Antigo Testamento: aquele que deve ser temido, que castiga, que condena ao fogo eterno e que é capaz de exterminar cidades inteiras em nome do seu poder.

Todos que, como eu, vivenciam uma cultura predominantemente cristã, sabem que Deus pode ser vingativo, mas quando pensamos nele, vemos alguém quase tão querido como o todo poderoso Morgan Freeman. No livro ao contrário, o escritor deixa bem clara sua visão do deus que Nietzsche já afirmara, foi criado a imagem e semelhança do homem.

Morgan Freeman intrepreta Deus no filme “Todo Poderoso”

Para mim, Saramago quis dizer simplesmente, que para este deus que o ser humano criou, não existe bem ou mal, existe segui-lo ou não segui-lo: Siga a deus e obedecerás suas regras, não o siga e serás livre.

Impressões

Nascida e criada no catolicismo, tive mais dificuldades do que imaginei, em assimilar que é a história de José Saramago, é uma ficção. A todo momento em que o “óbvio” conhecido através da Bíblia era dissimulado, eu me confundia. Mas esta sensação não demorou muito a passar.

Todo o texto é bem fundamentado nos costumes do povo hebreu da época, em fatos históricos e bíblicos. Algumas coisas o escritor faz questão de ressaltar, como o tratamento dado às mulheres: o homem deve falar somente o essencial com sua esposa pois as mulheres são ardilosas e devem calar-se para não levar seus maridos a cometerem erros como Eva fez com Adão. Ou seja, mulheres são filhas de Eva e pagarão para sempre pelo pecado original.

É sabido que este livro causou grande polêmica perante a Igreja Católica, sobretudo em Portugal, como já comentei em outros textos*. Conhecer a real intenção do autor é difícil, porém é muito fácil entender os conceitos expostos por ele neste romance, e relacioná-los com a igreja cristã.

Quanto aos costumes judaicos não ouso comentar, mas sempre me pergunto: por que o antigo testamento ainda faz parte da Bíblia? Jesus veio pregar que só o amor salva, seu único mandamento era simples, mas infelizmente, muitas igrejas que se dizem baseadas nesta doutrina, ainda se apegam no medo do castigo eterno para não perder seus fiéis. Não adianta mostrar um senhor bonzinho na hora de vender, e um carrasco na hora de julgar. Sejamos coerentes.

Maria de Magdala, ironicamente, é responsável pelos trechos mais agradáveis desta leitura. Sem ela certamente, Jesus não teria suportado realizar todos os desejos de seu pai.

Ao terminar o livro, senti um grande vazio e senti que nada do que eu esperava aconteceu, fiquei sem entender, quis que alguém me explicasse, esperava respostas. A verdade é que somos todos como este Jesus, humanos e imperfeitos, vagando pelo mundo, em busca de um sentido, mas sem saber muito bem o porquê.

* Saramago – Biografia;

José Saramago – homens que você deveria conhecer

Por Patrícia Bedin

Diário – o livro proibido

Recentemente li mais um livro do Mário Sérgio Cortella, O que a vida me ensinou – viver em paz para morrer em paz (paixão, sentido e felicidade). Logo no começo ele fala sobre a importância de escrever para apaziguar, elaborar o raciocínio, registrar. Em outro momento ele fala sobre a sociedade da exposição, onde não basta ser visto, é preciso ser curtido e compartilhado. Além das redes sociais ele faz uma afirmação que enfim, é a primeira da qual eu discordo:

o desejo de quem faz um diário é ser lido

Ora, se é possível escrever pra apaziguar, nem sempre o que é escrito é para ser exposto. Mas ele prossegue:

Nenhum de nós faz um diário, escreve um poema, pinta quadros, para que sejam esquecidos

Pinturas sempre, poemas às vezes, diários nunca.

Na minha visão, esta regra é clara.

Realmente, eu nunca pintei algo para ser esquecido, quero mais é que seja visto (coisa que o leitor pode fazer acessando minha página no Flickr). Poemas podem ser desabafos ou protestos, depente da intenção. Mas diários, para os que os fazem, são uma parte tão intrínseca do escritor que, é mais provável que ele queira a manter escondida. No Facebook é possível ver somente o que quer ser mostrado, por isso todo mundo sempre está feliz. No diário não tem plateia, se mostra principalmente o que há de não compreendido. O eu totalmente cru.

Falo com propriedade pois comecei aos 11. Começou meio sem graça mas aí vieram as super amigas, os sonhos, as paixonites, as bobagens. Ao contrário do que as mães pensam, há muita bobagem, bobagens fundamentais de uma adolescente! As lembranças, os papeizinhos, os colírios da Capricho, as músicas preferidas… Enfim, escrever me ensinou a apaziguar, elaborar o raciocínio, registrar.

Com o tempo vieram coisas mais sérias, dúvidas, escolhas, mas depois da faculdade, pouco tempo sobrou para ele. Virou quase um depósito de convite de casamento das amigas, endereço dos que moram longe, fotos antigas – sim, fotos impressas.

Recentemente, vi uma entrevista da Danuza Leão que me motivou não só a montar este blog mas também a reativar meu velho companheiro. Ela disse “escreva todos os dias, nem que seja para dizer que o céu estava azul”.

Ninguém é um livro aberto

Como aqui em Brasília, o céu sempre está azul e lindo, resolvi escrever sobre uma coisa menos óbvia. Contrariando todas as regras, encontrei um trecho pouco confidencial que expressa exatamente  a função deste livro-amigo. É um pouco desabafo, um pouco registro, um pouco de tudo. Só quem tem sabe como é. Confuso mas diferente, e é o que me faz defender com unhas e dentes, diários não são escritos para serem lidos. Prepare-se caro leitor, para conhecer meu próprio estilo saramaguiano, desenvolvido aos 12 anos, somente para economizar espaço.

Todos os dias quando apago a luz, é lua cheia. Uma lua linda, branca e brilhante e eu fico feliz. Aí vem alguém e apaga a luz. Então me lembro que minha janela fica de frente p/ 1 prédio, bem alto, como todos os outros por aqui. Muitos outros. No fundo, eu gosto, não tenho certeza, é tudo tão novo que gostaria de coloca numa lista pra poder assimilar uma coisa de cada vez.(…).  O medo é o que cega. Aliás, eu li o Ensaio Sobre a cegueira e confesso que um lado de mim quer ser a mulher do médico enquanto outro lado de mim, confesso que mais forte deseja que o mundo exploda pq as pessoas e as coisas estão cada vez + idiotas. Eu não me salvo. Portudo isso, e por incentivo da Danuza Leão resolvi voltar a escrever. Porque este caderno antes tão precioso, agora é só 1 diário velho cheio de lembranças que não quero mais lembrar. Ele ainda é o lugar onde eu posso escrever e-rrado (tipo agora) agente junto, geito kkk E ninguém vai saber. Eu posso ser brega. Eu não tenho corretor ortográfico apontando meu erro mesmo quando ele é proposital. Talvez alguém leia essa bobagem toda mas, espero que até lá eu esteja viva, pra faturar um troco,  sabe como é, preciso comer. Mas também poder dizer que escrevi um livro. Assim, de agora pra frente, só vai me faltar plantar 1 árvore e fazer um filho. Talvez eu plante uma flor no lugar, pq realmente ñ acredito que se eu plantar uma árvore, vá fazer diferença no mundo. Acredito que a beleza da flor traga + resultados colorindo a vida de uns c outros que cruzarem o caminho dela. Por tudo, acredito que quando for a Apuka eu traga meus longos e recheados diários. Agendas secretas altamente confidenciais. Intocadas. Relíquas que só as provas de amizade testemunharam. Pretendo relê-los, talvez lá eu encontre pensamentos sábios de um eu do passado que ficou perdido naquelas linhas cheias de erros, “+”, “nauns”, “agentes”. “Geitos” não, não depois da 7ª série.

Mas é isso mesmo meu querido. Eu disse trazer pra cá esses cadernos porque estou morando nesta cidade que, segundo o boiadeiro, lugar melhor não há. A exatamente 2 meses e 3 dias ou 4, se você for daqueles que dizem “já passou da meia noite”. Estou aqui porque resolvi me juntar àquele, este da página ao lado (Pequena descrição na página ao lado). Este que chegou como quem chega do nada, não trouxe nada pq gastou td seu dinheiro em passagens mas também nada perguntou. Mal sei que ele se chama Alberto Brandão mas entendo que me quer(…).E é assim que pretendo transformar este livro de más lembranças em um final feliz.

Olhe para si mesmo

Por muitos anos, acreditei que tudo era preciso ser escrito e fotografado para ser lembrado. Hoje vejo tão claramente, que o essencial está gravado na memória, e que o escrever  é por os pensamentos pra fora. Organizados ou não. Hoje sei que para isso é preciso coragem e que  não há nada melhor e mais simples para encarar quem você é essencialmente.

Para os que nunca tiveram essa experiência, comece agora e quem sabe um dia, você  leia o que escreveu e se reconheça – ou não – ou que pelo menos, lembre de não cometer os mesmos erros do passado. Ou ainda, tenha a valentia de assumir que você realmente não sabe direito quem é, mas está tentando descobrir, assumindo isso, é claro, no Facebook.

Por Patrícia Bedin