Arquivo mensal: junho 2012

Futuro promissor

Nos tempos em que aprender qualquer coisa mesmo sem interesse algum era muito simples para mim, eu era tratada como se tratam crinças prodífio: alguns incentivos, adesivos no caderno, elogios e claro, objeto de comparação dos professores para deixar os coleguinhas emputecidos.

Apesar de aprender ser bem legal, de repente a leitura virou uma coisa chata, dava sono, preguiça e desenhar era bem mais divertido; aos nove anos eu comecei a rabiscar bonequinhas com roupas porque havia decidido ser estilista quando crescesse… crianças e suas ideias de jerico.

Juro que na minha esperteza infantil eu não pensei que para ser estilista não precisava ser inteligente, os livros apenas perderam a graça.

Mas os professores não sabiam disso afinal continuei sendo uma aluna aplicada com várias estrelinhas douradas e medalhas na semana da poesia, então, como poderia?

Como mérito de boa aluna ganhei alguns livros “grandes” aos 8 anos, muitas páginas, poucas figuras, um tanto assustador. Só me lembro de ter lido um, os outros dois fiquei deixado pra amanhã e alguns (dezessete) anos se passaram.

Não sinto orgulho desta história, na verdade, me importo muito com ela e quase sinto culpa de não ter lido A caneta falante  e A cor da ternura – o primeiro que ganhei da tia Mara na segunda série e o segundo que ganhei na terceira série, junto com uma medalha num provão do SESC sobre história do Brasil (que aos nove anos achava chatíssima inclusive, mas a opção não aprender era inexistente). Claro que a medalha eu pendurei na parede do meu quarto, mas o livro deixei bem escondidinho. Mamãe vem me visitar em breve e deve trazer ambos para enfim, eu honrar esta dívida com o passado. Vai ser bem divertido.

Por Patrícia Bedin

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Como se fosse dinheiro – meu primeiro livro

Costumou-se dizer por aí que crianças são como folha em branco a serem preenchidas. Esse conceito já causou muita discussão nas rodas da pedagogia uma vez que o novo conceito é receber como conteúdo a singela e rica bagagem que as criaturinhas acumularam em seus primeiros anos de vida. A justificativa para a queda do primeiro conceito é muito plausível, mas eu ouso afirmar ainda assim, que nos meus primeiros anos, eu não era apenas uma folha em branco, era um verdadeiro A0.

Com uma mãe professora de português um irmão mais velho, tudo que eu queria aos quatro ou cinco anos era ir pra escola como eles. Eis que este dia chegou, aprendi a ler lindamente e logo também, chegou o primeiro livro de literatura.

meu primeiro livro

Chamado Como se fosse dinheiro da Ruth Rocha, minha autora preferida na época porque eu já havia passado alguns anos carregando embaixo do braço, o livro que na verdade era o primeiro livrinho do meu irmão Palavras, muitas palavras – que ensinava todo o alfabeto em letras coloridas e animadas. Eu não sabia ler muito bem o nome da escritora por causa do “th” mas a reconhecia pela foto da contracapa.

Na época eu era uma menininha muito mais tímida do que sou agora e fiquei muito encabulada, porque no dia da prova esqueci o livro e precisei falar para professora sobre o acontecido. Hoje é bem engraçado lembrar a cara dela quando contei que devido à quantidade de espaço livre no meu HD, eu ainda poderia fazer a prova. Hoje sinto uma certa satisfação em relembrar a expressão de espanto no rosto dela quando eu disse “tia Marly, eu decorei o livro”.

Por Patrícia Bedin